quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Você é o produto

Consumindo ecologia - Parte 5 de 7


            Eu creio que pouca atenção tem sido dada para a saúde psicológica das pessoas em relação ao consumo, especialmente porque um dos “sonhos de consumo” das pessoas é se tornar um modelo de consumo para os outros. É isso que o marketing pessoal sugere: venda-se. As pessoas precisam querer ser você. Mas o efeito de ser um produto é extremamente deturpador. Uma análise das biografias de pessoas que tiveram essa experiência é suficiente para revelar isso. Ainda assim, pouca atenção é dispensada para o vetor de propagação dessa doença: as personalidades famosas. A vida para o consumo, ou a vida para ser consumido, é considerada boa por causa da abundância de consumo, como se nada pudesse ser pior do que não poder consumir. Esta ideia indica que a maior importância é sempre dada ao consumo.

            As pessoas submetidas a uma rotina de estrela estão perdendo muito mais do que ganhando, porque as pessoas vão simplesmente consumi-las e jogá-las fora. Temos que pensar nos danos que estão sendo provocados pela publicidade, não só ao público alvo, mas também aos que estão sob as luz dos holofotes e flashs da câmera, e todos aqueles que anseiam estar. Não para tentar obrigar as pessoas a se afastar dessas coisas, o que de todo modo seria impossível, mas para não perpetuar um discurso que naturaliza essas coisas, que não dá discernimento sobre a gravidade das doenças que nascem nesse meio. Repensemos sobre o suporte que damos, e o modo como esperamos ansiosos para poder consumir pessoas. Consumimos a beleza de pessoas que são modelos de beleza, e nesse processo rejeitamos a nós mesmos[1].


[1] Esta idéia, como todas que eu apresento aqui, não é minha, mas a reproduzo com base no que aprendi com o autor do seguinte texto: http://www.ultimato.com.br/conteudo/sociedade-do-glamour-e-etica-da-verdade

(Atualizado em 2011)

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