<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973</id><updated>2012-01-28T05:20:01.112-08:00</updated><category term='Tecnologia'/><category term='Traduções'/><category term='Consumismo'/><category term='Vídeos'/><category term='Contos'/><category term='Resenhas'/><category term='Ecologia'/><category term='Questão indígena'/><category term='Comentários'/><category term='Artigos'/><category term='Capitalismo'/><title type='text'>Civilização</title><subtitle type='html'>Blog de crítica à cultura de acúmulo</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>80</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-14203260244833293</id><published>2012-01-27T11:12:00.000-08:00</published><updated>2012-01-28T05:20:01.128-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Política morta-viva</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-y-61pLbzP-c/TyLkdq2hh6I/AAAAAAAABRM/xXWfORNVUNg/s1600/5ba0ce4fb25e6baf97c680536d74046a_M.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;img border="0" height="224" src="http://2.bp.blogspot.com/-y-61pLbzP-c/TyLkdq2hh6I/AAAAAAAABRM/xXWfORNVUNg/s320/5ba0ce4fb25e6baf97c680536d74046a_M.jpg" width="320" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;A crise econômica de 2008 deu origem a um movimento libertarianista&amp;nbsp;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;b&gt;[1]&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; chamado&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;Tea Party&lt;/i&gt;, composto de jovens defensores do liberalismo clássico. O movimento cresceu rapidamente e possui vários representantes ocupando posições no governo dos EUA. Há quem diga que o movimento representa nada mais que um novo fôlego dos republicanos como reação à vitória de Barack Obama, mas também que pode representar um novo fôlego do liberalismo clássico em resposta à incapacidade do neoliberalismo de conter as bolhas financeiras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Recentemente, uma empresa de&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;advergaming&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;chamada&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://starvingeyes.com/" target="_blank"&gt;Starvingeyes&lt;/a&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;fez um jogo chamado "&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=_AoLWBqq6Fw" target="_blank"&gt;Tea Party Zombies Must Die&lt;/a&gt;" (Zumbis do &lt;i&gt;Tea Party&lt;/i&gt; devem morrer), em que o&amp;nbsp;objetivo do jogador é matar versões zumbis de membros do movimento&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;Tea Party&lt;/i&gt;. Aparentemente, a empresa que produziu o jogo está sugerindo que matar opositores políticos, pelo menos virtualmente, é divertido. Não haveria problema nisso, já que os inimigos do jogo são apenas zumbis. Liberdade de expressão, certo? Não é tão simples assim...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;A cultura midiática tem usado o zumbi como uma desculpa para explorar representações de violência contra certos grupos sociais, tirando desse elemento típico do horror todo seu significado original. Jogos de matar zumbis, assim como os jogos de guerra, estão se tornando indistinguíveis de jogos de matança gratuita. Quem são os zumbis? São pessoas estranhas que foram afetadas por alguma condição que as obriga a agir segundo um desejo irresistível de matar e consumir vida. São seres irracionais, e por isso não se encaixam mais no conceito de pessoa: já não são mais livres para agir por vontade própria, por isso não é uma ofensa moral destruí-los, é uma mera questão de sobrevivência. Mas nossa&amp;nbsp;fome de matar zumbis parece ser tão grande quanto a fome deles de nos matar.&amp;nbsp;Talvez nós alimentemos a fantasia de viver somente pela motricidade da sobrevivência imediata contra um mundo hostil porque nos falta algum propósito maior, e porque neste cenário poderíamos nos livrar definitivamente da moralidade. Nós estamos nos tornando como o monstro que caçamos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Isso também descreve uma mudança contemporânea na política. Os conflitos políticos não mais são feitos em torno de posições ideológicas bem definidas, e cresce cada vez mais o desinteresse pela agenda política nacional. A globalização transformou a política em algo cada vez mais individual. Os zumbis são aqueles que ameaçam seu interesse individual. Isto inclui a massa ignorante que age de modo coletivo e com vista a um bem comum, já que nenhuma coletividade poderia ser mais “inteligente” do que uma horda de zumbis. Nunca foi tão fácil tornar-se um crítico da sociedade, graças à internet. O excesso de informação possibilita que cada um lute sozinho contra o resto do mundo, porque conhece fatos que a maioria desconhece. Sua revolução é feita pela divulgação de ideias revolucionárias. As redes sociais são um meio de medir o sucesso da causa. A adesão de outros produz a sensação de que algo está mudando e que sua vida tem um propósito: você descobriu uma verdade oculta que precisa ser compartilhada. Quanto mais pessoas “gostam” do seu conteúdo, mais você sente que está fazendo algo importante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Isto é provocado tanto pelo excesso de ceticismo quanto pelo excesso de credulidade. Antigamente era possível ouvir a um sujeito que se aproximava dizendo ter novidades importantes para relatar. Hoje em dia, não temos tempo para ouvir todo mundo que diz conhecer um segredo que pode mudar sua vida. Mas algumas propostas são apresentadas de modo sofisticado e convincente, dependendo do seu grau de conhecimento e das suas próprias expectativas. Quem tem o privilégio de entrar em contato com uma visão sensata da realidade ainda jovem talvez se torne uma pessoa sensata na maturidade. Mas isso é cada vez mais raro, e a maioria das pessoas luta para manter uma visão mais confortável, por mais absurda que seja.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;A premissa central de um artigo que escrevi sobre&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;o jogo &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;a href="http://www.gamecultura.com.br/index.php?option=com_content&amp;amp;view=article&amp;amp;id=648:filosofia-em-left-4-dead&amp;amp;catid=210:culture&amp;amp;Itemid=100014#axzz1c0sQ1fpb"&gt;Left 4 Dead&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;é que havia um bom motivo para o zumbi ser representado como um ser que se move lentamente. Quando&amp;nbsp;o jogo dá aos zumbis a capacidade de correr, o horror contemplativo, que permitia pensar sobre sua própria condição, é substituído pela reação condicionada, que é pura adrenalina. Isso não se explica somente por tendências de mercado que variam com a flutuação dos desejos dos consumidores, ou como se diz: “Zumbis que correm são mais divertidos e é isso que as pessoas querem hoje em dia”. Estes jogos se tornam divertidos na medida em que aprendemos a gostar deles, e isso depende mais de uma boa engenharia de mecanismos de estímulo e resposta do que da vontade das pessoas. Há um elemento psicossociológico na busca por este tipo de jogo: a raiva causada por um modo de vida cada vez mais estressante. Os próprios defensores desse tipo de jogo apontam que a violência simulada é uma válvula de escape de uma necessidade natural que teria efeitos desastrosos se fosse liberada no mundo real. Mas a raiva não está diminuindo, está se acumulando ainda mais, o que é ótimo para o mercado. A raiva retro-alimentada por este suposto “sistema de escape” se acumula em forma de ressentimento, gerando fenômenos&amp;nbsp;cada vez mais extremos&amp;nbsp;de explosão e implosão de emoções negativas e desejo de vingança.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;O que os defensores do&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;Tea Party&lt;/i&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;tem a dizer sobre um jogo em que eles são representados como zumbis? Um membro do&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.westernyouth.org/"&gt;Western youth&lt;/a&gt;, um movimento estudantil de direita relacionado ao &lt;i&gt;Tea Party&lt;/i&gt;, disse que não ficou nem um pouco ofendido com o jogo. De fato, ele gostaria que fosse feito um outro semelhante, em que o jogador possa matar zumbis de esquerda, socialistas e libertários. Ele apenas se lamenta pelo fato de que "os conservadores tendem a jogar limpo", isto é, não apoiariam uma coisa dessas. Diz que se alguém fizesse um jogo assim,&amp;nbsp;"O&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;establishment&lt;/i&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;conservador iria abandoná-lo, e em seguida começariam a falar como covardes sobre como eles não são 'racistas' ou 'intolerantes'. Eles provavelmente até mesmo diriam o quanto eles amam os homossexuais ou o multiculturalismo ainda mais do que os libertários". É importante notar aqui que o termo “liberal”, em inglês, significa algo bem diferente do termo “liberal” em português, assim como “libertarian”, em inglês, significa algo bem diferente de “libertário” em português. Em inglês, “liberal” é uma pessoa de esquerda, como o “libertário”, e não um defensor do liberalismo, como o “libertarian”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Talvez a ideia de usar fogo contra fogo demonstre outra tendência política: a de que os conservadores exponham mais abertamente suas posições "politicamente incorretas" e lutem por elas com armas mais sofisticadas. Convenções sociais não os preocupam, uma vez que tenham se convencido de que o mundo está dominado por uma infecção chamada esquerdismo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;É isso que influentes filósofos de direita não se cansam de tentar provar com inúmeros artigos e vídeos. Mas talvez &lt;i&gt;liberals&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;libertarians&lt;/i&gt; (libertários e liberais) sejam, &lt;span style="font-family: inherit;"&gt;afinal, muito parecidos. São ambos defensores de ideais humanistas, e só discordam quanto aos meios de atingir os mesmos fins. O fim seria a democracia, os meios seriam a liberalização do Mercado ou o controle sobre o Mercado; o fortalecimento do Estado ou a derrubada do Estado&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;. Na luta pelos seus próprios conceitos de liberdade e democracia, eles querem se matar para decidir&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=A-yN-jJLj0k" style="font-family: inherit;" target="_blank"&gt;qual o lado correto para se passar manteiga no pão&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Em outras palavras, são zumbis uns dos outros. Eles tentam se colocam em lados opostos, mas acabam se igualando nas atitudes, exatamente como os jogadores de &lt;i&gt;Left 4 Dead&lt;/i&gt; se igualam aos zumbis, por estarem num constante estado de alerta na luta pela sobrevivência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;"Quantos de vocês querem pagar a hipoteca do vizinho que construiu um banheiro a mais e agora não pode pagar suas prestações?"&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;A atual depressão econômica tem origem no excesso de endividamento, e o endividamento significa que há um buraco negro na economia mundial. Este buraco negro pode sugar todo o dinheiro do mundo, e ainda não será suficiente. Ninguém quer investir no que não dá retorno, e o que sobra é cortar gastos públicos. A riqueza só pode crescer se houver pessoas gastando cada vez mais. Por isso os endividados devem permanecer gastando. É preciso fazer mais dívidas, não apenas porque quitar as dívidas é impossível, mas porque pagá-las ao invés de gastar mais apenas aprofunda a depressão. Este ciclo compulsivo provavelmente não pode mais ser quebrado. Quando acumulamos dívidas para enriquecer, temos uma economia morta-viva. Na cabeça de alguns, hordas de excluídos estão invadindo nosso país, estragando a economia e tentando te transformar num deles.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Há quem considere o&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;Tea Party&lt;/i&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;como a revitalização dos valores civilizados. Num comentário a um artigo chamado&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.midiasemmascara.org/artigos/internacional/estados-unidos/10804-entendendo-o-tea-party.html" target="_blank"&gt;Entendendo o Tea Party&lt;/a&gt;, de Nivaldo Cordeiro, lemos o seguinte: "Deus abençoe os Estados Unidos.&amp;nbsp;Se aquele país proibir o aborto e o casamento gay, vai voltar a ser perfeito como era antigamente.&amp;nbsp;Falta só proibir essas duas coisas para aquele país voltar a ser O PAÍS". Com uma coisa parece que todos estão concordando: o império estadunidense está em meio a uma decadência de valores. Mas quais valores? Será que o próximo dono da fazenda será melhor?&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Temos capitalismo para todos os gostos. Capitalismo conservador ou progressista, moderno ou antiquado, machista ou feminista, letrado ou populista, religioso ou ateu, civilizado ou selvagem, materialista ou espiritualista. Temos capitalismo ecológico e ao mesmo tempo empresarial, ético e ao mesmo tempo pragmático, individualista e ao mesmo tempo comunitário, e por aí vai. Existem mil maneiras de se encaixar no sistema, invente uma...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;A questão talvez não se limite ao modo de produção ou quem são os proprietários dos meios de produção. É preciso saber o que está sendo produzido: vida ou morte-vida? Se a produção visa a sobrevivência humana, quem são nossos inimigos e o que exatamente nos distingue deles?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div id="ftn1"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; O libertarianismo é uma filosofia política conservadora de direita que se divide em duas correntes: o anarcocapitalismo e o minarquismo. Os libertarianos rejeitam o papel do Estado enquanto regulador da economia e se fundam nos ideais de propriedade, vida e liberdade dos pais fundadores dos EUA.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="ftn2"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;i&gt;Advergaming&lt;/i&gt; é uma estratégia de publicidade que usa jogos eletrônicos criados especificamente para fins publicitários.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="ftn3"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; Ver &lt;a href="http://www.outraspalavras.net/2010/11/16/moralismo-inveja-e-depressao/" target="_blank"&gt;"Moralismo, ignorância e… depressão"&lt;/a&gt;, por Paul Krugman.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-14203260244833293?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/14203260244833293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=14203260244833293' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/14203260244833293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/14203260244833293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2012/01/politica-morta-viva.html' title='Política morta-viva'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-y-61pLbzP-c/TyLkdq2hh6I/AAAAAAAABRM/xXWfORNVUNg/s72-c/5ba0ce4fb25e6baf97c680536d74046a_M.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-8428512677892450646</id><published>2011-07-12T05:32:00.000-07:00</published><updated>2011-07-12T05:50:11.684-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Questão indígena'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Traduções'/><title type='text'>Para a América viver, a Europa deve morrer!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[Observação importante: Eu compreendo que o autor desse texto é uma figura extremamente controversa, que aparentemente não viveu como ele mesmo pregou e se filiou à ideologia que dizia combater. Minha intenção ao publicar este texto não é defender os ideais deste autor, principalmente os ideais políticos, mas disponibilizar uma melhor tradução, devido à sua possível relevância para a discussão sobre uma crítica à civilização no contexto da colonização americana. O texto foi traduzido do original em inglês (Disponível em &lt;a href="http://www.russellmeans.com/"&gt;russellmeans.com&lt;/a&gt;), pois a única tradução para português que eu encontrei estava incompleta e havia adições e alterações significativas no texto.]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O seguinte discurso foi feito por Russell Means, em julho de 1980, para o &lt;i&gt;Black Hills International Survival Gathering&lt;/i&gt;, em South Dakota, EUA.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Para a América viver, a Europa deve morrer!&lt;/b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A única abertura possível para uma afirmação deste tipo é que eu detesto escrever. O processo em si resume o conceito europeu de pensamento "legítimo": o que está escrito tem uma importância que é negada ao falado. Minha cultura, a cultura Lakota, tem uma tradição oral, assim que eu normalmente rejeito escrever. É uma das maneiras que o mundo dos brancos tem de destruir as culturas dos povos não-europeus: a imposição de uma abstração sobre a relação falada de um povo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Então o que você lê aqui não é o que eu escrevi. É o que eu disse e outra pessoa escreveu. Eu vou permitir isso, porque parece que a única maneira de se comunicar com o mundo branco é através das folhas secas e mortas de um livro. Eu realmente não me importo se as minhas palavras atingem os brancos ou não. Eles já demonstraram através de sua história que não podem ouvir, não podem ver, eles podem apenas ler (claro, há exceções, mas as exceções apenas confirmam a regra). Estou mais preocupado com os povos indígenas americanos, estudantes e outros, que começaram a ser absorvidos pelo mundo dos brancos através das universidades e outras instituições. Mas mesmo assim é um tipo de preocupação marginal. É muito possível crescer num rosto vermelho com uma mente branca, e se isso é a escolha individual de uma pessoa, que assim seja, mas não tenho nenhum uso para eles. Isso faz parte do processo de genocídio cultural sendo travado pelos europeus contra os povos indígenas americanos hoje. Minha preocupação é com os índios americanos que escolhem resistir a este genocídio, mas que podem estar confusos a respeito de como proceder. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Você percebe que eu uso o termo “indígena americano” ao invés de povos “americanos nativos” ou “indígenas nativos” ou “ameríndios” quando me refiro ao meu povo. Tem havido alguma controvérsia sobre tais termos, e francamente, sobre isso, acho que é um absurdo. Primeiramente, parece que “indígena americano” está sendo rejeitado como se fosse de origem européia, o que é verdade. Mas todos os termos acima são de origem européia, e o único modo não-europeu é falar dos Lakota ou, mais precisamente, dos Oglala, Brule, Dineh, Miccousukee e todo o resto das várias centenas de nomes tribais corretos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Há também uma confusão sobre a palavra “índio”, uma crença equivocada de que ela se refere de alguma forma ao país, Índia. Quando Colombo chegou à praia no Caribe, ele não estava procurando por um país chamado Índia. Os europeus estavam chamando esse país de Hindustan (terra dos hindus) em 1492. Procure nos mapas antigos. Colombo chamou os povos tribais que ele conheceu de "índio", do italiano “in Dio”, que significa "em Deus".&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Não tornar-se europeizado requer grande esforço da parte de cada indígena americano. A energia necessária a este esforço só pode vir dos meios tradicionais, dos valores tradicionais que os nossos anciãos conservam. Ela deve vir do hoop (círculo sagrado que ressoa vida), das quatro direções, das relações. Não pode nunca vir das páginas de um livro ou de mil livros. Nenhum europeu pode ensinar um Lakota a ser Lakota, um Hopi a ser Hopi. O título de mestre em "Estudos Indígenas" ou em "Educação" ou qualquer outra coisa não faz de uma pessoa um ser humano nem fornece conhecimento sobre os caminhos tradicionais. Faz de você apenas uma mente européia, um forasteiro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu preciso ser claro sobre algo aqui, pois parece haver certa confusão a este respeito. Quando falo de europeus ou mentes européias, não estou permitindo falsas distinções. Não estou dizendo que, por um lado, existe o subproduto de alguns milhares de anos de desenvolvimento europeu genocida e reacionário que é ruim, e por outro lado um novo desenvolvimento intelectual e revolucionário que é bom. Eu me refiro aqui às teorias denominadas de Marxismo, anarquismo e "esquerdismo" em geral. Não acredito que estas teorias possam ser separadas do resto da tradição intelectual européia. É na verdade tudo a mesma velha canção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O processo começou muito antes. Newton, por exemplo, "revolucionou" a física e as chamadas ciências naturais ao reduzir o universo físico a uma equação matemática linear. Descartes fez a mesma coisa com a cultura. John Locke fez isso com a política, e Adam Smith fez isso com a economia. Cada um destes "pensadores" tomou um pedaço da espiritualidade da existência humana e converteu-a em código, numa abstração. Eles continuaram de onde o cristianismo parou: eles "secularizaram" a religião cristã, como os "estudiosos" gostam de dizer, e ao fazer isso eles tornaram a Europa mais capaz e pronta para agir como uma cultura expansionista. Cada uma dessas revoluções intelectuais serviu para tornar a mentalidade européia ainda mais abstrata, para remover a maravilhosa complexidade e espiritualidade do universo e substituí-las com uma seqüência lógica: um, dois, três. Resposta!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;É isto que se chamou de "eficiência" na mente européia. Tudo o que é mecânico é perfeito. Tudo o que parece funcionar no momento, isto é, prova que o modelo mecânico é o correto, é considerado correto, mesmo quando é claramente falso. É por causa disto que a "verdade" muda tão rapidamente na mente européia. As respostas que resultam deste processo são meros tapa-buracos, temporários, que precisam ser continuamente descartados em favor de novos tapa-buracos que suportem os modelos matemáticos e os mantenham (os modelos) vivos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Hegel e Marx são os herdeiros do pensamento de Newton, Descartes, Locke e Smith. Hegel terminou o processo de secularizar a teologia, e isso é afirmando em seus próprios termos. Ele secularizou o pensamento religioso através do qual a Europa compreendia o Universo. Depois, Marx colocou a teoria de Hegel em termos "materialistas", o que quer dizer que Marx desespiritualizou a obra de Hegel completamente. Novamente, isso é afirmado nos próprios termos de Marx. E isso é agora visto como o futuro potencial revolucionário da Europa. Os europeus podem ver isso como revolucionário, mas os índios americanos vêem isso apenas como mais do mesmo velho conflito europeu entre ser e ganhar. As raízes intelectuais de uma nova forma marxista de imperialismo europeu estão nas conexões entre Marx, e seus seguidores, e a tradição de Newton, Hegel e de outros. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ser é uma proposição espiritual. Ganhar é um ato material. Tradicionalmente, os índios americanos sempre tentaram ser as melhores pessoas que podiam ser. Parte deste processo espiritual foi e ainda é doar a riqueza, descartar riqueza a fim de não ganhar. O ganho material é um indicador de falso status entre os povos tradicionais, enquanto é "prova de que o sistema funciona" para os europeus. Claramente, existem duas visões completamente opostas em questão aqui, e o marxismo está muito longe para o outro lado da visão indígena americana. Mas vamos olhar para uma importante implicação disto. Isso não é meramente um debate intelectual. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A tradição européia materialista de desespiritualizar o universo é muito similar ao processo mental de desumanização de outra pessoa. E quem parece ser o maior perito em desumanizar outras pessoas? E por quê? Soldados que viram muitos combates aprendem a fazer isso com o inimigo antes de voltar ao combate. Assassinos fazem isso antes de sair para cometer assassinato. Guardas nazistas da SS faziam isso aos internos nos campos de concentração. Policiais fazem isso. Líderes empresariais fazem isso aos operários que mandam para as minas de urânio e as usinas de aço. Políticos fazem isso com todos que estão à vista. E o que o processo tem um comum para cada grupo fazendo a desumanização é isso torna aceitável matar e destruir outras pessoas. Um dos mandamentos cristãos diz "não matarás", pelo menos não seres humanos, então o truque consiste é converter mentalmente as vítimas em seres não-humanos. Então você pode proclamar a violação do seu próprio mandamento como uma virtude. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Em termos da desespiritualização do universo o processo mental funciona de modo que se torna virtuoso destruir o planeta. Termos tais como progresso e desenvolvimento são usados para disfarçar as palavras aqui, do mesmo modo como vitória e liberdade justificam a carnificina no processo de desumanização. Por exemplo, um especulador imobiliário pode falar em "desenvolver" um pedaço de chão abrindo uma pedreira de cascalho. Desenvolvimento aqui significa a destruição total e permanente, com própria terra removida. Mas a lógica européia ganhou algumas toneladas de cascalho com as quais mais terreno poderá ser "desenvolvido" pela construção de leitos de estradas. Em última análise, o universo inteiro está aberto, na visão européia, a esta forma de insanidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mais importante aqui, talvez, é o fato de que os europeus não sentem nenhum sentimento de perda em tudo isso. Afinal, seus filósofos têm desespiritualizado a realidade, portanto, não há satisfação (para eles) a ser obtida em simplesmente observar a maravilha de uma montanha ou de um lago ou de um povo em ser. Não, a satisfação é medida em termos de obtenção de material. Então a montanha se torna cascalho, e o lago se torna escoadouro para uma fábrica, e as pessoas são arredondadas por processamento através das fábricas doutrinadoras que os europeus gostam de chamar de escolas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mas cada pedaço novo desse “progresso” eleva a aposta no mundo real. Tome o combustível das máquinas industriais como exemplo. Pouco mais do que dois séculos atrás, quase todo o mundo usava a madeira, um item natural e renovável, como combustível para as necessidades humanas de cozinhar e manter-se aquecido. Veio a Revolução Industrial e o carvão tornou-se o combustível dominante, enquanto a produção tornou-se o imperativo social para a Europa. A poluição começou a virar um problema nas cidades, e a terra foi rasgada para fornecer carvão, enquanto a madeira era apenas coletada ou colhida sem grandes prejuízos ao meio ambiente. Mais tarde, o petróleo se tornou o combustível principal, enquanto a tecnologia da produção era aperfeiçoada por meio de uma série de "revoluções" científicas. A poluição aumentou dramaticamente, e ninguém até agora sabe quais serão os custos ambientais futuros de bombear todo aquele petróleo da terra. Há uma "crise energética" e o urânio vai se tornando o combustível dominante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Capitalistas, pelo menos, podem servir de base para desenvolver urânio como combustível apenas na medida em possa mostrar um bom lucro. Esta é a ética deles, e talvez eles comprem algum tempo. Marxistas, por outro lado, podem servir para desenvolver combustível de urânio o mais rápido possível, porque é o combustível de produção "eficiente" à disposição. Esta é a ética deles, e não vejo porque seria preferível. Como eu disse, o marxismo está enfiado no meio da tradição européia. É a mesma velha canção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Há uma regra prática que pode ser aplicada aqui. Você não pode julgar a verdadeira natureza de uma doutrina revolucionária européia com base nas mudanças que ela propõe fazer na estrutura de poder e na sociedade da européia. Você só pode julgá-la pelos efeitos que terá sobre os povos não-europeus. Isto porque cada revolução na história européia serviu para reforçar as tendências e aptidões da Europa em exportar destruição para outros povos, culturas e o próprio meio ambiente. Eu desafio qualquer um a me apontar um exemplo onde isto não seja verdade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Pois agora nós, povos indígenas americanos, somos convidados a acreditar que uma "nova" doutrina revolucionária européia tal como o marxismo irá inverter os efeitos negativos da história européia sobre nós. As relações de poder européias devem ser ajustadas novamente, e isso supostamente será melhor para todos nós. Mas o que isto realmente significa?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Agora mesmo, hoje, nós que vivemos na reserva de Pine Ridge, estamos vivendo no que a sociedade dos brancos designou como "Área de Sacrifício Nacional". O que isto significa é que nós temos muitos depósitos de urânio aqui, e a cultura branca (não nós) precisa deste urânio como material para produção de energia. O mais barato, mais eficiente meio para a indústria extrair e lidar com o processamento desse urânio é jogando os subprodutos residuais aqui mesmo nos campos de escavação. Aqui mesmo onde nós moramos. Este lixo é radioativo e deixará toda esta região inabitável para sempre. Isto é considerado pela indústria e pela a sociedade branca que criou essa indústria, um preço aceitável a pagar pelo desenvolvimento dos recursos energéticos. No caminho, eles também planejam drenar o lençol freático sob esta parte da Dakota do Sul como parte do processo industrial, para que a região se torne duplamente inabitável. O mesmo tipo de coisa está acontecendo da terra dos Navajo e dos Hopi, até a terra dos Cheyenne do norte e dos Crow, e em outros lugares. Trinta por cento do carvão no Ocidente e metade dos depósitos de urânio nos Estados Unidos, são encontrados debaixo da terra de reservas, então não há como isso ser chamado de uma questão menor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Nós estamos resistindo em sermos transformados numa Área de Sacrifício Nacional. Nós estamos resistindo em sermos transformados num povo de sacrifício nacional! Os custos deste processo industrial não são aceitáveis para nós. É genocídio cavar urânio aqui e drenar o lençol freático, nem mais, nem menos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Agora vamos supor que em nossa resistência ao extermínio nós comecemos a buscar aliados (o que temos feito). Vamos supor ainda que aceitemos o marxismo revolucionário à risca: que ele pretende nada menos do que a derrubada completa da ordem capitalista européia que apresentou esta ameaça à nossa própria existência. Esta pareceria ser uma aliança natural para os indígenas americanos. Afinal, como dizem os marxistas, são os capitalistas que nos colocaram para ser um sacrifício nacional. Isto é verdade até certo ponto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mas, como eu tentei salientar, esta "verdade" é muito enganadora. O Marxismo revolucionário é comprometido com a perpetuação e aperfeiçoamento do próprio processo industrial, que está destruindo a todos nós. Ele se oferece apenas para "redistribuir" os resultados, o dinheiro talvez, dessa industrialização para uma parcela mais ampla da população. Ele se oferece para pegar a riqueza dos capitalistas e passá-la para frente, mas para fazê-lo, o marxismo deve manter o sistema industrial. Mais uma vez, as relações de poder dentro da sociedade européia terão de ser alteradas, mas novamente os efeitos sobre os povos indígenas americanos, aqui e em outros lugares não-europeus, permanecerão os mesmos. Isso é o mesmo que aconteceu quando o poder foi redistribuído da igreja para empresas privadas durante a chamada revolução burguesa. A sociedade européia mudou um pouco, pelo menos superficialmente, mas a sua conduta para com os não-europeus continuou como antes. Você pode ver o que a Revolução Americana de 1776 fez para os índios americanos. É a mesma velha canção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O Marxismo revolucionário, como a sociedade industrial em outras formas, procura "racionalizar" todas as pessoas em relação à indústria. Máxima industrialização, máxima produção. É uma doutrina que despreza a tradição espiritual indígena americana, nossas culturas, nossos modos de vida. O próprio Marx nos chamou "pré-capitalistas" e "primitivos". Pré-capitalista significa simplesmente que, em sua opinião, acabaríamos eventualmente descobrindo o capitalismo e nos tornando capitalistas. Nós sempre fomos economicamente atrasados em termos marxistas. A única maneira em que indígenas americanos poderiam participar de uma revolução marxista seria aderir ao sistema industrial, para tornar-se trabalhadores de fábricas, ou “proletários”, como Marx os chamou. Ele foi muito claro sobre o fato de que sua revolução só poderia ocorrer através da luta do proletariado, que a existência de um imenso sistema industrial é a pré-condição de uma sociedade Marxista bem sucedida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu acho que há um problema com a linguagem aqui. Cristãos, capitalistas, Marxistas. Todos eles têm sido revolucionários em suas próprias mentes, mas nenhum deles realmente significa revolução. O que eles realmente significam é continuação. Eles fazem o que fazem para que a cultura européia possa continuar a existir e se desenvolver de acordo com suas necessidades. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Então, para que nós realmente unamos forças com o marxismo, nós índios americanos teríamos que aceitar o sacrifício nacional de nossa terra natal; teríamos que cometer suicídio cultural e nos tornar industrializados e europeizados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Neste ponto, eu tenho que parar e me perguntar se eu estou sendo muito duro. O Marxismo tem alguma história. Será que esta história confirma minhas observações? Eu olho para o processo de industrialização na União Soviética a partir de 1920 e vejo que esses marxistas fizeram o que a Revolução Industrial inglesa levou 300 anos para fazer; e os Marxistas fizeram em 60 anos. Eu vejo que o território da URSS costumava a abrigar certo número de povos tribais e que eles foram esmagados para abrir caminho para as fábricas. Os soviéticos se referem a isso como a "Questão Nacional." A questão de se os povos tribais tinham o direito de existir como povos; e eles decidiram que os povos tribais eram um sacrifício aceitável para as necessidades industriais. Eu olho para a China e vejo a mesma coisa. Eu olho para o Vietnã e vejo Marxistas impondo uma ordem industrial e arrancando o povo das tribos indígenas das montanhas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu ouço o proeminente cientista soviético dizendo que quando o urânio se esgotar, alternativas serão encontradas. Eu vejo os vietnamitas ocupando uma usina nuclear abandonada pelos militares dos EUA. Eles a desmantelaram e a destruíram? Não, eles a estão usando. Vejo a China explodindo bombas nucleares, desenvolvendo reatores de urânio, e preparando um programa espacial a fim de colonizar e explorar os planetas do mesmo modo que os europeus colonizaram e exploraram este hemisfério. É a mesma velha canção, mas talvez com um ritmo mais rápido desta vez. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A declaração do cientista soviético é muito interessante. Ele sabe que fonte de energia alternativa será esta? Não, ele simplesmente tem fé. A ciência vai encontrar um caminho. Eu ouço os Marxistas revolucionários dizendo que a destruição do meio ambiente, a poluição e a radiação serão todas controladas. E eu vejo-os agir de acordo com suas palavras. Será que eles sabem como essas coisas vão ser controlados? Não, eles simplesmente têm fé. A ciência vai encontrar um caminho. Industrialização é bom e necessário. Como eles sabem isso? Fé. A ciência vai encontrar um caminho. Fé desse tipo sempre foi conhecida na Europa como religião. A ciência se tornou a nova religião européia para ambos os capitalistas e marxistas; eles são realmente inseparáveis; eles são parte e parcela da mesma cultura. Então, tanto na teoria quanto na prática, o Marxismo exige que povos não-europeus desistam de seus valores, suas tradições, sua existência cultural completamente. Seremos todos viciados em ciência industrializada em uma sociedade Marxista. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu não acredito que o capitalismo em si mesmo é realmente responsável pela situação em que os índios americanos foram declarados um sacrifício nacional. Não, é a tradição européia, a cultura européia em si é responsável. O Marxismo é apenas o mais recente continuação desta tradição, não uma solução para ela. Aliar-se com o marxismo é aliar-se com as mesmas forças que nos declaram um custo aceitável. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Há uma outra maneira. Há o caminho tradicional Lakota e as formas dos povos indígenas americanos. É o caminho que sabe que os humanos não têm o direito de degradar a Mãe Terra, que existem forças além de tudo que a mente européia concebeu, que os seres humanos devem estar em harmonia com todas as relações ou as relações eventualmente irão eliminar a desarmonia. Uma ênfase desequilibrada nos humanos por pelos humanos; a arrogância européia de agir como se estivessem além da natureza de todas as coisas relacionadas; só pode resultar em uma desarmonia total e um reajuste que corta os seres humanos arrogantes para seu devido tamanho, lhes dá uma amostra daquela realidade fora do seu alcance ou controle, e restaura a harmonia. Não há necessidade de uma teoria revolucionária para que isso aconteça; está fora do controle humano. Os povos da natureza deste planeta sabem disto e por isso não teorizam sobre isso. A teoria é uma abstração, nosso conhecimento é real. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Destilada a seus termos básicos, a fé européia, incluindo a nova fé na ciência, é igual à crença de que o homem é Deus. A Europa sempre procurou um Messias, quer seja o homem Jesus Cristo ou o homem Karl Marx ou o homem Albert Einstein. Os índios americanos sabem que isto é totalmente absurdo. Os seres humanos são as mais fracas de todas as criaturas, tão fracas que as outras criaturas estão dispostas a desistir de sua carne para que vivamos. Os seres humanos só são capazes de sobreviver pelo exercício da racionalidade, já que não têm as habilidades das criaturas para obter comida pelo uso de presas e garras. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mas a racionalidade é uma maldição, uma vez que pode fazer os seres humanos se esquecerem da ordem natural das coisas de maneiras outras criaturas não fazem. Um lobo nunca esquece o seu lugar na ordem natural. Os índios americanos podem. Europeus quase sempre o fazem. Nós damos graças pelo cervo, nossas relações, por nos oferecer sua carne para comer. Os europeus simplesmente pegam a carne e consideram o cervo inferior. Afinal, os europeus consideram-se como deuses no seu racionalismo e ciência. Deus é o Ser Supremo; todo resto deve ser inferior. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Toda tradição européia, incluindo o Marxismo, conspirou para desafiar a ordem natural das coisas. A Mãe Terra foi abusada, os poderes foram abusados, e isso não pode durar para sempre. Nenhuma teoria pode alterar esse fato simples. Mãe Terra irá retaliar, todo o ambiente irá retaliar, e os abusadores serão eliminados. O círculo ficará completo, de volta para onde começou. Isso é revolução. E isso é uma profecia do meu povo, do povo Hopi e de outros povos corretos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Os índios americanos têm tentando explicar isso para os europeus durante séculos. Mas, como eu disse anteriormente, os europeus provaram-se incapazes de ouvir. A ordem natural irá vencer, e os ofensores irão morrer, do mesmo modo que os cervos morrem quando ofendem a harmonia superpopulando uma determinada região. É só uma questão de tempo até que o que os europeus chamam de "uma catástrofe de proporções globais" ocorra. É o papel dos povos indígenas americanos, o papel de todos os seres naturais, sobreviver. Uma parte da nossa sobrevivência é resistir. Nós resistimos, não para derrubar um governo ou para tomar o poder político, mas porque é natural resistir ao extermínio, sobreviver. Nós não queremos poder sobre as instituições brancas, queremos instituições brancas desapareçam. Isso é revolução. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Os índios americanos ainda estão em contato com essas realidades, as profecias, as tradições de nossos antepassados. Aprendemos dos anciãos, da natureza, dos poderes. E quando a catástrofe acabar, nós os povos indígenas americanos ainda estaremos aqui para habitar o continente. Eu não me importo se for apenas um punhado vivendo no alto dos Andes. Os indígenas americanos vão sobreviver; a harmonia será restabelecida. Isso é revolução. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Neste ponto, talvez eu devesse ser muito claro sobre outro assunto, um que já deve estar claro como um resultado do que eu disse. Mas a confusão prolifera facilmente hoje em dia, então eu quero martelar este ponto. Quando eu uso o termo Europeu, eu não estou me referindo a uma cor de pele ou uma estrutura genética particular. O que eu estou me referindo é uma mentalidade, uma visão de mundo que é um produto do desenvolvimento da cultura européia. As pessoas não são geneticamente codificadas a manter esta perspectiva, pois eles são aculturados para mantê-la. O mesmo é verdadeiro para os índios americanos ou para os membros de qualquer cultura. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;É possível para um índio americano partilhar os valores europeus, a visão de mundo européia. Temos um termo para essas pessoas, nós os chamamos de "maçãs": vermelhos do lado de fora (genética) e brancos por dentro (seus valores). Outros grupos têm termos similares: os negros têm as suas "oreos"; Latinos têm "cocos" e assim por diante. E, como eu disse antes, há exceções à norma branca: pessoas que são brancas por fora, mas não brancas por dentro. Eu não tenho certeza que termo aplicar a eles são "seres humanos". &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O que eu estou colocando aqui não é uma proposição racial, mas uma proposição cultural. Aqueles que em última análise advogam e defendem as realidades da cultura européia e sua industrialização são meus inimigos. Aqueles que resistem a ela, que lutam contra ela, são os meus aliados, os aliados do povo indígena americano. E eu não dou a mínima para qual ser a cor da sua pele. Caucasiano é o termo branco para a raça branca: Europeu é uma perspectiva a qual eu me oponho. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Os Comunistas Vietnamitas não são exatamente o que você pode considerar geneticamente Caucasianos, mas agora estão funcionando como europeus mentais. O mesmo vale para os Comunistas Chineses, para os capitalistas Japoneses ou Católicos Bantu ou Peter "MacDollar" abaixo da Reserva Navajo ou Wilson Dickie aqui em Pine Ridge. Não há racismo envolvido nisso, apenas um reconhecimento da mente e do espírito que compõem a cultura. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Em termos marxistas eu suponho que sou um "nacionalista cultural". Eu trabalho primeiro com o meu povo, o tradicional povo Lakota, pois temos uma visão de mundo comum e compartilham uma luta imediata. Além disso, eu trabalho com outros povos indígenas tradicionais americanos, novamente por causa de certa visão de mundo comum e forma de luta. Além disso, eu trabalho com qualquer um que experimentou a opressão colonial da Europa e que resiste à sua totalidade cultural e industrial. Obviamente, isso inclui Caucasianos genéticos que lutam para resistir às normas dominantes da cultura européia. Os irlandeses e os bascos vêm imediatamente à minha mente, mas há muitos outros. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu trabalho principalmente com o meu próprio povo, com a minha própria comunidade. Outras pessoas que sustentam perspectivas não-européias deveriam fazer o mesmo. Eu acredito no slogan: "Confie visão do teu irmão", embora eu adicione as irmãs também. Eu confio na comunidade e na visão de base cultural de todas as raças que naturalmente resistem à industrialização e à extinção humana. Claramente, indivíduos brancos podem compartilhar disto, dado apenas que eles tenham atingido a consciência de que a continuação dos imperativos industriais da Europa não é uma visão, mas o suicídio da espécie. Branco é uma das cores sagradas do povo Lakota. Vermelho, amarelo, branco e preto. As quatro direções. As quatro estações. Os quatro períodos de vida e do envelhecimento. As quatro raças da humanidade. Misture vermelho, amarelo, branco e preto e você tem marrom, a cor da quinta raça. Isto é a ordem natural das coisas. Assim, parece natural para mim trabalhar com todas as raças, cada uma com seu próprio significado especial, identidade e mensagem. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mas há um comportamento peculiar entre a maioria dos Caucasianos. Assim que eu me tornei crítico da Europa e seu impacto sobre outras culturas, eles tornaram-se defensivos. Eles começam a se defender. Mas eu não estou atacando-os pessoalmente; estou atacando a Europa. Ao personalizar as minhas observações sobre a Europa estão personalizando a cultura européia, identificando-se com ela. Ao defender-se neste contexto, estão em última análise defendendo a cultura da morte. Esta é uma confusão que devem ser superada, e deve ser superada de pressa. Nenhum de nós tem energia para desperdiçar em tais lutas falsas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Os Caucasianos têm uma visão mais positiva para oferecer à humanidade do que a cultura européia. Eu acredito nisto. Mas para atingir esta visão é necessário que os Caucasianos saiam da cultura européia, juntamente com o resto da humanidade, para ver a Europa pelo que ela é e pelo que faz. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Apegar-se ao capitalismo e ao Marxismo e a todos os outros "ismos" é simplesmente permanecer dentro da cultura européia. Não há como evitar esse fato básico. Como um fato, isso constitui uma escolha. Entenda que a escolha é baseada na cultura, não na raça. Entenda que escolher a cultura européia e do industrialismo é escolher ser meu inimigo. E entenda que a escolha é sua, não minha. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Isso me leva de volta aos índios americanos, que estão vagando pelas universidades, pelas periferias da cidade, e outras instituições européias. Se você está lá para resistir ao opressor em conformidade com os seus caminhos tradicionais, que assim seja. Eu não sei como você consegue combinar os dois, mas talvez você tenha sucesso. Mas mantenha seu senso de realidade. Cuide para não vir a acreditar que o mundo branco agora oferece soluções para os problemas com os quais nos confronta. Cuidado, também, para não permitir que as palavras do povo nativo sejam distorcidas para a vantagem de nossos inimigos. A Europa inventou a prática de torcer as palavras ao redor delas mesmas. Você só precisa olhar para os tratados entre os povos indígenas americanos e os vários governos europeus para saber que isso é verdade. Tire sua força de quem você é. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Uma cultura que regularmente confunde revolta com resistência, não tem nada útil para lhe ensinar e nada a para lhe oferecer como uma forma de vida. Europeus há muito que perderam todo o contato com a realidade, se alguma vez eles estiveram em contato com quem eles são, como os índios americanos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Então, acho que para concluir isso, eu deveria dizer claramente que conduzir qualquer pessoa para o Marxismo é a última coisa em minha mente. O Marxismo é tão alienígena à minha cultura quanto o capitalismo e o Cristianismo são. Na verdade, eu posso dizer que eu não acho que eu estou tentando levar ninguém a coisa alguma. Até certo ponto eu tentei ser um "líder", no sentido em que a mídia branca gosta de usar esse termo, quando o Movimento Indígena Americano era uma organização recente. Este foi o resultado de uma confusão eu já não tenho. Você não pode ser tudo para todos. Não me proponho a ser usado de tal forma pelos meus inimigos. Eu não sou um líder. Eu sou um patriota Oglala Lakota. Isso é tudo que eu quero e tudo que eu preciso ser. E estou muito confortável com quem eu sou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-8428512677892450646?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/8428512677892450646/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=8428512677892450646' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/8428512677892450646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/8428512677892450646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/07/para-america-viver-europa-deve-morrer.html' title='Para a América viver, a Europa deve morrer!'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-2345572520316995648</id><published>2011-06-22T13:52:00.001-07:00</published><updated>2011-06-22T13:52:56.022-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>Eco-consumismo (Greensumption)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://i.ytimg.com/vi/qnaaUGRdPSo/0.jpg"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/qnaaUGRdPSo?f=user_uploads&amp;c=google-webdrive-0&amp;app=youtube_gdata" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266"  src="http://www.youtube.com/v/qnaaUGRdPSo?f=user_uploads&amp;c=google-webdrive-0&amp;app=youtube_gdata" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-2345572520316995648?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/2345572520316995648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=2345572520316995648' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/2345572520316995648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/2345572520316995648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/06/eco-consumismo-greensumption.html' title='Eco-consumismo (Greensumption)'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-4375800563069055180</id><published>2011-06-22T11:26:00.000-07:00</published><updated>2011-06-22T11:26:54.837-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>Esta é sua vida</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-2c1d4e77e82839e0" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v11.nonxt8.googlevideo.com/videoplayback?id%3D2c1d4e77e82839e0%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1329940470%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D3DBD91B3B87A5E3A8ACD7209F5D6CC2EA0F96466.561AAC514B94A02013CBCC79E592DAD4CDF29F8%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D2c1d4e77e82839e0%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DF6toHAY-ZDFAzXBMJWdGuec80kY&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v11.nonxt8.googlevideo.com/videoplayback?id%3D2c1d4e77e82839e0%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1329940470%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D3DBD91B3B87A5E3A8ACD7209F5D6CC2EA0F96466.561AAC514B94A02013CBCC79E592DAD4CDF29F8%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D2c1d4e77e82839e0%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DF6toHAY-ZDFAzXBMJWdGuec80kY&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-4375800563069055180?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/4375800563069055180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=4375800563069055180' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/4375800563069055180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/4375800563069055180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/06/esta-e-sua-vida.html' title='Esta é sua vida'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-523314196146896920</id><published>2011-06-21T02:37:00.000-07:00</published><updated>2011-06-27T21:01:45.978-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comentários'/><title type='text'>Grand Rapids Lip Dub</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://2.gvt0.com/vi/ZPjjZCO67WI/0.jpg"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ZPjjZCO67WI&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266"  src="http://www.youtube.com/v/ZPjjZCO67WI&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Em janeiro de 2011, a Newsweek publicou uma matéria chamada “&lt;a href="http://www.newsweek.com/2011/01/21/america-s-dying-cities.html"&gt;America’s dying cities&lt;/a&gt;” (As cidades moribundas da América), em que listava as 10 cidades com menor taxa de crescimento populacional nos Estados Unidos. A cidade de Grand Rapids, Michigan, estava na lista. Em março, o produtor de eventos Rob Bliss começou a organizar uma &lt;a href="http://www.mlive.com/entertainment/grand-rapids/index.ssf/2011/03/next_rob_bliss_event_a_lip_dub.html"&gt;resposta&lt;/a&gt; a isso. Seu plano era criar um vídeo viral para promover a cidade de Grand Rapids. O vídeo ficou pronto em maio, e se trata de um recorde mundial em “dublagem”. É um vídeo que contou com a participação e o financiamento da população, e custou cerca de 40 mil dólares. É uma dublagem do clássico “American Pie” de Don McLean, com quase 10 minutos de filmagem direta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;O vídeo está fazendo muito sucesso, pois conseguiu mais de 3 milhões de acessos em menos de 20 dias. A descrição do vídeo diz que esta é uma resposta oficial ao artigo da Newsweek. A reação das pessoas ao redor do mundo, inclusive no Brasil, foi bastante favorável, pelo que se pode notar nos comentários do vídeo. Porém, não houve uma boa recepção aos comentário que eu fiz sobre os fatores econômicos e políticos por trás do vídeo. Um dos participantes do projeto me chamou de “amargo” e “sem coração”. O fato é que o artigo da Newsweek está apenas apresentando o resultado de uma análise de dados do censo americano no período de 2000 a 2009. Esta análise aponta as cidades cuja população está diminuindo mais rápido, e Grand Rapids aparece em décimo lugar, com uma taxa de -2.1%. Mas o que provavelmente provocou a reação não foi o fato de que esta cidade foi chamada de moribunda, mas sim que o artigo interpreta esses dados populacionais como um sinal de queda na economia. Segundo o artigo, Grand Rapids estaria enfrentando altas taxas de desemprego e de despejos, graças ao colapso da indústria automobilística. É natural pensar que o principal fator por trás do interesse de promover a imagem de Grand Rapids, que em 2010 foi considerada &lt;a href="http://www.mlive.com/business/west-michigan/index.ssf/2010/05/post_30.html"&gt;a cidade mais sustentável dos EUA&lt;/a&gt;, provavelmente está relacionado com o projeto de revitalização econômica planejado pelos políticos locais.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;A verdade é que o vídeo colocou a cidade no foco das notícias, o que poderá atrair visitantes e quem sabe empresários interessados em estabelecer negócios ou investimentos na cidade. É com base nisso que eu gostaria de fazer comentários mais provocativos. O lado bom do vídeo já está bastante comentado. Eu gostaria de usá-lo como um exemplo como o capitalismo age como um necromante que faz os mortos dançarem. O vídeo não foi feito para afirmar que a cidade está viva. Afinal, ela ainda é a segunda maior cidade de Michigan, só perdendo para Detroit. A questão é a dominação exercida pela sociedade do espetáculo por meio de um discurso que é facilmente aceito tanto pela comunidade local quanto pela global.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Porque deveríamos “comprar coisas legais” (buy cool stuff) para ajudar essa cidade a voltar para a área luminosa do capitalismo? De certo ponto de vista, a melhor coisa que pode acontecer com uma cidade é morrer. Uma cidade morta para o capitalismo poderia ser o começo de uma comunidade livre. Porque os negócios locais investiram na imagem da cidade? Certamente não é por causa de algum orgulho local. Há interesses comerciais envolvidos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;O disfarce de “comunidade ativa” é perfeito para atrair a atenção. A dominação ideológica não permite que a maioria das pessoas perceba que este tipo de evento é mais político do que se imagina. O projeto é uma oportunidade para “fortalecer a economia local”? Bem, ele funciona como uma propaganda. Muitas pessoas declararam nos comentários que o vídeo os fez querer visitar a cidade. Isto parece se encaixar perfeitamente no conceito de subpolítica usado por Ulrich Beck, por exemplo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Além do mais, não há nada de errado em viver numa cidade que não cresce. Goiânia está crescendo e está cada dia pior. O problema é que os pobres são sacrificados quando não há crescimento econômico. É realmente um mundo invertido. Uma agenda política local se torna atração global. Uma cidade que foi explorada e então abandonada pela indústria automobilística agora implora para poder voltar para o jogo, e nós tratamos isso como entretenimento. Mas este jogo não tem vencedores, e é triste ver pessoas dançando e cantando por esse motivo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-523314196146896920?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/523314196146896920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=523314196146896920' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/523314196146896920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/523314196146896920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/06/grand-rapids-lip-dub.html' title='Grand Rapids Lip Dub'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-3742943121025121664</id><published>2011-06-20T15:25:00.000-07:00</published><updated>2011-06-27T21:01:45.979-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comentários'/><title type='text'>A paradoxalização moderna</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-xCnqSbEm0H0/Tf_IzDJSo0I/AAAAAAAAA0o/f5lHkJOSscQ/s1600/paradoxo.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="289" src="http://4.bp.blogspot.com/-xCnqSbEm0H0/Tf_IzDJSo0I/AAAAAAAAA0o/f5lHkJOSscQ/s320/paradoxo.gif" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Um texto chamado “O paradoxo de nossa era”, escrito nos anos noventa, circulou o mundo por meio da internet, e até hoje é repassado por meio de detestáveis correntes de mensagens “profundas” e “tocantes”. Sua atratividade provavelmente se deve ao fato de que resume em termos simples aquilo que mais incomoda a maioria das pessoas com acesso à internet, criticando os “valores da modernidade” e ao mesmo tempo servindo de catarse. O mais irônico é que o texto foi atribuído a George Carlin, famoso comediante ateu estadunidense, quando de fato o autor é Bob Moorehead, ex-pastor de uma igreja cristã estadunidense, que por sua vez é acusado de ter copiado as frases principais de um poema do 14º Dalai Lama. Eis o texto original, traduzido:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 36.0pt; margin-right: 29.2pt; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 18.0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt;"&gt;“Nós temos prédios mais altos, mas o temperamento mais curto; rodovias mais largas, mas pontos de vista mais estreitos; nós gastamos mais, mas temos menos; nós compramos mais, mas aproveitamos menos as coisas; nós temos casas maiores e famílias menores; mais conveniências, mas menos tempo; nós temos mais diplomas, mas menos bom-senso; mais conhecimento, mas menos juízo; mais especialistas, mas ainda mais problemas; mais engenhocas, mas menos satisfação; mais remédios, mas menos bem-estar; nós tomamos mais vitaminas, mas vemos menos resultados. Nós bebemos demais; fumamos demais; gastamos inconseqüentemente; rimos muito pouco; dirigimos rápido demais; ficamos bravos rápido demais; ficamos acordados até tarde; acordamos muito cansados; lemos raramente; assistimos muita televisão e oramos muito raramente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 36.0pt; margin-right: 29.2pt; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 18.0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 36.0pt; margin-right: 29.2pt; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 18.0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt;"&gt;Nós multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores; nós voamos em aviões mais rápidos para chegarmos lá mais rápido, para fazermos menos e voltarmos mais cedo; nós assinamos mais contratos só para percebermos menos lucros; nós falamos demais; amamos muito raramente e mentimos demais. Nós aprendemos a sobreviver, mas não a viver; nós acrescentamos anos às nossas vidas, mas não vida aos nossos anos. Nós já chegamos até a Lua e voltamos, mas temos dificuldades em atravessarmos a rua e conhecer o novo vizinho. Nós conquistamos o espaço sideral, mas não o espaço interno; nós fizemos coisas maiores, mas não coisas melhores; nós limpamos o ar, mas poluímos a alma; nós fissionamos o átomo, mas não nosso preconceito; nós escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas conquistamos menos; fazemos aviões mais rápidos, mas filas mais longas; aprendemos a correr, mas não a esperar; temos mais armas, mas menos paz; salários mais altos, mas menos moralidade; mais festas, mas menos diversão; mais comida, mas menos contentamento; mais conhecidos, mas menos amigos; mais esforço, mas menos sucesso. Nós montamos mais computadores para armazenarmos mais informação, para produzirmos mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos; dirigimos carros menores que tem problemas maiores; construímos fábricas maiores que produzem menos. Nós nos tornamos grandes em quantidade, mas pequenos em qualidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 36.0pt; margin-right: 29.2pt; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 18.0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 36.0pt; margin-right: 29.2pt; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 18.0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt;"&gt;Estes são os tempos de comidas rápidas e digestão lenta; homens altos, mas de pouco caráter; lucros profundos, mas relacionamentos superficiais. Estes são os tempos de paz mundial, mas guerra doméstica; mais lazer e menos diversão; mais postagem, mas correio mais lento; mais tipos de comida, mas menos nutrição. Estes são os dias de dois salários, mas mais divórcios; estes são os tempos de casas mais chiques, mas lares despedaçados. Estes são os dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis, vidas padronizadas, morais para se jogar fora, encontros de uma noite, corpos obesos e pílulas que fazem tudo, desde animar, prevenir, aquietar ou matar. É um tempo em que há muito na vitrine e nada no estoque. Realmente, estes são os tempos.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Se você prestar atenção, vai perceber que o texto é apenas uma lamentação pelo fato de que a modernidade não cumpriu suas promessas, mas em nenhum momento a “nossa era” é realmente criticada. O autor passa a ideia de que o problema é que temos todos esses benefícios por um lado, e por outro lado as coisas não ficaram melhores. E ele chama isso de paradoxo, como se os benefícios citados devessem necessariamente levar ao “progresso” em todos os aspectos da vida humana, mas surpreendentemente não levam. Surpreendentemente? Qual seria a relação correta? Gastar menos e ter mais? Isso seria algo mais próximo de um paradoxo moderno. Ou ele quis dizer que deveríamos ter mais benefícios e menos prejuízos? Ora, mas que tipo de constatação é essa?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Não quero ser duro demais, mas sinceramente a mensagem não tocou meu coração. Eu reconheço que ela apela aos sentimentos, mas não expressa nada de relevante. Para piorar, esta inspiradora coleção de clichês foi escrita por um pregador acusado de molestar 17 homens na sua igreja. Sim, Dr. Bob Moorehead, autor de vários livros cheios de mensagens como essa, foi acusado de molestar sexualmente vários homens, e ainda assim pregou contra a perda dos valores morais. Os casos de assédio sexual foram comprovados por uma investigação feita pelos próprios líderes da igreja. Eles estavam acreditando totalmente na inocência de um dos seus maiores pregadores, mas foram obrigados a mudar de opinião diante das evidências, e do fato de que o próprio pastor decidiu abandonar o cargo sem dar explicações.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Este é um exemplo de como coisas aparentemente simples podem ficar tão complicadas e confusas graças ao efeito do “nosso tempo”. Temos a mensagem de um pastor hipócrita atribuída a um ateu, e não conseguimos discernir o que é do que não é. Não sabemos se ele é realmente culpado do que foi acusado, ou se o texto foi de fato baseado na poesia do Dalai Lama. Só há uma grande confusão de fatos e de sentimentos. Esta sim é a característica central da nossa era. Apesar de toda essa iluminação sobre a degradação humana, não conseguimos ser mais do que “homens do nosso tempo”. Esta é a estranha lição de “O paradoxo de nossa era”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-3742943121025121664?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/3742943121025121664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=3742943121025121664' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/3742943121025121664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/3742943121025121664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/06/paradoxalizacao-moderna.html' title='A paradoxalização moderna'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-xCnqSbEm0H0/Tf_IzDJSo0I/AAAAAAAAA0o/f5lHkJOSscQ/s72-c/paradoxo.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-5009960213733870589</id><published>2011-05-24T21:40:00.000-07:00</published><updated>2011-06-27T21:01:45.979-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comentários'/><title type='text'>O preço do futuro</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-tqGhRqnSSyU/TdyClfSevxI/AAAAAAAAAz8/RgPGG0cUy9w/s1600/cartoonfuturo1.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-tqGhRqnSSyU/TdyClfSevxI/AAAAAAAAAz8/RgPGG0cUy9w/s400/cartoonfuturo1.JPG" width="303" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até hoje nós temos discutido o preço do futuro em termos de como pagar menos por mais. Quando é que vamos começar a nos perguntar se esse tão aguardado futuro vale a pena, não pelo preço, mas por si mesmo? O problema pode não estar no preço, mas no produto em si (o progresso) e no desejo de consumir esse produto (a cobiça).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quino acertou em cheio: estamos construindo a destruição do futuro. Todos nós estamos colaborando com esse projeto insano. Não importa se isso ocorre de modo tecnológico ou humanitário ou violento ou capitalista ou ecológico ou qualquer outra coisa. O nosso erro não está no modo com que caminhamos para o ideal civilizatório, mas na direção para qual estamos caminhando. Seria melhor dizer na falta de direção. Estamos completamente perdidos, desorientados, fugindo de nós mesmos e confiando em milagres da engenharia (genética ou social ou civil mesmo) para nos salvar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E no fundo não somos nós que estamos pagando. O preço que pagamos é uma consequência da destruição que provocamos. É a vida que paga, e nós a roubamos. Nós sofremos porque ainda fazemos parte dela. Nós reclamamos da fumaça enquanto tentamos inventar formas menos poluentes de destruir a vida, o sentido da vida, o sentido da vida humana, em troca de um sonho imaturo: um futuro mais civilizado, cada vez mais civilizado. Quando é que será suficiente?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você quer falar sobre a verdade? Comece parando de mentir, parando de fazer parte dessa mentira. Esta mentira da qual dependemos e pela qual aguardamos ansiosamente, para poder continuar na nossa zona de conforto ou caminhar em direção a um ideal humanista qualquer. A civilização é o reino da mentira. Você mente para si mesmo quando repete que não há nada de errado em fazer o mesmo que todo mundo faz, em reproduzir a sociedade na qual você nasceu e que te deu acesso a tantas coisas desejáveis e agradáveis, das quais já não conseguimos viver sem. Que não há nada de errado em continuar construindo a destruição do futuro, colaborando com o progresso, porque é o que todo mundo faz, e porque você não pode mudar nada sozinho, porque é um processo inexorável. Enfim, quando você diz que também está preocupado, quando diz que realmente faz sentido tudo isso que estou dizendo, mas que, afinal, você tem que viver, tem que acumular, tem que encher seus celeiros, e temos que entender isso. Não tem problema em você pensar assim, contanto que admita que é uma grande mentira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E no dia em que desejar sinceramente pela verdade, é só dizer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-5009960213733870589?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/5009960213733870589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=5009960213733870589' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/5009960213733870589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/5009960213733870589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/05/o-preco-do-futuro.html' title='O preço do futuro'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-tqGhRqnSSyU/TdyClfSevxI/AAAAAAAAAz8/RgPGG0cUy9w/s72-c/cartoonfuturo1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-4510118303598074729</id><published>2011-05-18T07:00:00.000-07:00</published><updated>2011-05-18T07:00:57.569-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>Crescimento exponencial</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://2.gvt0.com/vi/3l3m2KJnFs4/0.jpg"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/3l3m2KJnFs4&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266" src="http://www.youtube.com/v/3l3m2KJnFs4&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-4510118303598074729?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/4510118303598074729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=4510118303598074729' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/4510118303598074729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/4510118303598074729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/05/crescimento-exponencial.html' title='Crescimento exponencial'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-6033760947161786131</id><published>2011-05-10T00:10:00.000-07:00</published><updated>2011-05-10T20:28:13.337-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Civilização e preconceito</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-r4q-HY-HnhE/TcjkxT8MAHI/AAAAAAAAAzc/ZSUsvYVgaTA/s1600/preconceito.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="250" src="http://4.bp.blogspot.com/-r4q-HY-HnhE/TcjkxT8MAHI/AAAAAAAAAzc/ZSUsvYVgaTA/s400/preconceito.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;"A história da civilização é a história da superação dos preconceitos" - Luís Roberto Barroso, procurador do Estado, advogado no Rio de Janeiro, professor de Direito Constitucional da UERJ, mestre em Direito pela Universidade de Yale.&amp;nbsp;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://jornal.jurid.com.br/materias/noticias/representante-rj-afirma-que-ninguem-deve-ser-diminuido-por-compartilhar-afetos-com-quem-escolher"&gt;http://jornal.jurid.com.br/materias/noticias/representante-rj-afirma-que-ninguem-deve-ser-diminuido-por-compartilhar-afetos-com-quem-escolher&lt;/a&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Volta e meia nos deparamos com afirmações como essa, que expressam a crença no avanço moral da humanidade como característica da civilização. Nesta ideologia, o progresso humano é medido pelo grau de respeito à diversidade e pelo aperfeiçoamento dos mecanismos que garantem os direitos do indivíduo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aceitemos por um momento o conteúdo da frase de Luís Roberto Barroso. Se ela é verdadeira, significa que a civilização avança na mesma medida em que os preconceitos são superados. Isto implica em afirmar que quanto menor o grau de civilização, maior o grau de preconceito. Se o homem nasceu sem civilização, então o homem nasceu no preconceito absoluto. A luta contra o preconceito seria de certo modo a luta contra o estado primitivo do homem. Graças à sociedade industrial, nunca tantos preconceitos foram superados de modo tão rápido. Ou seja, há um inequívoco sinal de avanço moral na história humana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fundamento teórico dessa ideia talvez seja o conceito de civilização enquanto soma de todo progresso material e espiritual do homem, tal como defendem os herdeiros do positivismo. A civilização levaria à superação do preconceito porque enquanto ela se expande há cada vez mais cooperação e convivência entre indivíduos diferentes em espaços compartilhados e regidos por leis gerais. O império romano já havia percebido que para permitir a expansão e a coesão era preciso educar as pessoas vindas de diferentes culturas e religiões a serem tolerantes com a diversidade, aceitando o direito romano como um direito "igual para todos". Este tem sido o sentido da luta pela "igualdade" na civilização.&amp;nbsp;As tradições de cada povo, expressões de um modo de vida particular, foram reduzidas a algo intercambiável, ou seja, a mercadorias culturais.&amp;nbsp;Seria o pluralismo uma conquista da humanidade ou uma exigência econômica da globalização?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os teóricos tentam ficar neutros, afirmando que não devemos julgar o pluralismo, apenas constatar sua presença nas nossas vidas e nos adaptar a ele, porque negá-lo seria negar a realidade. Mas não há neutralidade possível num processo em andamento. Ficar passivo diante dessa constatação é posicionar-se a favor da continuação do processo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Consideremos agora que a frase foi infeliz e que de fato a civilização tenha se livrado de muitos preconceitos durante sua história, mas ao mesmo tempo tenha gerado muitos outros. Houve realmente um avanço? Em que sentido? Até que ponto podemos dizer que culturas tradicionais são mais preconceituosas apenas porque olham com desconfiança para pessoas que se comportam de modo atípico? Isso não seria antes um resultado da capacidade de julgar e distinguir o certo do errado, que é uma capacidade em processo de extinção na civilização? É preciso compreender qual até que ponto o que é chamado de "preconceito" não se trata na verdade da condição de possibilidade para uma comunidade traditiva. Comunidade que não se expande, não compete no mercado global e não pode ser absorvida pela globalização. A crescente necessidade de ser diferente pode ter sido naturalizada pelo individualismo, mas de fato nunca foi natural. Tal processo social tem uma base teórica e histórica e pode ser criticado em seus pressupostos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A identificação é uma necessidade humana, mas a diferenciação parece ser uma obsessão civilizada. Uma obsessão que pode ter sido gerada pela perda dos critérios de identidade. A identidade de um indivíduo só pode ser construída no contato com um conjunto de relações sociais que tem um sentido comum. Sem referências não há identidade. O que o pós-moderno pede é justamente que tenhamos a liberdade de não nos prender a uma identidade "imposta" pelo meio, ou seja, identifique-se a partir de si mesmo. Este é o grande paradoxo: nossa identidade não vem de nós mesmos, ela vem de fora para dentro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois que nos despirmos de todo preconceito, o que vai sobrar não é necessariamente tolerância. A tolerância à indefinição e à instabilidade vem acompanhada de uma grande intolerância à verdade, à definição, à estabilidade e consequentemente à corrigibilidade. Ela parece mais um "deixa estar" que visa preservar o prazer de transgredir eliminando a culpa presente no imaginário coletivo. Mas tanto na aceitação quanto na rejeição de tudo que é humano, estamos rejeitando o discernimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na verdade, essa questão jurídica não se trata de preservar a dignidade da pessoa humana, mas sim de acabar com o constrangimento gerado pela quebra de uma norma herdada da tradição e que já não faz mais sentido para a consciência moderna. Realmente,&amp;nbsp;"o que faz a beleza de uma democracia, de uma sociedade plural e aberta, é a possibilidade de convivência harmoniosa de pessoas que pensam de maneiras diferentes", como disse&amp;nbsp;Luís Roberto Barroso. E é essa beleza que somos obrigados a admirar. A beleza de um modo de vida que poderia ser melhor classificado como "colméia de primatas". Nenhuma convicção está sendo derrubada ao se invocar tais princípios, exceto aquela de que não é a humanidade que está em harmonia, e sim a humanidade civilizada que, em harmonia relativa a si mesma, também está em completa desarmonia com o modo de vida humano primitivo, por exemplo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Devemos comemorar os avanços nos direitos do indivíduo? Devemos realmente comemorar? É como comemorar um aumento de salário que traz consigo um aumento do trabalho. A mesma cultura que nos reprimiu é aquela que agora está nos liberando para o consumo irrestrito de todos os valores. Não questionamos essa mudança, a aceitamos e comemoramos. Nos satisfazemos com isso enquanto o &lt;a href="http://video.google.com/videoplay?docid=-333639332258173520#"&gt;navio dos tolos&lt;/a&gt; segue seu curso. Há uma certa esquizofrenia nessa concepção histórica que culpa o passado por atrocidades contra os indefesos, e ao mesmo tempo glorifica o avanço esquecendo-se de que o antigo já foi novo e que o preconceito também foi estabelecido por um avanço relativo a uma situação que provavelmente não poderia ser pior. A história da civilização não começa na idade média. Começa na antiguidade, quando orgias e relações sexuais das mais variadas não eram reprimidas. Nesse caso, a civilização se assemelha à indústria que cria a doença para vender o remédio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seguindo a filosofia do Lulu Santos, nós consideramos justa toda forma de amor, e acabamos por isso perdendo toda noção do que o amor realmente significa. Segundo esta filosofia, o futuro aponta para uma vida melhor, onde as pessoas dizem mais sim do que não, permitem a si mesmas o que elas mesmas se negaram, aparentemente sem motivo, e aproveitar a vida, porque o tempo voa. Esta é a tendência dos tempos modernos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É preciso lembrar que o próprio conceito de civilização surgiu por causa do preconceito da Europa contra os povos que faziam fronteira, que eles chamavam de "bárbaros".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na cultura vigente há na verdade um grande preconceito quanto a crítica à civilização. A crítica do processo civilizatório é considerado como improdutiva, uma simples "moda juvenil" sem muito sentido. Mas nenhum dos defensores da civilização conseguiu descrever corretamente o que os críticos da civilização estão dizendo. São eles que permanecem mudando o conceito de civilização para o que quer que esteja na "moda".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;"Civilização é o mundo sem explorados ou exploradores, sem oprimidos ou opressores, sem fronteiras e uma só humanidade; onde o impossível não existe e onde o bem-estar de todos é o objetivo derradeiro do universo; onde a igualdade significa o direito de ser diferente sem sofrer tratamento desigual; onde liberdade significa viver como se achar melhor, sem impedir os outros de proceder como bem entenderem; onde o fim nunca é superior aos meios postos em prática para atingi-lo; onde a prática é mais importante que o discurso ou a crença; onde nenhuma causa é justa quando se alia à morte; onde cada ser humano é um fim em si mesmo; e onde o melhor dos seres é o mais solidário dos seres." - Georges Bourdoukan, jornalista e escritor. &lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://blogdobourdoukan.blogspot.com/2010/03/o-que-e-civilizacao-civilizacao-e-o.html"&gt;http://blogdobourdoukan.blogspot.com/2010/03/o-que-e-civilizacao-civilizacao-e-o.html&lt;/a&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segundo esse conceito, a civilização de fato nunca teve lugar na história. Ela é um ideal para o futuro, que nos mantém acelerando para frente. Um mundo sem exploração, sem opressão e sem crença ainda seria um mundo humano e livre? Pense bem. Estamos falando de um mundo sem fronteiras e sem limites, onde tudo é possível, ninguém deve ser impedido de fazer o que quiser, e ainda assim não haverá exploração ou opressão. De todas as coisas que existem nesse universo, porque justamente o bem-estar humano seria o objetivo derradeiro? Estamos falando de uma sociedade que alcançou um nível de desenvolvimento em que os meios de realização superam as necessidades, ainda que essas sejam potencialmente infinitas. Esta utopia já era anunciada como realidade próxima desde da antiguidade. Estamos falando de uma visão de mundo fundada na prática, mas não pergunte do que. Na pura e simples "prática", como se tal coisa existisse. Ignore o discurso, ignore a crença e ignore o homenzinho atrás da cortina. Toda causa será justa se servir à vida. Que vida? Uma vida que é fim em si mesma. E quem não quiser ser solidário com isso, bem, pode procurar outro mundo para viver, porque este aqui já está contaminado pela "solidariedade" a esta visão civilizada de humanidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os publicitários dessa cultura fizeram um bom trabalho associando o ideal da civilização com coisas que estão em falta por causa do próprio processo civilizatório. Como o amor, por exemplo. Algumas pessoas pensam que estão nadando contra a corrente quando de fato concordam com a opinião dos maiores representantes da mentalidade civilizada:&amp;nbsp;"Cameron Diaz diz que mundo atual não deve basear relacionamentos em velhas tradições". As mesmas pessoas que afirmam que o casamento é uma imposição da sociedade comemoram o direito de pares do mesmo sexo de se casarem legalmente. Quais são os valores de sociedade vigente? A felicidade, a independência, a satisfação dos desejos...&amp;nbsp;O que sobrou do amor? Ele virou um slogan.&amp;nbsp;O amor nos conecta, então compre este aparelho ou você perderá oportunidades de amar e de se conectar, para não dizer fazer sexo. Na visão dos publicitários, amor tem tudo a ver com tecnologia 3G. Aliás, as novas tecnologias sempre tem tudo a ver com os valores civilizados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Civilização" é um termo que ainda dá o que pensar, e que precisa ser pensado, pois continua sendo usado para propagar ideais com grande potencial para gerar doenças no sistema de crenças.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-6033760947161786131?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/6033760947161786131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=6033760947161786131' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/6033760947161786131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/6033760947161786131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/05/civilizacao-e-preconceito.html' title='Civilização e preconceito'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-r4q-HY-HnhE/TcjkxT8MAHI/AAAAAAAAAzc/ZSUsvYVgaTA/s72-c/preconceito.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-281410956969659630</id><published>2011-05-09T08:33:00.000-07:00</published><updated>2011-07-01T20:45:55.696-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Resenhas'/><title type='text'>O neo-tribalismo e a crítica à civilização</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-06USttEFQYQ/TcgKQqbFpuI/AAAAAAAAAzY/y7qo-CBmKvs/s1600/Imagem1.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="294" src="http://3.bp.blogspot.com/-06USttEFQYQ/TcgKQqbFpuI/AAAAAAAAAzY/y7qo-CBmKvs/s320/Imagem1.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;Em &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;O tempo das tribos&lt;/i&gt;, o sociólogo francês Michel Maffesoli fala sobre o tribalismo pós-moderno ou neo-tribalismo, relacionando-o ao declínio do individualismo na sociedade de massas. Maffesoli considera que há &amp;nbsp;um retorno do arcaico na pós-modernidade, &amp;nbsp;usando o termo “arcaísmo juvenil”. A força que move o neo-tribalismo contemporâneo não é um poder instituído, mas uma “potência societal” que precede e fundamenta o poder. Este movimento não pode ser assimilado pelo princípio do &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;logos&lt;/i&gt;, mas somente pelo princípio do &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;eros&lt;/i&gt;, que não está submetido à razão e sim à corporeidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nos tempos atuais há uma saturação e uma superação do princípio de individualização. O tribalismo é um fenômeno cultural, e não apenas político, econômico e social. Nas palavras do autor, é uma “verdadeira revolução espiritual. Revolução dos sentimentos que ressalta a alegria da vida primitiva, da vida nativa” (MAFFESOLI, 2000, p. 6). Ao invés de progresso, o autor usa o termo “ingresso”, que representa um eterno retorno em espiral de valores arcaicos acomodados ao desenvolvimento tecnológico. Ingressar sem progredir significa um constante “entrar”, sem direção e sem objetivo específico.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Neste ponto, há uma valorização das manifestações lúdicas como fontes de vitalidade e dinamismo para a sociedade de massas. “Pode-se localizar esse vitalismo nas efervescências musicais, mas pode-se, igualmente, observá-lo na criatividade publicitária, na anomia sexual, no retorno à natureza, no ecologismo ambiente, na exacerbação do pêlo, da pele, dos humores e dos odores, em suma, em tudo o que lembra o animal no humano. A vida se torna selvagem!” (MAFFESOLI, 2000, p. 8). As estruturas verticais (hierarquia autoritária) deixam de ser suficientes, passamos a pensar em termos de estruturas horizontais (igualdade e participação).&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Maffesoli também usa o conceito de “criança eterna” para caracterizar o indivíduo pós-moderno. A criança eterna é fiel ao “mundo como ele é”, mas isso não significa aceitar o &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;status quo&lt;/i&gt;. O civilizado que se satura de civilidade precisa resgatar a selvageria para continuar escavando novas fontes de vida e alimentar uma sociedade morta-viva&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. A barbárie nega e ao mesmo tempo fomenta a “dialética não-teleológica” da civilização. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Segundo Charles Fourier, o homem necessita do prazer para não morrer de tédio. A cidade não deve ser um lugar monótono, mas ao contrário, deve ser um lugar estimulante e plural. As “pequenas hordas” de marginais e deliquentes dão vida à cidade, mesmo que agindo de forma anômica. Isto porque a cidade ideal não deve ser regulada pela moralidade, mas sim pelas paixões. Nisso consistia a crítica à civilização de Fourier: os indivíduos deveriam ter a liberdade de formar associações indefinidas, o que se aproxima do conceito de força societal de Maffesoli. Contraditoriamente, Maffesoli vê no cristianismo primitivo um modelo de humanismo, dizendo que o ideal de “comunhão dos santos” é o verdadeiro &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;ethos&lt;/i&gt; da civilização. A rede de computadores, as relações abertas e os diversos tipos de solidariedade representam o novo espírito do tempo (&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;zeitgeist&lt;/i&gt;) civilizado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O afeto liberado das rédeas da moralidade e da racionalidade passa a ser organizado numa “nebulosa afetiva” que reflete uma “união em pontilhado”. A &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;polis&lt;/i&gt; é complementada pela &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;tíade &lt;/i&gt;(bacanal), Apolo por Dionísio e a função pela disfunção. A anomia é integrada no ideal de cinestesia social. O desenvolvimento do individualismo levou à necessidade de perder-se a si mesmo no outro. É aí que entra a busca pela sociabilidade comunitária ao invés de mera sociedade comum. “O tribalismo lembra, empiricamente, a importância do sentimento de pertencimento, a um lugar, a um grupo, como fundamento essencial de toda vida social” (MAFFESOLI, 2000, p. 11), e ao mesmo tempo, o poder de atratividade dos grupos nos faz transitar constantemente de um para outro, de acordo com a situação &lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O poder de atração da comunidade se deve ao que o autor chama de “instinto de imitação” ou “pulsões gregárias”, que eventualmente nos impelem para “histerias coletivas” ou para as formas “contemplativas”. Vemos a crescente importância das “redes de influência”. O jogo político se aproxima cada vez mais dos jogos em rede: os políticos se unem em clãs que já não são separados por grandes diferenças ideológicas. “O processo tribal tem contaminado o conjunto das instituições sociais” (MAFFESOLI, 2000, p. 14). Segundo o autor, as “redes de redes” não são boas nem ruins, devemos perceber que já estamos enredados nelas até o pescoço. O mundo começa a se organizar como um grande conjunto de falastérios.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Podemos chamar isso de “politeísmo axiológico” (a aceitação de múltiplos valores ao mesmo tempo), de estrutura holomórfica, de lógica inconsistente ou de organização fractal. Esses conceitos são tomados como base do pensamento e da ação e devem ser aceitos por si sós. Na “ambiência erótica da vida social”, o indivíduo sofre a ação quando acredita estar agindo por si mesmo. Temos uma “sociedade fusional”, onde as distinções são fundidas sem que disso resulte uma unidade definida. É “tudo junto e misturado”. Os sistemas teóricos ocidentais chegaram ao limite. Agora vivemos sob a regência da paixão comunitária. Libertários como Hakin Bey e Bob Black irão se aproximar dessa perspectiva para criticar a sociedade industrial e defender a união da humanidade numa comunidade mágica ou lúdica.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O autor também usa o conceito de “participação mágica”: um modo de participação que não pode ser plenamente racionalizado, e que se dá na relação com os outros (tribalismo), com o mundo (magia) e com a natureza (ecologia). A identidade é considerada como uma prisão, um “enclausuramento na fortaleza do próprio espírito”, e o imperativo passa a ser a “perda de si” e a “sede de infinito”. O dinamismo do devir só pode ser vivido de modo pré-individual, e por isso retornamos ao conceito de inconsciente coletivo em oposição ao de sujeito. Essa perspectiva indica o fim do primado do indivíduo. Agora retornamos ao destino comunitário das interações multidirecionais, à harmonia dos diferentes e à efervescência que quebra as regras e que nos excita a “continuar vivendo”. Para o autor, a conclusão é que “a vida continua”, “não devemos desprezar quase nada” (Leibniz) e não podemos negar a realidade do tribalismo, que está aí, para o bem ou para o mal. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em resumo, essa “crítica à civilização” pode ser caracterizada como uma defesa a um outro modo de ser civilizado, que integra os contrários e dá novo dinamismo a um processo civilizatório desgastado pelo seu próprio sucesso. Por isso, não se trata de uma crítica à civilização como um todo, e deve ser questionada como reformista.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;MAFFESOLI, Michel. &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;O tempo das tribos. Declínio do individualismo nas sociedades de massa&lt;/i&gt;. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000.&lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote-list;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div id="ftn1" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; Ver &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Sociedade morta-viva&lt;/i&gt;: &lt;a href="http://umanovacultura.blogspot.com/2009/09/sociedade-morta-viva.html"&gt;http://umanovacultura.blogspot.com/2009/09/sociedade-morta-viva.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="ftn2" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; Para um exemplo ilustrativo dessa dinâmica, experimente jogar um game independente bastante simples e curto chamado Love (&lt;a href="http://infoblarg.blogspot.com/2010/12/love.html"&gt;http://infoblarg.blogspot.com/2010/12/love.html&lt;/a&gt;).&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-281410956969659630?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/281410956969659630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=281410956969659630' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/281410956969659630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/281410956969659630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/05/o-neo-tribalismo-e-critica-civilizacao.html' title='O neo-tribalismo e a crítica à civilização'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-06USttEFQYQ/TcgKQqbFpuI/AAAAAAAAAzY/y7qo-CBmKvs/s72-c/Imagem1.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-7080479171977157554</id><published>2011-05-01T07:43:00.000-07:00</published><updated>2011-05-01T07:44:57.255-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>A luta pela independência</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Começou com os animais dos zoológicos. Por motivos ainda desconhecidos, os animais até então considerados dóceis começaram a se comportar de modo extremamente violento, atacando todos os seres humanos, inclusive seus tratadores, como se estivessem lutando pela liberdade. Animais que ficavam relativamente calmos dentro de suas jaulas começaram a ameaçar mesmo os tratadores mais experientes. Ninguém sabia a origem dessa súbita mudança comportamento. Mas se tivesse se limitado aos animais dos zoológicos, teria sido possível controlar. O pânico realmente começou quando os animais domesticados começaram a se rebelar. Nossos “melhores amigos” nos traíram, e só então percebemos o quanto eles eram perigosos. Os cães, gatos e outros animais domésticos começaram a atacar seus donos de modo inexplicável. Não subestime o perigo de um animal decidido a matar, mesmo que pequeno. Era o começo da guerra. A unidade canina da polícia, mesmo treinada desde o nascimento, começou a atacar os policiais. Os animais que alimentamos por anos não mais nos reconheciam como nada além de inimigos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O mais estranho é que inimigos naturais se juntaram contra nós. O fenômeno era global. Da noite para o dia, os animais se tornaram insubmissos e sem medo, atacando não apenas seres humanos como tudo aquilo que construímos. Então vieram os animais selvagens. Eles invadiram as cidades como se quisessem retomar o espaço que nós conquistamos. Todos eles estavam unidos nisso, então nós também esquecemos nossas diferenças e nos unimos contra o inimigo comum. Houve caos e todos estavam em estado de alerta, gastando nossa munição contra macacos, pássaros, bois, ratos e tudo o mais. Parecia que não havia lugar seguro. Também fomos invadidos pelas doenças que eles traziam e pela fome causada pela nossa dificuldade de continuar produzindo alimentos. A natureza como um todo tinha se voltado contra nós, não havia um ser vivo no qual pudéssemos confiar, então só podíamos contar com nossa ciência e tecnologia. Nós nos cercamos disso para sobreviver. Enquanto isso, alguns de nós acusavam a civilização de ser a causadora dessa ira, e se colocavam do lado do inimigo. Mas não havia sido sempre assim?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Nós continuaremos lutando para mostrar quem é que manda, pois essa guerra sempre existiu, apenas não estava oficialmente declarada porque considerávamos os animais como seres passivos, sem interesses comuns. Foi esta guerra que nos fez conquistar poder sobre o fogo. Nenhum avanço científico e tecnológico seria possível se não fosse por esta guerra, e por isso não temos nada do que lamentar. Era uma necessidade da existência humana, um advento da evolução, destruindo de uma vez por todas as ilusões daqueles que diziam que deveríamos nos integrar à natureza, que somos iguais a todos os outros animais. O sentido da vida humana é dominar a natureza, e isso se tornou claro quando mesmo aqueles que diziam amar a natureza se juntaram a nós para bombardear as hordas de animais que ameaçavam as suas casas e a vida de seus filhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A única coisa que eu me pergunto é porque os animais permaneceram quietos por tanto tempo, se agora ficou tão claro que eles nos consideram como invasores. Eles permaneceram relativamente pacíficos, confirmando nossa superioridade sobre eles. Por que se recusaram a lutar, se esta era sua única chance de sobreviver? Será que um dia entenderemos o que os fazia serem resignados, se no fundo nos odeiam? O que estavam esperando? Que mudássemos? Que desistíssemos do nosso modo de vida? Eu não sei, mas quem quer que esteja do lado deles é um inimigo. Aqui é o General &lt;span lang="EN-US"&gt;Grief&lt;/span&gt;, líder do exército de libertação humana.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;--&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Notas sobre o conto:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;O trabalho humano tem sido considerado a fonte de onde onde os homens tiram seu sustento. Nossa relação com a natureza é quase sempre instrumental. Não percebemos o quanto dependemos do "trabalho" da natureza para viver, nos o tomamos por dado. Nós achamos que podemos gerar e gerir nossos próprios meios de produção, esquecendo que se trata da vida de outros seres. E se a "paciência" da natureza tivesse um limite? Por mais estranho que isso pareça, é o que de algum modo tememos quando falamos das catástrofes ambientais. Segundo a Cruz Vermelha, mais de 30 milhões de pessoas foram atingidas por catástrofes naturais ano passado. A sensação de alguns é que a natureza quer nos expelir como a um corpo estranho. Alguns até mesmo defendem que de fato os seres humanos são alienígenas nesse planeta. Toda essa conversa só faz sentido do ponto de vista civilizado. As crenças que sustentam o progresso da civilização também sustentam nosso medo e nossa&amp;nbsp;obsessão&amp;nbsp;pela natureza. Grief representa o humanismo. Ele não acredita que os homens estão limitados pelas mesmas leis que os animais, e por isso o conflito. Ele parte do conceito moderno de ciência como dominação das forças naturais para uso racional humano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-7080479171977157554?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/7080479171977157554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=7080479171977157554' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/7080479171977157554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/7080479171977157554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/05/luta-pela-independencia.html' title='A luta pela independência'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-6578295435443446993</id><published>2011-04-29T21:23:00.001-07:00</published><updated>2011-04-29T21:23:20.276-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>Produzimos a doença para vender o remédio</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://i.ytimg.com/vi/C1f3SvNzRbw/0.jpg"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/C1f3SvNzRbw?f=user_uploads&amp;c=google-webdrive-0&amp;app=youtube_gdata" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266" src="http://www.youtube.com/v/C1f3SvNzRbw?f=user_uploads&amp;c=google-webdrive-0&amp;app=youtube_gdata" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-6578295435443446993?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/6578295435443446993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=6578295435443446993' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/6578295435443446993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/6578295435443446993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/04/produzimos-doenca-para-vender-o-remedio.html' title='Produzimos a doença para vender o remédio'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-4544639039060879271</id><published>2011-03-17T00:23:00.000-07:00</published><updated>2011-06-27T21:01:58.318-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Traduções'/><title type='text'>Anúncio</title><content type='html'>Baixar &lt;a href="https://sites.google.com/site/janosbirozero/Antizero/biblioteca/Anuncio.pdf?attredirects=0&amp;amp;d=1"&gt;Anuncio.pdf&lt;/a&gt; (554 kb)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um panfleto com textos do CrimethInc feito por um amigo há muito tempo atrás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-4544639039060879271?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/4544639039060879271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=4544639039060879271' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/4544639039060879271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/4544639039060879271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/03/anuncio.html' title='Anúncio'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-2411242883742306275</id><published>2011-02-19T07:56:00.000-08:00</published><updated>2011-02-19T07:56:13.311-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>Ilha de São Mateus</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://i.ytimg.com/vi/tBNUQtdBMXc/0.jpg"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/tBNUQtdBMXc?f=user_uploads&amp;c=google-webdrive-0&amp;app=youtube_gdata" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266" src="http://www.youtube.com/v/tBNUQtdBMXc?f=user_uploads&amp;c=google-webdrive-0&amp;app=youtube_gdata" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-2411242883742306275?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/2411242883742306275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=2411242883742306275' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/2411242883742306275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/2411242883742306275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/02/ilha-de-sao-mateus.html' title='Ilha de São Mateus'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-6974566171732798150</id><published>2011-02-18T04:15:00.000-08:00</published><updated>2011-02-18T04:15:18.418-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>O que ensinamos às crianças</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://i.ytimg.com/vi/tHPjBtuMQvE/0.jpg"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/tHPjBtuMQvE?f=user_uploads&amp;c=google-webdrive-0&amp;app=youtube_gdata" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266" src="http://www.youtube.com/v/tHPjBtuMQvE?f=user_uploads&amp;c=google-webdrive-0&amp;app=youtube_gdata" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-6974566171732798150?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/6974566171732798150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=6974566171732798150' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/6974566171732798150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/6974566171732798150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/02/o-que-ensinamos-as-criancas.html' title='O que ensinamos às crianças'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-2873354822960290147</id><published>2011-02-17T10:05:00.001-08:00</published><updated>2011-02-17T10:05:59.442-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>Entretendo-nos até a morte</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://i.ytimg.com/vi/zjiXkeVS4UI/0.jpg"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/zjiXkeVS4UI?f=user_uploads&amp;c=google-webdrive-0&amp;app=youtube_gdata" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266" src="http://www.youtube.com/v/zjiXkeVS4UI?f=user_uploads&amp;c=google-webdrive-0&amp;app=youtube_gdata" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-2873354822960290147?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/2873354822960290147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=2873354822960290147' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/2873354822960290147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/2873354822960290147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/02/entretendo-nos-ate-morte.html' title='Entretendo-nos até a morte'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-2759279680538264569</id><published>2011-02-16T06:25:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T06:26:37.916-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Dependência das redes</title><content type='html'>Artigo completo e revisado sobre a dependência tecnológica e as redes:&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;a href="https://sites.google.com/site/janosbirozero/Antizero/textos-2/dependencia-das-redes" style="color: #4e7dbf; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial;"&gt;Dependência das redes&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clique abaixo para ler o artigo completo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;a href="https://sites.google.com/site/janosbirozero/Antizero/textos-2/dependencia-das-redes" style="color: #4e7dbf; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 22px; font-weight: bold;"&gt;Dependência das redes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 19px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 19px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;1. Play the game&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Na nossa sociedade, a interação mediada pela tecnologia parece ter um papel de relevância crescente. É a tecnologia que conecta o mundo numa só rede, e se a globalização é um fenômeno cultural, podemos dizer que é um fenômeno dependente de suportes tecnológicos. Logo, a globalização da ideologia é também a globalização da tecnologia ou da cultura tecnológica. Não apenas isso, a colonização cultural também gera dependência tecnológica. Esta dependência não acaba assim que os lugares colonizados pela cultura global se tornam capazes de criar seus próprios suportes tecnológicos, assim como a dependência cultural não acaba só porque um país submetido à cultura global começa a criar seus próprios produtos culturais típicos da globalização, como filmes ao estilo de Hollywood. Não há soberania tecnológica de um país, nem autonomia tecnológica, pois são os imperativos da cultura tecnológica que permanecem regendo. Além disso, por se tratar de algo que avança numa velocidade acelerada, a dependência tecnológica é também um processo crônico de dependência do avanço dos suportes tecnológicos.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Esta tecnologia de globalização apresenta um paradoxo: ela une indivíduos ao mesmo tempo em que fragmenta identidades e provoca solidão. A solidão em escala global se dá principalmente porque a conexão a uma rede social virtual pouco significa em relação à proximidade tópica, o encontro. Participar de uma rede social e interagir dentro dela é quase como fazer parte de um grande jogo. Um jogo que exige interação entre jogadores, mas que continua sendo uma atividade distinta daquilo que pode ser chamado de social&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;. É uma simulação de socialização, que vai se tornando cada vez mais realista, a ponto de os participantes desejarem incluir todos os aspectos de sua vida dentro dessa simulação, por meio de fotos, vídeos e uma presença virtual cada vez mais palpável. Assim, como num jogo de realidade alternativa&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[2]&lt;/span&gt;, perdemos a noção daquilo que separa a vida real da vida simulada. A vida simulada pelo perfil do usuário e carregada na internet se torna a própria vida do usuário. A atividade na internet já é por si só uma “segunda vida”, uma vida virtual e simulada, onde o usuário interpreta a si mesmo, e está sempre livre para adicionar ou eliminar alguns detalhes sobre sua vida. Ele está de fato criando um personagem, tal qual um candidato a emprego cria uma imagem para atrair seus empregadores em potencial. O usuário de redes sociais cria uma imagem de si mesmo que possa atrair parceiros em potencial, mesmo que para uma interação transitória e casual.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tal como num jogo, há ações que irão somar ou subtrair “pontos” do seu status virtual, que fica subentendido e pode ser avaliado por uma série de sinais, incluindo o número de amigos. Um usuário pode até dizer que é espontâneo, mas parecer ser espontâneo é algo que conta pontos positivos. E isso acontece exatamente porque o modo mais fácil de chamar a atenção é agregar muitos atributos atraentes. Mentir sobre suas próprias qualidades é como trapacear no jogo, mas a aparência de espontaneidade faz parte das regras ocultas do jogo&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[3]&lt;/span&gt;. Como em toda interação humana, não temos acesso direto à sinceridade do outro. Como no jogo da conquista, mentiras podem ser bem mais agradáveis do que a verdade, e por isso são toleradas até certo grau, às vezes até mesmo exigidas. Com isso se cria uma cultura da mentira, pois a exigência de verdade pode inviabilizar a interação. Logo, temos um novo tipo de dependência, a dependência de maquiar a realidade para poder ser competitivo num mundo onde a espontaneidade é um produto criado pelo usuário de modo tão artificial quanto uma imagem modificada por computador.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;2. Crise de identidade&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A crise nas bases institucionais da identidade está relacionada ao fato de que as ferramentas para se construir uma identidade falsa são as mesmas usadas para divulgar sua identidade real. A instituição que dava suporte à identidade não existe mais, ela foi substituída pelo suporte tecnológico, que não comporta limites definidos entre verdadeiro e falso. A rigor, é quase impossível definir o que é verdadeiro e o que é falso nas redes. Só podemos ter estimativas de confiabilidade. Quanto mais dependemos da nossa própria rede para confirmar a verdade dos fatos, mais o suporte tecnológico se apropria dos nossos critérios de distinção da realidade, o que significa que a dependência avança para um novo patamar: passamos a depender da rede virtual para conhecer o real. O que está ou não conectado na rede vai nos dizer o que supostamente está conectado ou não na vida real, e viemos a nos encontrar numa crise epistemológica, isto é, uma crise na origem do conhecimento e na definição da verdade.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A crise partiu das relações de trabalho, criando a necessidade de uma gestão da empregabilidade, e alcançou outros aspectos da vida social, gerando uma necessidade de gestão da própria identidade, que se confunde com a gestão da imagem. O indivíduo cria seu próprio perfil com base na auto-imagem que tem de si mesmo, e chama isso de ‘eu’. Se todos nós temos imagens distorcidas de nós mesmos, produzidas pelo próprio ambiente social, nossos perfis justificam essas imagens e as fortalecem, aprofundando a distorção. O usuário é aquilo que ele faz de si mesmo, e sem recorrer a bases tradicionais, ele acaba seguindo os fluxos oferecidos pela cultura global. Ele pode escolher por diversas configurações, mas essa diferença no fundo é irrelevante, porque todas estão seguindo uma mesma regra básica: você precisa subir de nível. O indivíduo nascido e criado nas redes está centrado em suas próprias realizações e habilidades, valoriza a flexibilidade e a facilidade de conexão em redes transitórias. A flexibilidade implica em aceitar riscos cada vez maiores, uma vez que você não pode contar com o apoio de uma instituição fundada em princípios sólidos, mas está por sua própria conta num jogo de vida ou morte. Você precisa cumprir as expectativas de consumo do mundo global ou será descartado.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas essas expectativas não são impostas por leis ou coerções. Elas podem ser justificadas por discursos como: “seja você mesmo” e “permaneça jovem para sempre”. Elas são imperativos silenciosos que mal são percebidos enquanto se está concentrado no ato de jogar. Provavelmente será preciso perder quase tudo para perceber que a estratégia de simplesmente tentar ser quem você realmente é não dá certo. É nesse momento em que o sujeito se cansa de “ser bonzinho”, e adere a um ethos global como se este fosse o grande salvador de sua possibilidade de sobrevivência social. Não deve ser difícil coletar narrativas de pessoas que viveram por muito tempo de um modo mais autêntico, e então desistiram de tudo por um pouco de reconhecimento, status, ou afeto. Elas podem justificar isso da forma como quiserem, mas uma análise social pode revelar que tudo isso não passa de um método de controle social extremamente eficiente, porque joga com os sentimentos mais profundos das pessoas, incluindo sua auto-estima.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;3. Engenharia da obsessão&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A globalização divide as pessoas, porque seguindo seus imperativos, elas se tornam competidoras por um espaço na lista de melhores pontuações globais ou locais. É preciso ser o melhor de todos os tempos, mas se isso não for possível, pelo menos o destaque do mês, do dia, ou do instante. Adolescentes classificam outras pessoas com base nesse critério de uma forma tão natural que é quase automático. Mas isso é cultural, e elas só aprenderam tão rapidamente porque nós as ensinamos muito bem, pelos exemplos e pela ideologia pressuposta em cada um dos nossos produtos culturais.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A nova geração parece nascer sabendo lidar com tecnologia porque a pressão para se adequar a ela é crescente. Nós não sentimos porque para nós ela foi crescendo lentamente, tivemos tempo de nos acostumar com cada coisa nova. Mas para as novas gerações a rapidez da mudança é perceptível no seu tempo de vida. Esses indivíduos precisam se adaptar rapidamente às tecnologias complexas, sob a pena de ficarem invisibilizados. Não podemos pensar que essa geração simplesmente goste de computadores por viver cercados por eles, ou porque computadores são simplesmente atraentes. Se os computadores não tivessem adquirido o significado que adquiriam para nossa cultura, poderiam ter permanecido como invenções desinteressantes para a maioria das pessoas. Os primeiros interessados em computadores eram pessoas individualistas, e teriam permanecido à margem da sociedade, se não fosse pelo desenvolvimento do processo de individualização. É a pressão da dependência tecnológica que nos força a aprender a nos comunicar por meio de máquinas e nos inserir em redes o mais rápido possível. As crianças se adaptam a esse mundo antes de terem capacidade para julgar se isto é certo ou errado. Isso leva a dependência para um nível existencial. Nós nos tornamos existencialmente dependentes do suporte tecnológico às redes.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não podemos fazer idéia dos resultados disso, mas algumas visões do futuro podem fazer mais sentido que outras. As ficções científicas representam as crianças nascidas na rede tecnológica como seres evoluídos, que possuem um entendimento superior. Este é um mito que indica o significado quase transcendente da tecnologia nessa sociedade. Ao mesmo tempo em que as crianças se conformam com a tecnologia de um modo cada vez mais rápido, elas também se conformam com um sistema de crenças claramente adaptado aos imperativos da globalização. E elas o fazem pelo mesmo motivo: por uma pressão que rege a distinção entre aqueles que valem alguma coisa e aqueles que não valem nada. Um dos critérios distintivos é a autonomia. Ao contrário do que se possa pensar, autonomia é uma exigência social. Se um dia a submissão foi uma qualidade valorizada pela sociedade, dificilmente poderíamos afirmar o mesmo hoje. Por mais que o espectro repressivo ainda ronde nosso mundo, o furor anti-repressivo procura vestígios dessa falida instituição para ter onde jogar a culpa de todos os problemas, e trabalha duro para limpar o mundo de todos os vestígios de autoridade. Este espírito agora é indispensável tanto na educação formal quanto na informal. Tanto na escola quanto no cinema e nos jogos eletrônicos, o mesmo discurso básico está presente: “Seja você mesmo”, “Seja livre”, “Viva a própria vida”, “Escolha seu próprio caminho”, “Seja senhor do seu destino”. Isto seria impensável a alguns séculos atrás, e soaria revolucionário a algumas décadas, mas hoje se trata apenas de um clichê.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;4. Autônomos autômatos&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É a própria busca por autonomia que faz bilhões de pessoas decidirem “por si sós” fazerem exatamente a mesma coisa, ou mais especificamente, consumir o mesmo produto, que promete liberdade. Mais do que promete, ele garante um substituto para a liberdade que foi tirada de todos, e causa uma sensação de abstinência em todos que não possuem aquele determinado produto, material ou não. Uma pessoa que se nega a consumir se verá rapidamente jogada à margem da sociedade, tal qual aquele que não tem condições de consumir&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[4]&lt;/span&gt;. Logo, não é uma opção, mas uma imposição. Os sujeitos que buscam por autonomia se tornam objetos de um processo social por meio dessa mesma busca. Mas estão tão engajados com esse discurso que o aplicam até mesmo para rejeitar qualquer forma de crítica a ele. Qualquer um que não reproduz o discurso será visto como um inimigo da autonomia, ou seja, como um opressor. Opressores são aqueles que, em qualquer momento, te impedem de fazer o que você quer. Para essa mentalidade, a linha que separa os opressores e os defensores dos valores humanos se tornou muito tênue. O resultado é que não fica nenhum obstáculo entre o indivíduo e o mecanismo doutrinador invisível e pluralizado da cultura global.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Se houvesse uma frase que pudesse resumir a ação desse mecanismo seria: “Existem muitas formas de ser civilizado. Invente uma”. Contanto que se compre o produto cultural que a globalização está vendendo, você é livre para inventar qualquer utilidade para isso. Isso é chamado de criatividade. Mas o paradoxo da criatividade é que não deixa de haver muita criatividade num povo que faz apenas diversas variações da mesma coisa. A criatividade pode expandir a experiência em torno de um único tema, mas a diversidade quantitativa não significa necessariamente diversidade qualitativa. Ao que parece, nós vivemos numa cultura do remix&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[5]&lt;/span&gt;, onde todos compreendem que “não há nada novo sob o sol” e o plágio passa a ser criativo, uma vez que nossa imaginação está alimentada por refluxos e rearranjos, onde a ordem das coisas se altera independente do conteúdo ou do significado.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Nós temos apresentado diversas variações da intolerância à autoridade. Esta intolerância tem sido um produto bastante procurado no mercado. Qualquer um que preste atenção pode fazer uma lista infindável de exemplos na música, na literatura e no cinema. A exceção à regra é ver um personagem que ouve uma ordem vinda de uma autoridade legítima, e a acata, sem ser considerado um imbecil ou acabar se dando mal. Parece que se fosse essa a regra, não sobraria nenhuma história digna de ser contada. Mas o fato é que nem sequer há reconhecimento de qualquer forma de autoridade. As próprias figuras de autoridade precisam relativizar sua posição para merecer algum respeito. O discurso mais propagado pela cultura global hoje é que não há relações estáveis e válidas por si mesmas. Isto significa que não há instituições. As duas coisas estão intimamente ligadas. Sem instituições não é possível sustentar relações duráveis. Você não pode manter uma coisa em pé por muito tempo sem um ponto fixo. O fato é que ninguém quer manter as coisas de pé, identificando isso como um estado estático. O que queremos é ver as coisas fluindo. Elas devem fluir e se tornar o que quer que venham a se tornar, porque a única coisa que deve ser mantida é o próprio fluxo. O erro é que saber ficar de pé não é o mesmo que ficar parado. Para andar é preciso saber ficar de pé.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A instabilidade pode ser facilmente naturalizada por meio da propagação de certas concepções de mundo. Mas a intolerância à permanência, assim como a intolerância à autoridade, está mais relacionada a uma necessidade de reconhecimento pessoal num mundo que preza essas características do que à valorização da liberdade. O modo de trabalho que surgiu na sociedade organizada em redes é produto de uma ética voltada à competência individual, que exige um tipo de autonomia&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[6]&lt;/span&gt;. Isto é mais visível precisamente nas profissões diretamente relacionadas à tecnologia. Os criadores de tecnologia são também os primeiros a usar essa tecnologia em suas vidas, e os primeiros a sofrer os efeitos dessa tecnologia. O computador pessoal começou como um projeto pessoal, e desde o início a rede de computadores estava relacionada a uma visão de mundo que dava poder aos indivíduos, conectando-os de forma autônoma. Competência pessoal é o único critério que poderia ter restado. Ele não significa somente que um indivíduo deve ser recompensado de acordo com sua competência, mas que esta competência depende unicamente da facilidade com que o indivíduo se adapta a um meio em constante mutação, e não da sua capacidade de distinguir qual é o caminho correto e se manter firme nele. O conhecimento solidamente estabelecido é dispensável e talvez até prejudicial, uma vez que a verdadeira questão é a rapidez para desenvolver novas habilidades, pois o mundo é instável e impõe dificuldades imprevisíveis. O que você aprendeu ontem talvez não tenha nenhum valor de mercado hoje, independente de ser verdade ou não. Ser dinâmico e flexível significa provar que você é capaz de acompanhar o fluxo imprevisível do mercado, o que a rigor é impossível, e se torna mais importante projetar uma imagem de confiabilidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;5. Produtividade aparente&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No mercado de bolsas de valores, as ações não são valorizadas pelo que elas realmente valem. Elas são valorizadas pelo que elas parecem valer num dado momento. Isso é determinado pelo grau de confiabilidade, que pode variar em segundos, e que depende quase que unicamente de discursos, verdadeiros ou falsos, espalhados pela rede de informações. O valor de uma pessoa varia de acordo com regras semelhantes, tornando-a um tipo de investimento. Não apenas isso, mas a inconstância dos relacionamentos indica que o valor de um amigo ou de um cônjuge pode variar de acordo com essas mesmas regras. As relações só puderam se tornar plenamente mercadorias quando a rede social se tornou parte da cultura, por meio do avanço tecnológico. Este é o tamanho do dano das redes de computadores, por mais que gostemos delas. Elas não somente aceleraram um processo que estava ocorrendo há milhares de anos, como representam uma estratégia perfeita para realizar o estágio final da conversão das relações humanas em mercadorias. Falando de um modo um pouco mais especulativo, é difícil acreditar que não tenham sido concebidas justamente com esse propósito.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Para Weber, a ética do trabalho valorizou a racionalização do tempo em vista da eficácia produtiva. Agora, a imagem do trabalhador é mais um produto que exige tempo para ser construído. É mais um trabalho não remunerado que é exigido para se obter uma remuneração. Logo, o tempo não está necessariamente ajustado à atividade produtiva, mas a um modo de produção que por vezes exige um trabalho sem qualquer efetividade produtiva, apenas porque a concorrência por uma vaga aumentou. O consumo pode tomar uma parte maior do nosso tempo agora, o que evita o excesso de procura por emprego e disfarça a crescente taxa de desemprego. Quando não estamos consumindo, estamos criando condições para consumir, ainda que isso não seja exatamente produtivo, pois a produção se tornou eficaz demais. Culpar a tecnologia por roubar nosso emprego é o de menos, o verdadeiro problema é que a tecnologia é apenas a consequência do esvaziamento de possibilidades de permanência dentro de um modo de vida natural, da desfuncionalização progressiva do homem enquanto ser natural. Nós inventamos novas tecnologias primariamente para evitar o colapso da civilização, e consequentemente elas “facilitam” a vida civiliza, mas somente de modo temporário e relativo.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O trabalhador é seduzido pela idéia de ser autônomo. Mas ser autônomo significa dedicar-se completamente ao seu próprio trabalho como produção de si mesmo. Um momento ocioso pode significar mais do que um prejuízo financeiro. Se o empregado era vigiado pelo chefe que cobrava produtividade, essa produtividade aparente não determina necessariamente seu salário no final do mês. Mas se você é autônomo, seu chefe não pode tem um momento de distração, porque você é seu próprio chefe, seu prejuízo é garantido, e o sistema economiza o salário que seria pago ao chefe. O que parecia uma solução de uma neurose produziu outra neurose pior ainda: o perfeccionismo e o vício em trabalho. Isso fica mais claro quando vemos a dificuldade de trabalhadores autônomos de separar seu tempo de trabalho do seu tempo livre. Isso inclui empresários que adquiriram grande parcela de autonomia nas suas decisões. Ao contrário de uma empresa do século passado, uma empresa atual é antes de tudo uma marca. Ela não pode fechar por um tempo e depois voltar exatamente onde estava. O ranking está correndo, e os jogadores estão se aprimorando e o jogo está mudando de regras constantemente.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O tempo livre precisa ser trocado por tempo dedicado à filosofia pragmática do trabalho, ainda que a atividade em questão seja improdutiva. Neste tempo improdutivo do trabalho as empresas exigem um investimento emocional. Por exemplo, a filosofia da empresa deve preencher todo o tempo livre do funcionário, como uma filosofia de vida que visa o auto-aprimoramento. É difícil dizer se este investimento emocional é exigido porque realmente aumenta a produtividade, ou apenas porque esta se tornou uma exigência de uma sociedade que valoriza a aparência. É importante dizer que a questão não é se uma empresa com uma imagem melhor realmente gera mais lucro, mas que a exigência de uma imagem atraente é criada pela própria ética do trabalho, e apenas por isso afeta o lucro. Ou seja, há menos procura pelas empresas com imagens inferiores. Se a aparência não fosse exigida pela cultura, mas somente a produtividade real, as coisas poderiam ser diferentes. Essa cultura não surge do nada, mas antes é criada pelos próprios agentes produtivos. Quando estes difundem uma ética da produção, também difundem uma ética do consumo. Quanto maior a precariedade da produção e menor a qualidade do que é produzido, maior a exigência de boa aparência&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[7]&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;6. O imperativo da flexibilidade&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A ética do trabalho ou ainda a filosofia do trabalho como um todo, abrangendo todos os seus pressupostos, invade o espaço de todas as outras visões de mundo. Ela transforma tudo que não se volta para o trabalho em “perda de tempo”, incluindo o tempo dedicado à manutenção de laços afetivos. Pode ser verdade que casamentos aceleram o consumo, mas são as paixões repentinas, os relacionamentos transitórios, os divórcios e as traições que mais aumentam o consumo, e não um casamento estável. É uma ilusão pensar que essa cultura defende a instituição do casamento. A cultura global se utiliza de um discurso machista ou feminista de acordo com a conveniência. Ela não defende os casamentos duráveis, mas as festas de casamento, que são eventos sociais que geram consumo. Não há vantagem nenhuma em defender o casamento enquanto instituição para uma cultura globalizada interessada em acelerar o consumo. Quanto mais o matrimônio deixa de ser necessário para o acúmulo de patrimônio, menos valor o casamento tem para esta cultura.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;As instituições são apropriadas e reformuladas para se encaixarem na lógica do mercado. Do mesmo modo que a flexibilização das relações é vantajosa para essa cultura, a flexibilização das identidades também é. Não é que as roupas indicam a personalidade do indivíduo que as veste, mas que usar uma única combinação de roupas por muito tempo diz mais sobre o indivíduo do que o tipo de roupa sendo usada. A exigência não é que você use o mesmo uniforme pelo resto da vida, mas precisamente que você varie de acordo com o tempo. Se você tentar vestir sempre a mesma roupa, poderá ter dificuldades para socializar. E isso diz mais sobre nossa cultura do que o tipo de roupa que está moda.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A flexibilização do tempo acaba nos levando a uma flexibilização da identidade. Se nós nos definimos pela nossa ocupação, quando não conseguimos definir exatamente qual é nossa ocupação, nós temos dificuldades para definir quem somos. Um trabalhador pode desprezar o significado de seu trabalho para a sociedade, e prezar somente o modo como seu poder aquisitivo pode possibilitar um status enquanto consumidor. Mas ele não pode construir uma identidade própria se a única coisa que ele se importa em fazer é qualquer coisa que possa dar dinheiro. Ele sentirá uma necessidade muito grande de encontrar algo satisfatório em que gastar o tempo e o dinheiro. Até o Tio Patinhas dava uma utilidade ao dinheiro acumulado, pois sentia um enorme prazer em nadar nele. A identidade se relaciona com a ocupação profissional. Trata-se de algo bem maior do que o resultado de um teste psicotécnico, de um teste de personalidade ou de um teste vocacional. O que você faz afeta quem você é, mas nós não podemos ser apenas isso. A ética do trabalho substituiu todas as outras éticas, e a instituição do trabalho relativizou todas as outras instituições. De que outra fonte nós poderíamos tirar a matéria-prima necessária para construir uma identidade, senão da única fonte de sentido que sobreviveu ao processo de globalização?&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A flexibilização determina que o indivíduo seja agora encarregado de administrar os riscos e entrar no mercado por conta própria, como se ele mesmo fosse mais uma marca que precisa ser vendida e que precisa ser desejada num mundo de desejos desconexos e consumidores imprevisíveis. Estando dependente do acaso, a moralidade perde seu sentido. Ela só poderia fazer sentido num mundo onde fazer algo em determinada situação pode ser considerado certo ou errado. Agora, a situação é complexa demais para que possamos calcular com precisão se uma medida é correta ou não. Pode ser e pode não ser. Depende da sua rede, e sua rede pode estar mentindo ou não, você tem apenas uma estimativa, e um único erro pode ser fatal. Inevitavelmente, se quiser prosperar nessa sociedade, precisará repassar os prejuízos a outros, e concentrar para si o máximo de benefícios. Tal qual numa pirâmide de dinheiro, o truque é nunca ficar por último. O último sempre paga a conta. Mas em pirâmides de pirâmides, você pode estar no topo de uma e na base de outra ao mesmo tempo. A coisa se torna bem mais complexa, e a única garantia é já ter bastante capital inicial. Mesmo assim não é uma garantia infalível. Viver pelo risco é nunca saber o que vai acontecer no futuro. Isso é excitante quando estamos numa simulação, mas na vida real pode se tornar gradualmente estressante.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;7. Cooperando com o capitalismo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mesmo quando falamos de trabalho em equipe, isso não é muito diferente do ato de jogar em times. Em ambos, não se trata de coordenar relações humanas, mas relações simuladas que visam produtividade. O comprometimento de um jogador com seu parceiro é sujeito ao comprometimento de todos os jogadores com a vitória, ou fidelidade ao time. Se um dos jogadores não está certo de que jogar sequer faz sentido, se fica em dúvida de que a competição, mesmo com o resultado positivo para o time, pode ser benéfica, ele se torna um inimigo. Quando se trata de uma atividade lúdica sem consequências reais, não há grande importância, porque tudo permanece num lugar à parte, inventado temporariamente, como um sonho. Mas quando se trata da vida real, o problema é real. Quase sempre, os jogadores recalcitrantes da vida real estão inseguros quanto ao sentido da vida. O que se faz é convencer, animar e motivar o sujeito a simplesmente continuar jogando, a amar pelo menos algum aspecto do jogo, ainda que o jogo não faça muito sentido como um todo. Ao invés de diferenciar o jogo da vida real, o discurso motivacional trabalha para confundir uma coisa com a outra o máximo possível, na esperança que a emoção da aventura supere a intuição de que há alguma coisa intrinsecamente errado com este modo de vida. Este questionamento deve ser descartado como puro e simples pessimismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Nas relações simuladas do trabalho e da rede social não se interage com pessoas de carne e osso, mas com perfis ou personagens. A ética do trabalho se torna menos dependente da autoridade na medida em que esta começa a comprometer o fluxo do sistema. A organização dinâmica do trabalho permite que o poder possa flutuar de mãos em mãos com rapidez, quando quer que isso possa gerar maior lucratividade. Enquanto o investimento da autoridade legítima é produto da experiência formada e herdada lenta e gradualmente, o poder que uma pessoa exerce numa rede depende meramente de uma conveniência transitória. O tempo de experiência perde seu significado, pois as situações podem variar rápido demais, e o que passa a valer é a habilidade de adaptabilidade: a facilidade de se conformar e tomar a forma do receptáculo, tal como um líquido.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quando exigimos reconhecimento pelo nosso trabalho estamos de certa forma exigindo que nos seja dado crédito por algo que fizemos. Mas o valor do que fazemos não está mais relacionado nem ao tempo que gastamos fazendo nem ao custo do produto que produzimos, mas somente ao valor atribuído ao produto pelo mercado que oscila por causa de variáveis primariamente subjetivas. Logo, a liberdade de consumir é também uma escravidão a um modo de produção gerido pelo risco, em que devemos matar ou morrer. De um modo extremamente insidioso, a cultura global conseguiu nos vender uma liberdade que aprisiona, fazendo cada aspecto da nossa humanidade depender cada vez mais do modo de produção. Esta dependência crescente, articulada por meio de um conjunto de dispositivos de auto-regulação, dos quais nós mesmos fazemos parte, é uma patologia transformada em norma. Uma patologia que só pode ser curada parando-se de alimentar aquilo que dá suporte à vida civilizada. A cura provavelmente exige uma escolha ainda mais drástica do que a morte, que é a escolha de abandonar um vício que se tornou mais importante do que a vida, e pelo qual nós faríamos qualquer coisa, incluindo matar e morrer.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;8. Networking compulsório&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A exigência de que o trabalhador “teça sua própria rede” e “se movimente bem nela”, ou seja, garanta sua visibilidade, é um aspecto da dependência de redes sociais. Com ou sem o suporte de máquinas, o próprio conceito de networking é dependente de uma mentalidade tecnológica, segundo a qual agentes autônomos se interligam formando um único sistema integrado. A importância de um componente deixa de estar relacionada à sua função e passa a depender do número de componentes com que este interliga. O conceito de processamento inteligente torna o sistema menos dependente de uma unidade de processamento central, e faz do processamento uma atividade emergente e distribuída, colocando o foco não sobre a capacidade de processamento seriado, mas sim a capacidade de processamento paralelo, o que por sua vez aumenta a quantidade de conflitos internos. Chamamos essa organização de “orgânica” quando ela se torna complexa o suficiente para simular o movimento errático de uma colméia, por exemplo, e ainda assim manter a ordem de uma teia de aranha.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A substituição do conceito de “relação” pelo conceito de “link” demonstra a absorção do significado estático pelo conceito de dinamismo. Quando falamos de autonomia nos “recursos humanos”, não estamos de priorizar os fins, e não os meios. Cada vez mais, não importa como você trabalha, mas o que você faz: sua produtividade real ou aparente é o verdadeiro determinante. Os humanos são recursos que devem ser gerenciados de modo “sofisticado”, e não estável&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[8]&lt;/span&gt;. O imperativo da globalização é transferir o máximo de poder aos indivíduos, mas somente o poder de reproduzir de modo autônomo os produtos da sociedade complexa. Ela é caracterizada por contradições entre produtividade e não-produtividade, gerando autonomia dependente. É a autonomia de gerenciar a prisão, mas não de sair dela.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Enquanto isso, a solidão é transformada em mero sentimento cada vez mais cedo na vida de um indivíduo. Ao conquistar recompensas virtuais num jogo eletrônico, a criança nem sempre se satisfaz com uma comemoração privativa. Ela sente a necessidade de socializar sua vitória com pessoas ao seu redor, e ser reconhecida por isso. Uma criança não fica sozinha diante de uma tela porque quer ficar sozinha. Ela fica porque quer, em parte, obter experiências dignas de serem compartilhadas. Elas são forçadas à solidão por causa do significado que é transmitido pelo reforço positivo dos jogos: “você é um vencedor”, embora existam obviamente outros fatores. Mas este é um fator ao qual deveríamos prestar atenção: nós escolhemos realizar atividades lúdicas que não são necessariamente atrativas em si mesmas, e que exigem um esforço equivalente ao do trabalho, mas que se tornam atrativas porque possibilitam algum reconhecimento. E o mesmo pode ser dito do trabalho: nós procuramos trabalhos que oferecem algum prazer lúdico, ou nos sujeitamos aos que possibilitam reconhecimento e poder de consumo. A distinção entre trabalho e liberdade pode estar desaparecendo numa síntese destrutiva, graças à tecnologia. Mas é uma questão de tempo até que a escravidão voluntária à tecnologia deixe de ser excitante e se torne apenas estressante.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&amp;nbsp;Para Huizinga e os principais teóricos que escreveram sobre as atividades lúdicas enquanto fenômenos sociais, o jogo é uma atividade separada da vida real. O espaço do jogo formaria um “círculo mágico” onde há regras distintas das regras do cotidiano e as ações não tem consequência para a vida real.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&amp;nbsp;ARG, Alternative Reality Game, é um tipo de encenação interativa que usa os meios de comunicação para envolver as pessoas num jogo social no estilo de uma “caça ao tesouro”. É geralmente usado como estratégia publicitária. Seus pressupostos quebram com as definições clássicas de jogo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&amp;nbsp;Teóricos dos jogos dizem que o ato de trapacear também está submetido a certas regras, e que essas regras fazem parte das regras ocultas do jogo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&amp;nbsp;A sensação é que uma pessoa que não tem Orkut, por exemplo, está excluída de uma parte importante da vida social brasileira.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&amp;nbsp;Um bom documentário em inglês sobre isso: http://www.everythingisaremix.info&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&amp;nbsp;Um exemplo de como o discurso da autonomia é usado nas empresas: “A gestão empresarial pode ser exercida de duas maneiras: pelos meios, ensinando o profissional como fazer; e pelos fins, informando-o sobre o que deve ser feito e negociando. A diferença entre os dois modos de gerenciar aparece no desempenho da equipe. Quando o gestor foca os meios, e não os fins, cria profissionais autômatos e sem iniciativa. Por isso, ele deve assumir uma postura educativa e conscientizar cada um da importância do seu papel. Assim, formará uma equipe capaz de refletir sobre o próprio trabalho, desenvolvendo nos profissionais o espírito empreendedor. As empresas precisam de profissionais autônomos, nunca de autômatos”.&lt;a href="http://www.intero.com.br/blogdaagilis/blog/?p=116" rel="nofollow" style="color: #4e7dbf; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial;"&gt;http://www.intero.com.br/blogdaagilis/blog/?p=116&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[7]&lt;/span&gt;&amp;nbsp;Vamos supor que eu invés de gastar dinheiro com propaganda numa concorrência de imagens, as empresas gastassem somente com qualidade, e deixassem as pessoas se responsabilizarem em procurar e divulgar os melhores produtos. O que aconteceria? É provável que jamais saibamos, porque nenhuma empresa de publicidade vai deixar isso acontecer.&amp;nbsp;&amp;nbsp;r s e deixassem as pessoas se responsabilizar em procurar a divudesinteressantes&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[8]&lt;/span&gt;&amp;nbsp;“As novas tecnologias de informação e comunicação foram também decisivas na reestruturação do mundo do trabalho e da produção, configurando o que chamamos de pós-fordismo e que se caracteriza por uma valorização maior das formas sofisticadas de capital (tecnologia, investimento e, principalmente, recursos humanos) sobre as formas estáveis (terra e matérias-primas). Resultado da automação, da robótica e da microeletrônica inseridas no processo de produção, temos as mudanças que possibilitaram a internacionalização da produção com estratégias de longo alcance (conhecidas como "flexibilização do trabalho") que repercutem diretamente no exercício da autonomia.” - Globalização e Autonomia: limites e possibilidades, Holgonsi Soares Gonçalves Siqueira.&lt;a href="http://www.angelfire.com/sk/holgonsi/globoautonomia.html" rel="nofollow" style="color: #4e7dbf; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial;"&gt;http://www.angelfire.com/sk/holgonsi/globoautonomia.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-2759279680538264569?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/2759279680538264569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=2759279680538264569' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/2759279680538264569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/2759279680538264569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/02/dependencia-das-redes.html' title='Dependência das redes'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-5055663834849012975</id><published>2011-02-15T20:46:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T06:28:33.052-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tecnologia'/><title type='text'>A dependência tecnológica e as redes - Parte 8 de 8: Networking compulsório</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;A exigência de que o trabalhador “teça sua própria rede” e “se movimente bem nela”, ou seja, garanta sua visibilidade, é um aspecto da dependência de redes sociais. Com ou sem o suporte de máquinas, o próprio conceito de networking é dependente de uma mentalidade tecnológica, segundo a qual agentes autônomos se interligam formando um único sistema integrado. A importância de um componente deixa de estar relacionada à sua função e passa a depender do número de componentes com que este interliga. O conceito de processamento inteligente torna o sistema menos dependente de uma unidade de processamento central, e faz do processamento uma atividade emergente e distribuída, colocando o foco não sobre a capacidade de processamento seriado, mas sim a capacidade de processamento paralelo, o que por sua vez aumenta a quantidade de conflitos internos. Chamamos essa organização de “orgânica” quando ela se torna complexa o suficiente para simular o movimento errático de uma colméia, por exemplo, e ainda assim manter a ordem de uma teia de aranha.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A substituição do conceito de “relação” pelo conceito de “link” demonstra a absorção do significado estático pelo conceito de dinamismo. Quando falamos de autonomia nos “recursos humanos”, não estamos de priorizar os fins, e não os meios. Cada vez mais, não importa como você trabalha, mas o que você faz: sua produtividade real ou aparente é o verdadeiro determinante. Os humanos são recursos que devem ser gerenciados de modo “sofisticado”, e não estável&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. O imperativo da globalização é transferir o máximo de poder aos indivíduos, mas somente o poder de reproduzir de modo autônomo os produtos da sociedade complexa. Ela é caracterizada por contradições entre produtividade e não-produtividade, gerando autonomia dependente. É a autonomia de gerenciar a prisão, mas não de sair dela.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Enquanto isso, a solidão é transformada em mero sentimento cada vez mais cedo na vida de um indivíduo. Ao conquistar recompensas virtuais num jogo eletrônico, a criança nem sempre se satisfaz com uma comemoração privativa. Ela sente a necessidade de socializar sua vitória com pessoas ao seu redor, e ser reconhecida por isso. Uma criança não fica sozinha diante de uma tela porque quer ficar sozinha. Ela fica porque quer, em parte, obter experiências dignas de serem compartilhadas. Elas são forçadas à solidão por causa do significado que é transmitido pelo reforço positivo dos jogos: “você é um vencedor”, embora existam obviamente outros fatores. Mas este é um fator ao qual deveríamos prestar atenção: nós escolhemos realizar atividades lúdicas que não são necessariamente atrativas em si mesmas, e que exigem um esforço equivalente ao do trabalho, mas que se tornam atrativas porque possibilitam algum reconhecimento. E o mesmo pode ser dito do trabalho: nós procuramos trabalhos que oferecem algum prazer lúdico, ou nos sujeitamos aos que possibilitam reconhecimento e poder de consumo. A distinção entre trabalho e liberdade pode estar desaparecendo numa síntese destrutiva, graças à tecnologia. Mas é uma questão de tempo até que a escravidão voluntária à tecnologia deixe de ser excitante e se torne apenas estressante.&lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote-list;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div id="ftn1" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; “As novas tecnologias de informação e comunicação foram também decisivas na reestruturação do mundo do trabalho e da produção, configurando o que chamamos de pós-fordismo e que se caracteriza por uma valorização maior das formas sofisticadas de capital (tecnologia, investimento e, principalmente, recursos humanos) sobre as formas estáveis (terra e matérias-primas). Resultado da automação, da robótica e da microeletrônica inseridas no processo de produção, temos as mudanças que possibilitaram a internacionalização da produção com estratégias de longo alcance (conhecidas como "flexibilização do trabalho") que repercutem diretamente no exercício da autonomia.” - Globalização e Autonomia: limites e possibilidades, Holgonsi Soares Gonçalves Siqueira. &lt;a href="http://www.angelfire.com/sk/holgonsi/globoautonomia.html"&gt;http://www.angelfire.com/sk/holgonsi/globoautonomia.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-5055663834849012975?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/5055663834849012975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=5055663834849012975' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/5055663834849012975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/5055663834849012975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/02/dependencia-tecnologica-e-as-redes_15.html' title='A dependência tecnológica e as redes - Parte 8 de 8: Networking compulsório'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-2078518785308121801</id><published>2011-02-13T10:00:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T06:28:33.053-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tecnologia'/><title type='text'>A dependência tecnológica e as redes - Parte 7 de 8: Cooperando com o capitalismo</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;Mesmo quando falamos de trabalho em equipe, não é muito diferente do ato de jogar em times. Em ambos, não se trata de coordenar relações humanas, mas relações simuladas que visam produtividade. O comprometimento de um jogador com seu parceiro é sujeito ao comprometimento de todos os jogadores com a vitória, que às vezes é chamada de fidelidade ao time. Se um dos jogadores não está certo de que jogar sequer faz sentido, fica em dúvida de que a competição, mesmo com o resultado positivo para o time, a pode ser em si mesma benéfica, ele se torna um inimigo. Quando se trata de uma atividade lúdica sem consequências reais, não há grande importância, porque tudo permanece num lugar à parte, inventado temporariamente, como um sonho. Mas quando se trata da vida real, o problema é real. Quase sempre, os jogadores da vida real recalcitrantes estão inseguros ao sentido da vida. O que se faz é convencer, animar e motivar o sujeito a simplesmente continuar jogando, a amar pelo menos algum aspecto do jogo, ainda que ele não faça muito sentido como um todo. Ao invés de diferenciar o jogo da vida real, o discurso motivacional trabalha para confundir uma coisa com a outra o máximo possível, na esperança que a emoção da aventura supere a intuição de que há alguma coisa intrinsecamente errado com este modo de vida. Este questionamento deve ser descartado como puro e simples pessimismo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Nas relações simuladas do trabalho e da rede social não se interage com pessoas de carne e osso, mas com perfis ou personagens. A ética do trabalho se torna menos dependente da autoridade na medida em que esta começa a comprometer o fluxo do sistema. A organização dinâmica do trabalho permite que o poder possa flutuar de mãos em mãos com rapidez, quando quer que isso possa gerar maior lucratividade. Enquanto o investimento da autoridade legítima é produto da experiência formada lenta e gradualmente, o poder que uma pessoa exerce numa rede depende meramente de uma conveniência transitória. O tempo de experiência perde seu significado, pois as situações podem variar rápido demais, e o que passa a valer é a habilidade de adaptabilidade: a facilidade de se conformar e tomar a forma do receptáculo, tal como um líquido.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Quando exigimos reconhecimento pelo nosso trabalho estamos de certa forma exigindo que nos seja dado crédito por algo que fizemos. Mas o valor do que fazemos não está mais relacionado nem ao tempo que gastamos fazendo nem ao custo do produto que produzimos, mas somente ao valor atribuído ao produto pelo mercado que oscila por causa de variáveis primariamente subjetivas. Logo, a liberdade de consumir é também uma escravidão a um modo de produção gerido pelo risco, em que devemos matar ou morrer. De um modo extremamente insidioso, a cultura global conseguiu nos vender uma liberdade que aprisiona, fazendo cada aspecto da nossa humanidade depender cada vez mais do modo de produção. Esta dependência crescente, articulada por meio de um conjunto de dispositivos de auto-regulação, dos quais nós mesmos fazemos parte, é uma patologia transformada em norma. Uma patologia que só pode ser curada parando-se de alimentar aquilo que dá suporte à vida civilizada. A cura provavelmente exige uma escolha ainda mais drástica do que a morte, que é a escolha de abandonar um vício que se tornou mais importante do que a vida, e pelo qual nós faríamos qualquer coisa, incluindo matar e morrer.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-2078518785308121801?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/2078518785308121801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=2078518785308121801' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/2078518785308121801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/2078518785308121801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/02/dependencia-tecnologica-e-as-redes_13.html' title='A dependência tecnológica e as redes - Parte 7 de 8: Cooperando com o capitalismo'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-4889627201896474350</id><published>2011-02-11T18:56:00.001-08:00</published><updated>2011-02-11T18:56:31.219-08:00</updated><title type='text'>A dependência tecnológica e as redes - Parte 6 de 8: O imperativo da flexibilidade</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;A ética do trabalho ou ainda a filosofia do trabalho como um todo, abrangendo todos os seus pressupostos, invade o espaço de todas as outras visões de mundo. Ela transforma tudo que não se volta para o trabalho em “perda de tempo”, incluindo o tempo dedicado à manutenção de laços fortes. Pode ser verdade que casamentos aceleram o consumo, mas num certo ponto, são as paixões repentinas, os relacionamentos transitórios, os divórcios e as traições que mais aumentam o consumo, e não um casamento estável e tradicional. É uma ilusão pensar que essa cultura defende a instituição do casamento. A cultura global se utiliza de um discurso machista ou feminista de acordo com a conveniência. Ela não defende os casamentos duráveis, mas as festas de casamento, que são eventos sociais que geram consumo. Não há vantagem nenhuma em defender o casamento enquanto instituição para uma cultura globalizada interessada em acelerar o consumo. Quanto mais o matrimônio deixa de ser a premissa necessária do acúmulo de patrimônio, menos valor o casamento tem para esta cultura.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;As instituições são apropriadas e reformuladas para se encaixarem na lógica do mercado. Do mesmo modo que a flexibilização das relações é vantajosa para essa cultura, a flexibilização das identidades também é. Não é que as roupas indicam a personalidade do indivíduo que as veste, mas que usar uma única combinação de roupas por muito tempo diz mais sobre o indivíduo do que o tipo de roupa sendo usada. A exigência não é que você use o mesmo uniforme pelo resto da vida, mas precisamente que você varie de acordo com o tempo. Se você tentar vestir sempre a mesma roupa, poderá ter dificuldades para socializar. E isso diz mais sobre nossa cultura do que o tipo de roupa que está moda.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;A flexibilização do tempo acaba nos levando a uma flexibilização da identidade. Se nós nos definimos pela nossa ocupação, quando não conseguimos definir exatamente qual é nossa ocupação, nós temos dificuldades para definir quem somos. Um trabalhador pode desprezar o significado de seu trabalho para a sociedade, e prezar somente o modo como seu poder aquisitivo pode possibilitar um status enquanto consumidor. Mas ele não pode construir uma identidade própria se a única coisa que ele se importa em fazer é qualquer coisa que possa dar dinheiro. Ele sentirá uma necessidade muito grande de encontrar algo satisfatório em que gastar o tempo e o dinheiro. Até o Tio Patinhas dava uma utilidade ao dinheiro acumulado, pois sentia um enorme prazer ao nadar nele. A identidade se relaciona com a ocupação profissional. Trata-se de algo bem maior do que o resultado de teste psicotécnico, de um teste de personalidade ou de um teste vocacional. O que você faz afeta quem você é, mas nós não podemos ser apenas isso. A ética do trabalho substituiu todas as outras éticas, e a instituição do trabalho relativizou todas as outras instituições. De que outra fonte nós poderíamos tirar a matéria-prima necessária para construir uma identidade, senão da única fonte de sentido que sobreviveu ao processo de globalização?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;A flexibilização determina que o indivíduo seja agora encarregado de administrar os riscos e entrar no mercado por conta própria, como se ele mesmo fosse mais uma marca que precisa ser vendida e que precisa ser desejada num mundo de desejos desconexos e consumidores imprevisíveis. Estando dependente do acaso, a moralidade perde seu sentido. Ela só poderia fazer sentido num mundo onde fazer algo em determinada situação pode ser considerado certo ou errado. Agora, a situação é complexa demais para que possamos calcular com precisão se uma medida é correta ou não. Pode ser e pode não ser. Depende da sua rede, e sua rede pode estar mentindo ou não, você tem apenas uma estimativa, e um único erro pode ser fatal. Inevitavelmente, se quiser prosperar nessa sociedade, precisará repassar os prejuízos a outros, e concentrar para si o máximo de benefícios. Tal qual numa pirâmide de dinheiro, o truque é nunca ficar por último. O último sempre paga a conta. Mas em pirâmides de pirâmides, você pode estar no topo de uma e na base de outra ao mesmo tempo. A coisa se torna bem mais complexa, e a única garantia é já ter bastante capital inicial. Mesmo assim não é uma garantia infalível. Viver pelo risco é nunca saber o que vai acontecer no futuro. Isso é excitante quando estamos numa simulação, mas quando na vida real pode se tornar gradualmente estressante.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-4889627201896474350?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/4889627201896474350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=4889627201896474350' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/4889627201896474350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/4889627201896474350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/02/dependencia-tecnologica-e-as-redes_11.html' title='A dependência tecnológica e as redes - Parte 6 de 8: O imperativo da flexibilidade'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-2472996778145973823</id><published>2011-02-10T05:49:00.001-08:00</published><updated>2011-02-16T06:28:33.053-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tecnologia'/><title type='text'>A dependência tecnológica e as redes - Parte 5 de 8: Produtividade aparente</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;No mercado de bolsas de valores, as ações não são valorizadas pelo que elas realmente valem. Elas são valorizadas pelo que elas parecem valer num dado momento. Isso é determinado pelo grau de confiabilidade, que pode variar em segundos, e que depende quase que unicamente de discursos, verdadeiros ou falsos, espalhados pela rede de informações. O valor de uma pessoa varia de acordo com regras semelhantes, tornando-a um tipo de investimento. Não apenas isso, mas a inconstância dos relacionamentos pode indicar que o valor de um amigo ou de um cônjuge pode variar de acordo com essas mesmas regras. As relações só puderam se tornar plenamente mercadorias quando a rede social se tornou parte da cultura, por meio do avanço tecnológico. Este é o tamanho do dano da rede de computadores, por mais que gostemos delas. Elas não somente aceleraram um processo que estava ocorrendo há milhares de anos, como representam uma estratégia perfeita para realizar o estágio final da conversão das relações humanas em mercadorias. Falando de um modo um pouco mais especulativo, é difícil acreditar que não tenham sido concebidas justamente com esse propósito.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Para Weber, a ética do trabalho valorizou a racionalização do tempo em vista da eficácia produtiva. Agora, a imagem do trabalhador é mais um produto que exige tempo para ser construído. É mais um trabalho não remunerado que é exigido para se obter uma remuneração. Logo, o tempo não está necessariamente ajustado à atividade produtiva, mas a um modo de produção que por vezes exige um trabalho sem qualquer efetividade produtiva, apenas porque a concorrência por uma vaga aumentou. O consumo pode tomar uma parte maior do nosso tempo agora, o que evita o excesso de procura por emprego e disfarça a crescente taxa de desemprego. Quando não estamos consumindo, estamos criando condições para consumir, ainda que isso não seja exatamente produtivo, pois a produção se tornou eficaz demais. Culpar a tecnologia por roubar nosso emprego é o de menos, o verdadeiro problema é que a tecnologia é apenas a consequência do esvaziamento de possibilidades, da desfuncionalização progressiva do homem enquanto ser natural.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;O trabalhador é seduzido pela idéia de ser autônomo. Mas ser autônomo significa dedicar-se completamente ao seu próprio trabalho como produção de si mesmo. Um momento ocioso pode significar mais do que um prejuízo financeiro. Se o empregado é assombrado pelo chefe que cobra produtividade, essa produtividade não determina necessariamente seu salário. Se seu chefe não perceber que você está dormindo no trabalho, você pode se safar e ganhar exatamente o mesmo que ganharia se estivesse trabalhando. Mas se você é autônomo, seu chefe não pode ser enganado, porque você é seu próprio chefe, seu prejuízo é garantido, e o sistema economiza o salário que seria pago ao chefe. O que parecia uma solução pode se tornar outro problema. Isso fica mais claro quando vemos a dificuldade de trabalhadores autônomos de separar seu tempo de trabalho do seu tempo livre. Isso inclui empresários que adquiriram grande parcela de autonomia nas suas decisões. Ao contrário de uma empresa do século passado, uma empresa atual é antes de tudo uma marca. Ela não pode fechar por um ano e depois voltar exatamente onde estava. O ranking está correndo, e os jogadores estão se aprimorando e o jogo está mudando de regras constantemente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;O tempo livre precisa ser trocado por tempo dedicado à filosofia pragmática do trabalho, ainda que a atividade em questão seja improdutiva, no sentido de que não está realmente produzindo coisa alguma, mas apenas gastando tempo nas preliminares. Neste tempo improdutivo do trabalho as empresas exigem um investimento emocional do trabalhador. Por exemplo, a filosofia da empresa deve preencher todo o tempo livre do funcionário, como uma filosofia de vida que visa o auto-aprimoramento. É difícil dizer se este investimento emocional é exigido porque realmente aumenta a produtividade, ou apenas porque esta se tornou uma exigência de uma sociedade que valoriza a aparência. É importante dizer que a questão não é se uma empresa com uma imagem melhor realmente gera mais lucro, mas que a exigência de uma imagem atraente é criada pela própria ética do trabalho, e apenas por isso afeta o lucro. Se a aparência não fosse exigida pela cultura, mas somente a produtividade real, as coisas poderiam ser diferentes. Essa cultura não aparece do nada, mas antes é criada pelos próprios agentes produtivos. Quando estes difundem uma ética da produção, também difundem uma ética do consumo. Quanto maior a precariedade da produção, maior a exigência de boa aparência.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-2472996778145973823?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/2472996778145973823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=2472996778145973823' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/2472996778145973823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/2472996778145973823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/02/dependencia-tecnologica-e-as-redes_10.html' title='A dependência tecnológica e as redes - Parte 5 de 8: Produtividade aparente'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-7184396583910601602</id><published>2011-02-09T05:43:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T06:28:33.054-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tecnologia'/><title type='text'>A dependência tecnológica e as redes - Parte 4 de 8: Autônomos autômatos</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;É a própria busca por autonomia que faz bilhões de pessoas decidirem “por si sós” fazerem exatamente a mesma coisa, ou mais especificamente, consumir o mesmo produto, que promete liberdade. Mais do que promete, ele garante um substituto para a liberdade que foi tirada de todos, e causa uma sensação de déficit em todos que não possuem aquele determinado produto, que não é necessariamente material. Uma pessoa que se nega a consumir se verá rapidamente jogada à margem da sociedade, tal qual aquele que não tem condições de consumir. Logo, não é uma opção, mas uma imposição. Os sujeitos que buscam por autonomia se tornam objetos de um processo social por meio dessa mesma busca. Mas estão tão engajados com esse discurso que o aplicam até mesmo para rejeitar qualquer forma de crítica a ele. Qualquer um que não reproduz o discurso será visto como um inimigo da autonomia, ou seja, como um opressor. Opressores são aqueles que, em qualquer momento, te impedem de fazer o que você quer. Para essa mentalidade, a linha que separa os opressores e os defensores dos valores humanos se tornou muito tênue. O resultado é que não fica nenhum obstáculo entre o indivíduo e o mecanismo doutrinador invisível e pluralizado da cultura global.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Se houvesse uma frase que pudesse resumir a ação desse mecanismo seria: “Existem muitas formas de ser civilizado. Invente uma”. Contanto que se compre o produto cultural que a globalização está vendendo, você é livre para inventar qualquer utilidade para isso. Isso é chamado de criatividade. Mas o paradoxo da criatividade é que não deixa de haver muita criatividade num povo que faz apenas diversas variações da mesma coisa. A criatividade pode expandir a experiência em torno de um único tema, o que significa que a diversidade quantitativa não significa necessariamente diversidade qualitativa. Ao que parece, nós vivemos numa cultura do remix&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, onde todos compreendem que “não há nada novo sob o sol” e o plágio passa a ser criativo, uma vez que nossa imaginação está alimentada por refluxos e rearranjos, onde a ordem das coisas se altera independente do conteúdo ou do significado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nós temos apresentado diversas variações da intolerância à autoridade. Esta intolerância tem sido um produto bastante procurado no mercado. Qualquer um que preste atenção pode fazer uma lista infindável de exemplos na música, na literatura e no cinema. A exceção à regra é ver um personagem que ouve uma ordem vinda de uma autoridade legítima, e a acata, sem ser considerado um imbecil ou acabar se dando mal. Parece se essa fosse a regra, não sobraria nenhuma história digna de ser contada. Mas o fato é que nem sequer há reconhecimento de qualquer forma de autoridade. As próprias figuras de autoridade precisam relativizar sua posição para merecer algum respeito. O discurso mais propagado pela cultura global hoje é que não há relações estáveis e válidas por si mesmas. Isto significa que não há instituições. As duas coisas estão intimamente ligadas. Sem instituições não é possível sustentar relações duráveis. Você não pode manter uma coisa em pé por muito tempo sem um ponto fixo. O fato é que ninguém quer manter as coisas de pé, identificando isso como um estado estático. O que queremos é ver as coisas fluindo. Elas devem fluir e se tornar o que quer que venham a se tornar, porque a única coisa que deve ser mantida é o próprio fluxo. O erro é que saber ficar de pé não é o mesmo que ficar parado. Para andar é preciso saber ficar de pé.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A instabilidade pode ser facilmente naturalizada por meio da propagação de certas concepções de mundo. Mas a intolerância à permanência, assim como a intolerância à autoridade, está mais relacionada a uma necessidade de reconhecimento pessoal num mundo que preza essas características do que pela valorização da liberdade. O modo de trabalho que surgiu na sociedade organizada em redes é produto de uma ética voltada à competência individual, que exige um tipo de autonomia. Isto é mais visível precisamente nas ocupações diretamente relacionadas ao avanço da tecnologia. Os criadores de tecnologia são também os primeiros a usar essa tecnologia em suas vidas, e os primeiros a sofrer os efeitos dessa tecnologia. O computador pessoal começou como um projeto pessoal, e desde o início a rede de computadores estava relacionada a uma visão de mundo que dava poder aos indivíduos, conectando-os de forma autônoma. Competência pessoal é o único critério que poderia ter restado. Ele não significa somente que um indivíduo deve ser recompensado de acordo com sua competência, mas que esta competência depende unicamente da facilidade com que o indivíduo se adapta a um meio em constante mutação, e não da sua capacidade de distinguir qual é o caminho correto e se manter firme nele. O conhecimento solidamente estabelecido é dispensável e talvez até prejudicial, uma vez que a verdadeira questão é a rapidez para desenvolver novas habilidades, pois o mundo é instável e impõe dificuldades imprevisíveis. O que você aprendeu ontem talvez não tenha nenhum valor de mercado hoje. Ser dinâmico e flexível significa provar que você é capaz de acompanhar o fluxo imprevisível do mercado, o que a rigor é impossível, então se torna importante a imagem de confiabilidade que você projeta.&lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote-list;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div id="ftn1" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; Um bom documentário em inglês sobre isso: &lt;a href="http://www.everythingisaremix.info/"&gt;http://www.everythingisaremix.info&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo de como o discurso da autonomia é usado nas empresas: &lt;a href="http://www.intero.com.br/blogdaagilis/blog/?p=116"&gt;http://www.intero.com.br/blogdaagilis/blog/?p=116&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-7184396583910601602?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/7184396583910601602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=7184396583910601602' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/7184396583910601602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/7184396583910601602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/02/4-autonomos-automatos.html' title='A dependência tecnológica e as redes - Parte 4 de 8: Autônomos autômatos'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-7853525127806321862</id><published>2011-02-07T06:11:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T06:28:33.054-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tecnologia'/><title type='text'>A dependência tecnológica e as redes - Parte 3 de 8: Engenharia da obsessão</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;A globalização divide as pessoas, porque seguindo seus imperativos, elas se tornam competidoras por um espaço na lista de melhores pontuações globais ou locais. Não apenas no espaço, mas também no tempo: é preciso ser o melhor de todos os tempos, mas se não for possível pelo menos o do mês, do dia, ou de um instante. Adolescentes classificam outras pessoas com base nesse critério de uma forma tão natural que é como se não tivessem aprendido. Mas é claro que isso é cultural, e elas só aprenderam tão rapidamente porque nós as ensinamos muito bem, pelos exemplos e pela ideologia pressuposta em cada um dos nossos produtos culturais.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;A nova geração parece nascer sabendo lidar com tecnologia porque a pressão para se adequar a ela é tremenda. Nós não sentimos porque para nós ela foi crescendo lentamente, tivemos tempo de nos acostumar com cada coisa nova. Mas para as novas gerações é tudo ou nada. Elas precisam se adaptar rapidamente a tecnologias complexas, sob a pena de ficarem invisibilizados. Não podemos pensar que essa geração simplesmente goste de computadores por viver cercados por eles, ou porque computadores são naturalmente atraentes. Isso pode ser facilmente desmentido quando comparamos esta cultura com uma cultura em que computadores, mas são socialmente úteis. Os primeiros a se interessarem por computadores foram pessoas anti-sociais e extremamente individualistas. É a pressão da dependência tecnológica que nos força a aprender a nos comunicar por meio de máquinas a nos inserir em redes o mais rápido possível. As crianças se adaptam a esse mundo antes de terem capacidade para julgar se isto é certo ou errado. Isso aprofunda a dependência para um nível existencial. Nós nos tornamos existencialmente dependentes do suporte tecnológico às redes.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Não podemos fazer idéia dos resultados disso, mas algumas visões do futuro podem fazer mais sentido que outras. As ficções científicas nos falam de crianças nascidas na rede tecnológica como seres evoluídos, que possuem um entendimento superior. Este é um mito que indica o significado quase transcendente da tecnologia nessa sociedade. Ao mesmo tempo em que as crianças se conformam com a tecnologia de um modo cada vez mais rápido, elas também se conformam como um sistema de crenças claramente adaptado aos imperativos da globalização. E elas o fazem pelo mesmo motivo: por uma pressão que rege a distinção entre aqueles que valem alguma coisa e aqueles que não valem nada. Um dos critérios distintivos é a autonomia. Ao contrário do que se possa pensar, autonomia é uma exigência social, e não o contrário. Se um dia a submissão foi uma qualidade valorizada pela sociedade, dificilmente poderíamos afirmar o mesmo hoje. Por mais que o espectro repressivo ainda ronde nosso mundo, o furor anti-repressivo procura vestígios dessa falida instituição para ter onde jogar a culpa de todos os problemas, e trabalha duro para limpar o mundo de todos os resquícios de autoridade. Este espírito agora é indispensável tanto na educação formal quanto na informal. Tanto na escola quanto no cinema e nos jogos eletrônicos, o mesmo discurso básico está presente: “Seja você mesmo”, "Você é livre". Isto seria impensável a alguns séculos atrás, e soaria revolucionário a algumas décadas, mas hoje se trata apenas de um clichê.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-7853525127806321862?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/7853525127806321862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=7853525127806321862' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/7853525127806321862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/7853525127806321862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/02/dependencia-tecnologica-e-as-redes_07.html' title='A dependência tecnológica e as redes - Parte 3 de 8: Engenharia da obsessão'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-5431929303737875580</id><published>2011-02-06T09:17:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T06:28:33.055-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tecnologia'/><title type='text'>A dependência tecnológica e as redes - Parte 2 de 8: Crise de identidade</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;A crise nas bases institucionais da identidade se dá exatamente porque as ferramentas para se construir uma identidade falsa são as mesmas usadas para divulgar sua identidade real. A instituição que dava suporte à identidade não existe mais, ela foi substituída pelo suporte tecnológico, que não comporta limites entre verdadeiro e falso. A rigor, é quase impossível definir o que é verdadeiro e o que é falso nas redes. Só podemos ter estimativas de confiabilidade. Quanto mais dependemos da própria rede para confirmar a verdade dos fatos, mais o suporte tecnológico se apropria dos nossos critérios de distinção da realidade, o que significa que a dependência avança para um novo patamar: passamos a depender da rede virtual para conhecer o real. O que está ou não conectado na rede vai nos dizer o que supostamente está conectado ou não na vida real, e viemos a nos encontrar numa crise epistemológica, isto é, uma crise na origem do conhecimento e na definição da verdade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A crise partiu das relações de trabalho, criando a necessidade de uma gestão da empregabilidade, e alcançou outros aspectos da vida social, gerando uma necessidade de gestão da própria identidade, que se confunde com a gestão da imagem. O indivíduo cria seu próprio perfil com base na auto-imagem que tem de si mesmo, e chama isso de ‘eu’. Ainda que seja um fato que todos nós temos imagens distorcidas de nós mesmos, produzidas pelo próprio ambiente social, nossos perfis justificam essas imagens e as fortalecem. O usuário é aquilo que ele faz de si mesmo, e sem recorrer a bases tradicionais, ele inevitavelmente acaba seguindo os fluxos oferecidos pela cultura global. Ele pode escolher por diversas configurações, mas isso no fundo é irrelevante, porque todas estão seguindo uma mesma regra básica: você precisa subir de nível. O indivíduo nascido e criado nas redes está centrado em suas próprias realizações e habilidades, valoriza a flexibilidade e a facilidade de conexão em redes transitórias. A flexibilidade implica em aceitar riscos cada vez maiores, uma vez que você não pode contar com o apoio de uma instituição fundada em princípios sólidos, mas está por sua própria conta num jogo de vida ou morte. Você precisa cumprir as expectativas do mundo global ou será descartado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas essas expectativas não são impostas por leis ou coerções. Elas são imperativos silenciosos que mal são percebidos enquanto se está concentrado no ato de jogar. Provavelmente será preciso perder quase tudo para perceber que a estratégia de simplesmente tentar ser quem você realmente é não pode dar certo. É nesse momento em que o sujeito casa de “ser bonzinho”, e adere a um ethos global como se este fosse o grande salvador de sua possibilidade de reconhecimento social. Não deve ser difícil coletar narrativas de pessoas que viveram por muito tempo de um modo autêntico, e então desistiram disso tudo por um pouco de status, ou seja, "amor". Elas podem justificar isso da forma como quiserem, mas uma análise social pode revelar que tudo isso não passa de um método de controle social extremamente eficiente, porque joga com os sentimentos mais profundos das pessoas, incluindo sua auto-estima.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-5431929303737875580?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/5431929303737875580/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=5431929303737875580' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/5431929303737875580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/5431929303737875580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/02/dependencia-tecnologica-e-as-redes_06.html' title='A dependência tecnológica e as redes - Parte 2 de 8: Crise de identidade'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-7546389557559908116</id><published>2011-02-04T21:11:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T06:28:33.055-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tecnologia'/><title type='text'>A dependência tecnológica e as redes - Parte 1 de 8: Play the game</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Na nossa sociedade, a interação mediada pela tecnologia parece ter um papel de relevância crescente. É a tecnologia que conecta o mundo numa só rede, e se a globalização é um fenômeno cultural, podemos dizer que é um fenômeno dependente de suportes tecnológicos. Logo, a globalização da ideologia é também a globalização da tecnologia ou da cultura tecnológica. Não apenas isso, mas a colonização cultural também gera dependência tecnológica. Esta dependência não acaba assim que os lugares colonizados pela cultura global se tornam capazes de criar seus próprios suportes tecnológicos, assim como a dependência cultural não acaba só porque um país submetido à cultura global começa a criar seus próprios produtos culturais típicos da globalização, como filmes ao estilo de Hollywood. Além disso, por se tratar de algo que avança numa velocidade acelerada, a dependência tecnológica é também uma dependência de avanço acelerado dos suportes tecnológicos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Esta tecnologia de globalização apresenta um paradoxo: ela une indivíduos ao mesmo tempo em que fragmenta identidades e provoca solidão. A solidão em escala global se dá principalmente porque a conexão a uma rede social virtual pouco significa em relação à proximidade humanamente significativa, o encontro real. Participar de uma rede social e interagir dentro dela é quase como fazer parte de um grande jogo. Um jogo que exige interação, mas que continua sendo uma atividade distinta daquilo que é realmente social. É uma simulação de socialização, que vai se tornando cada vez mais realista, a ponto de os participantes desejarem incluir todos os aspectos de sua vida dentro dessa simulação, por meio de fotos, vídeos e uma presença virtual cada vez mais palpável. Assim, como num jogo de realidade alternativa&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, perdemos a noção daquilo que separa a vida real da vida simulada. A vida simulada pelo perfil do usuário e carregada na internet se torna a própria vida do usuário. A atividade na internet já é por si só uma “segunda vida”, uma vida virtual e simulada, onde o usuário interpreta a si mesmo, mas está sempre livre para adicionar ou eliminar alguns detalhes sobre sua vida. Ele está de fato criando um personagem, tal qual um candidato a emprego cria uma imagem para atrair seus empregadores em potencial. O usuário de redes sociais cria uma imagem de si mesmo que possa atrair parceiros em potencial, mesmo que para uma interação transitória e casual.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tal como num jogo, há ações que irão somar ou subtrair “pontos” do seu status virtual. Um usuário pode até dizer que é espontâneo, mas ser espontâneo, ou pelo menos aparentar ser, é algo que conta pontos positivos. E isso acontece exatamente porque o modo mais fácil de chamar a atenção é agregar muitos atributos atraentes. Mentir sobre suas próprias qualidades é como trapacear no jogo, e por isso a qualidade de ser espontâneo faz parte da regra do jogo. Mas como em toda interação humana, não temos acesso direto à sinceridade do outro, somente à nossa própria. Como no jogo da conquista, mentiras podem ser bem mais agradáveis do que a verdade, e por isso são toleradas até certo grau, às vezes até mesmo exigidas. Com isso se cria uma cultura da mentira, pois a exigência de verdade pode inviabilizar a interação. Logo, temos um novo tipo de dependência, a dependência de maquiar a realidade para poder ser competitivo num mundo onde a espontaneidade é um produto criado pelo usuário de modo tão artificial quanto uma imagem modificada. Ambos usam o mesmo suporte e precisam dos mesmos inputs.&lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote-list;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div id="ftn1" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; ARG, Alternative Reality Game, é um tipo de encenação interativa que usa os meios de comunicação para envolver as pessoas num jogo social. É geralmente usado como estratégia publicitária.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-7546389557559908116?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/7546389557559908116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=7546389557559908116' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/7546389557559908116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/7546389557559908116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/02/dependencia-tecnologica-e-as-redes.html' title='A dependência tecnológica e as redes - Parte 1 de 8: Play the game'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-7290604407035262037</id><published>2011-01-26T06:05:00.000-08:00</published><updated>2011-01-26T06:05:21.747-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>Século do Self</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://i.ytimg.com/vi/ZndYVCzZAwA/0.jpg"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ZndYVCzZAwA?f=videos&amp;c=google-webdrive-0&amp;app=youtube_gdata" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266" src="http://www.youtube.com/v/ZndYVCzZAwA?f=videos&amp;c=google-webdrive-0&amp;app=youtube_gdata" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;Documentário em 4 episódios de Adam Curtis (2002) sobre como aqueles no poder usaram as teorias freudianas para controlar multidões perigosas numa era de democracia de massas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px;"&gt;Legenda traduzida para português.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-7290604407035262037?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/7290604407035262037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=7290604407035262037' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/7290604407035262037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/7290604407035262037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/01/seculo-do-self.html' title='Século do Self'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-7156089509068928611</id><published>2011-01-19T12:10:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T06:31:36.941-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Autonomia e autoridade em tempos líquidos</title><content type='html'>Artigo completo e revisado:&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;a href="https://sites.google.com/site/janosbirozero/Antizero/textos-2/autonomia-e-autoridade-em-tempos-lquidos" style="color: #4e7dbf; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial;"&gt;Autonomia e autoridade em tempos líquidos&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um resumo das idéias expostas num artigo mais longo,&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;a href="https://sites.google.com/site/janosbirozero/Antizero/textos-2/a-rejeio--autoridade-no-pensamento-anarquista" style="color: #4e7dbf; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial;"&gt;A rejeição à autoridade no pensamento anarquista&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;Clique abaixo para ler o artigo completo:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Autonomia e autoridade em tempos líquidos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O atual discurso em defesa da autonomia política do indivíduo se desenvolveu a partir da crítica ao poder coercitivo do Estado sobre os espaços comuns de reprodução da vida social. Estes espaços eram representados pelo modo de vida rural, familiar e comunitário, em que havia uma ausência de visibilidade do Estado. A perda desses espaços foi resultado da expansão do modo de vida urbano, que se fundou no modo de produção industrial. Este modo de vida inevitavelmente gera um aumento na complexidade da estrutura social, exigindo maior grau de mediação entre indivíduo e meios de produção. Para os teóricos que criticavam o poder político do Estado e os problemas sociais da industrialização, a raiz do problema era que o modo de produção industrial estava tomando conta desses espaços. Por isso, esses espaços foram considerados como “auto-sustentáveis e totalmente capazes de manter a ordem sob todas as condições e circunstâncias, desde que protegidas das imposições originárias do Estado” (BAUMAN, 2004). A perda desses espaços representava a perda da autonomia original ou natural do ser humano, ou seja, a perda do controle sobre os meios de produção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Imaginando que os espaços não mediados eram os únicos e verdadeiros espaços para a autonomia do ser humano, os teóricos do século XIX começaram a fundamentar seu ideal de sociedade num modo de vida semelhante ao espaço comunitário que existia antes da criação do Estado. “A anarquia, isto é, uma sociedade sem o Estado e suas armas de coerção, era visualizada como uma ordem não-coercitiva na qual a necessidade não se chocaria com a liberdade nem esta se colocaria no caminho dos pré-requisitos da vida em grupo.” (BAUMAN, 2004). Não havia nenhuma evidência de que a ausência do poder coercitivo possibilitaria a convivência saudável entre as pessoas numa sociedade que já havia se tornado complexa. Havia a crença de que sem o controle do Estado, todas as questões sociais modernas seriam resolvidas por tabela. Colocando todo foco no Estado, eles esqueceram de observar que as tensões sociais inerentes aos grupamentos humanos não se dissipam por si sós, pois não são obras do poder coercitivo. Antes, o poder coercitivo é um produto delas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A cultura que se desenvolveu no modo de vida urbano já não era a mesma dos antepassados que viviam em pequenas comunidades. As pessoas já não estavam mais dispostas a viver nas mesmas condições que antes, e era quase impossível evitar que as novas exigências sociais e o conceito moderno de liberdade (como emancipação do indivíduo) se chocassem com os pré-requisitos da vida em grupo, dentro dessa configuração social. Os grupos humanos conseguem administrar seus conflitos por meio de uma sabedoria tradicional extensa e muito bem estruturada, que é o resultado de acúmulo de conhecimento por gerações incontáveis. Não podemos afirmar que essa sabedoria estará imediatamente disponível a todo aquele que rejeitar a atual estrutura da sociedade. O fato de que não havia leis positivas não significa que as comunidades ancestrais viviam sem regras, mas ao contrário, que estas eram internalizadas a ponto de não ser necessária quase nenhuma coerção externa, justamente porque não havia questionamento nem pluralidade, havia apenas obediência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os teóricos criticaram o poder do Estado, mas exaltaram as condições culturais que o criaram. Eles acreditaram que a questão recaia somente sobre o modo organização da sociedade, e que a liberdade estava sendo tolhida, e não mal usada. Não se importaram em definir qual seria o uso correto da liberdade. Pensavam que bastava a cooperação mútua para um projeto comum, sem se preocupar em definir a finalidade dessa cooperação para além da mera sobrevivência. Bastava ter autonomia, independente da direção para a qual essa autonomia estaria orientada. Criticaram a autoridade ao criticar o poder. Criticaram a tradição ao criticar a cultura. Enfim, criticaram o que não fazia parte do problema, e não apenas de modo equivocado, porque ignoraram a distinção entre o modo de vida autêntico e o substituto artificial, criado pela civilização. Achavam que a ordem não-coercitiva emergiria da simples ausência de coerções externas, como se fosse uma ordem natural que estava apenas sendo impedida de fluir pela interferência do poder coercitivo. Os valores internalizados não foram devidamente considerados. Não havia critério para distinguir valores autênticos de não-autênticos, pois toda autoridade foi rejeitada. A rejeição à interferência do Estado foi justificada com base na rejeição de toda e qualquer heteronomia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O conceito moderno de sociedade livre é aquela que surge como resultado imprevisível de interações não coercitivas entre indivíduos auto-orientados. A rejeição ao poder coercitivo sobre o indivíduo levou à rejeição de toda e qualquer forma de autoridade de base traditiva. O ideal passou a ser que cada um viva a própria vida como bem entender, contanto que não atrapalhe os outros a fazer o mesmo. Isso leva a uma crise de sentido, já que nenhuma estrutura social está ausente de padrões. As pessoas continuam buscando incessantemente se adaptar aos imperativos transitórios desta sociedade para se manterem socialmente vivos. Ainda que as pessoas considerem isso como uma escolha pessoal, elas estão apenas reagindo de modo correspondente ao fluxo caótico gerado dentro deste modo de vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os teóricos não questionaram o modo de produção que gerou o aumento da complexidade, mas apenas aquele que, a partir deste, concentrou o controle dos meios de produção nas mãos de poucos. Não questionaram o avanço técnico e científico, nem as mudanças de significado que eles provocaram, mas apenas seu uso pelas elites. Acreditaram, desde o começo, que o avanço tecnológico foi útil para se chegar a um estágio de desenvolvimento que daria condições suficientes para que finalmente nos libertemos de tudo que nos limitava. Pensaram que o problema não teria sido gerado pelo progresso, mas pela má distribuição dos benefícios e pelo mau gerenciamento da sociedade. Não questionaram o progresso real, mas apenas aquilo que atrasa o progresso e que se faz passar por progresso. Pensaram que autonomia econômica significaria liberdade. Estavam, por causa disso, o tempo todo colaborando com a perpetuação e a intensificação de crenças civilizadas e de uma civilização da subjetividade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O próprio processo de modernização criou uma nova subjetividade que rejeita a autoridade e acredita no dever moral de produzir sua própria existência. A ruptura com a tradição começou como um questionamento teológico, mas invadiu todos os aspectos da sociedade por meio do processo da secularização. Já não há mais o que se possa chamar de autoridade na sociedade pluralizada. “Visto que a autoridade sempre exige obediência, ela é comumente confundida com alguma forma de poder ou violência. Contudo, a autoridade exclui a utilização de meios externos de coerção. Onde a força é usada, a autoridade em si mesma fracassou” (ARENDT, 2007). A autoridade se difere tanto do poder coercitivo quanto do poder retórico, sendo “incompatível com a persuasão, a qual pressupõe igualdade e opera mediante um processo de argumentação. Onde se utilizam argumentos, a autoridade é colocada em suspenso.” (ARENDT, 2007). Uma comunidade tradicional se fundamenta em total cumplicidade, e não chega a uma unidade comum por meio do contrato social. Sendo assim, é praticamente impossível falar de autoridade legítima numa sociedade moderna, seja ela democrática, totalitarista, ou mesmo libertária.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Com a perda da tradição se perde a conexão entre passado e futuro, que é o único fundamento da autoridade. Sem tradição não há autoridade. A modernidade transferiu a questão da redenção humana para a esfera mundana. A crença na Queda foi rejeitada, e a ação divina foi reduzida à lei natural. O homem passou a ser visto como portador de autoridade divina sobre a terra, assim os frutos do seu trabalho eram parte da criação divina, e começa aí a valorização do trabalho como meio de aumentar o poder aquisitivo. Se o bem supremo significa apenas a maior quantidade de felicidade para a maior quantidade de pessoas, então o foco recai sobre a vida terrena, sobre o trabalho e sobre o progresso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A autonomia líquida não é uma autonomia autêntica, porque rejeita a condição de autenticidade da autonomia, que é que o reconhecimento que o “nomos” não tem origem no indivíduo, mas sempre numa forma de autoridade, ainda que não reconhecida e contrária aos valores objetivos da tradição. Se não há critérios para separar certo de errado, essa autonomia é de fato uma anomia, e escoa inexoravelmente para o vazio como algo sem sentido. Este conceito de autonomia se fundamentou em crenças que relativizaram o critério de objetividade, elegendo o indivíduo como único legitimador da sua própria verdade. Ao fazer isso, abre-se caminho para uma nova forma de poder, que atinge o homem de dentro para fora, e se torna muito mais resistente ao questionamento do que a coerção externa. A sociedade complexa é regida por sua própria estrutura, que é composta de indivíduos atomizados auto-organizados em redes. Sua complexidade permite que ela não dependa mais das velhas formas de poder, assim como um plano infinitamente vazio é uma prisão melhor do que uma sala fechada. A dissonância valorativa entre os indivíduos que assumem o pluralismo moderno parece inevitável. A maior estratégia da cultura civilizada é convencer seus opositores a mantê-la sempre atualizada, mantendo o fluxo constante de contradições e superações, mas sem uma finalidade definida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;Referências:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;ARENDT, Hannah. &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Entre o passado e o futuro&lt;/i&gt;. São Paulo: Perspectiva, 2007, pp. 127-187&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;BAUMAN, Zygmunt. &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Amor Líquido&lt;/i&gt;. Jorge Zahar, 2004, pp. 77-96.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-7156089509068928611?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/7156089509068928611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=7156089509068928611' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/7156089509068928611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/7156089509068928611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/01/autonomia-e-autoridade-em-tempos.html' title='Autonomia e autoridade em tempos líquidos'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-6545772861138778378</id><published>2011-01-11T22:45:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T06:34:29.469-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Consumismo ecológico</title><content type='html'>Versão final &amp;nbsp;de "Consumindo ecologia": &lt;a href="https://sites.google.com/site/janosbirozero/Antizero/textos-2/consumismo-ecolgico"&gt;Consumismo ecológico&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clique abaixo para ler o artigo completo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;1. Consumindo desenvolvimento sustentável&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A grande questão da discussão ecológica tem sido como conciliar padrões sustentáveis de consumo com uma economia baseada no desenvolvimento acelerado dos meios de produção. Segundo Ruscheinsky&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;, esta é uma questão de poder. Se o consumidor está submetido a um sistema econômico insustentável, ele não tem o poder de fazer escolhas que levam a um consumo sustentável. Mesmo que o consumidor seja um agente econômico autônomo, ele só pode sê-lo na medida em o sistema econômico do qual depende valoriza isso. Dizer que o consumo sustentável, ético, responsável e consciente é uma questão de escolha do consumidor é no mínimo insuficiente. Qual o significado desses adjetivos para o consumidor? Ao que parece, o consumidor depende da cultura de consumo para definir o que é sustentável. O consumo sustentável quase sempre se refere ao consumo de tecnologias e produtos considerados mais ecológicos. Então, voltamos à estaca zero. A cultura não pode ensinar aos indivíduos o que é ser sustentável, ético, responsável e consciente, porque ela mesma não sabe o que é isso. Não reconhecemos o que é ser sustentável numa cultura que depende de desenvolvimento econômico e tecnológico acelerado. Usamos essa palavra sem ter noção do que ela significa em termos práticos fora da lógica do consumo.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O discurso ecológico coloca o consumidor como protagonista, como agente multiplicador de ações políticas e privadas que visam a sustentabilidade&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[2]&lt;/span&gt;. Ele deve entender o que motiva o consumo e saber separar necessidades reais de necessidades criadas. Mas como o consumidor fará isso?&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;2. Sua ecologia vale dinheiro&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A questão é que a “consciência ecológica” está sendo propagada pelos meios de comunicação que estão sob controle do sistema econômico. Eles têm um bom motivo para propagar essas ideias supostamente contrárias à cultura vigente. Baseiam-se na crença de que a maximização da produção e a socialização de benefícios podem ser compatíveis com a minimização do impacto ambiental causado pela extração dos recursos naturais. Isto é, usam o critério da eficiência da produção. Esse critério vem do próprio desenvolvimento do capitalismo enquanto racionalização das relações em função da produtividade. Ele parte da crença de que é possível uma harmonia entre bem-estar social e eficiência dos meios de produção. Em outras palavras, o que é propagado hoje como sendo consciência ecológica é uma consciência ideologicamente bem adaptada ao espírito do capitalismo. Ela se apóia na crença de que basta racionalizarmos o uso das tecnologias e dos meios de produção, e tudo ficará bem, como se o problema fosse o modo de produção, e não o modo de vida baseado na produção e no acúmulo de bens materiais. A revolução ecológica é proposta no formato de um novo contrato social, que define limites de exploração e garante o consumo para os desfavorecidos, redistribuindo os meios de produção para a população. Quando se diz que “outro sistema é possível”, o que se quer dizer é: “podemos ser sustentáveis sem abrir mão dos nossos prazeres favoritos”.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Por um lado alguns autores acusam o discurso ecológico de ser dogmático ou fundamentalista, porque parece tratar de pecados ambientais, perdição industrial, apocalipse climático, revelação de uma verdade oculta, conversão subjetiva a um novo paradigma e redenção por meio de novas tecnologias e até mesmo de um novo homem. Por outro lado, os adeptos do movimento azul, que unem a ecologia com as questões econômicas, defendem uma espécie de “ecologia da prosperidade”. Eles parecem estar tão bem adaptados à globalização quanto os pastores da nova espiritualidade evangélica, que também abandonaram a perspectiva tradicional e se voltaram para as possibilidades mundanas de desenvolvimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;3. Economizando a natureza&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Talvez esteja sendo gerada a crença de que se investirmos uma parte do nosso lucro para a preservação da natureza, então nós vamos prosperar ecológica e economicamente. O discurso eco-econômico diz que a preservação da natureza só será possível quando os bens naturais forem contabilizados como parte do mercado. Ou seja, a ecologia só passa a ser possível dentro do discurso econômico. É isso que está acontecendo quando se fala de créditos de carbono, pegada ecológica, capital natural... Estabelecemos uma relação economicamente racionalizada com a natureza enquanto fonte de recursos materiais. O emblema desse eco-capitalismo é o planeta sendo segurado por mãos humanas.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A figura central da revolução ecológica é o consumidor. Quem é o consumidor? O consumidor não é uma pessoa, é um papel assumido por uma pessoa. O papel de consumidor consciente ou do cidadão ambientalmente responsável é encarnado por uma pessoa, mas é apenas mais um estilo de vida, que como qualquer produto cultural, é propagado por uma indústria que explora esse segmento de mercado. A cultura incentiva uma mudança social útil e necessária ao atual estágio civilizatório: substitui o pouco que resta dos valores humanos por direitos e deveres do consumidor. Propaga uma ética da eficiência, que ignora o que é fazer o bem, e se concentra em consumir bem. Transforma toda sabedoria ancestral em sabedoria para consumir bem, que é confundido com viver bem. Atribui-se uma responsabilidade meramente nominal a um sujeito que não recebeu condições para ser responsável. Pede-se que ele crie uma consciência que na prática é rejeitada pela cultura. Provoca uma retro-alimentação de sentimentos de culpa, sem qualquer possibilidade de correção.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Nós não conseguimos distinguir quando estamos sendo o agente ou o paciente da devastação da natureza. Uma imagem usada por Ítalo Calvino descreve essa situação: “O exército dos helenos que serpenteia entre os entre os desfiladeiros das montanhas e os vaus, entre contínuas emboscadas e saques, não mais distinguindo onde passa de vítima a opressor, circundando também na frieza dos massacres pela suprema hostilidade da indiferença e do acaso, inspira uma angústia simbólica que talvez só nós possamos entender”&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[3]&lt;/span&gt;. Nesta situação, tanto faz avançar ou desistir, ambas as escolhas não oferecem qualquer sentido para além do presente.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O consumo se tornou entretenimento, assim como a própria crítica ao consumismo. Mas o consumo ainda sustenta a economia, que se tornou dependente do espetáculo. Quando se reduz o crédito se diminui o consumo, e isso gera crise. Para evitar o colapso, é preciso injetar dinheiro como se fosse uma droga estimulante. Eles irão emprestar dinheiro para que você gaste o que não tem naquilo que não precisa, porque sem aumentar as suas dívidas não há desenvolvimento econômico, e sem isso não há investimento, e sem investimento não há lucro, e sem lucro a competitividade diminui e empresas tendem a falir, levando embora o seu emprego e sua possibilidade de consumo. A cultura apresenta aquele que não consome como avarento, e o que consome como um ser superior (um Net, um Ligador, etc...) reforçando assim uma representação que tem o objetivo de gerar coerção social&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[4]&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;4. Consumose é uma doença contagiosa&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Deveríamos considerar seriamente o impacto psicossocial do ato aparentemente inocente de levar uma criança às compras, ao shopping ou ao supermercado. Lá ela estará exposta a um ambiente repleto de agentes simbólicos infecciosos, e sem proteção alguma ela será um alvo fácil. De fato, ela é o alvo mais visado pelas campanhas publicitárias, porque sua resistência à indução de desejos de consumo é muito baixa. É comum ver pais brigando com seus filhos enquanto estes berram e esperneiam por causa de um produto, como se não valesse a pena viver sem poder consumir aquele produto. Esta é exatamente a ideia que foi introduzida nas mentes deles por meio da propaganda. Os publicitários montam um esquema astucioso para diminuir nossa capacidade de pensar, ainda que eles mesmos não percebam que fazem isso. Nós não deveríamos expor crianças a um ambiente que as adoece, mas sendo isso quase inevitável, devemos pelo menos prepará-las para isso. Elas não são culpadas por sentirem esse desejo avassalador de consumir, pois esse ambiente foi criado para gerar esse comportamento obsessivo. Nós adultos só nos comportamos melhor porque já nos acostumamos, pelo excesso de exposição ao agente infeccioso. Este tipo de ambiente produz desorientação. Ao pisar numa loja já estamos consumindo valores.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O ambiente de um grande supermercado ou shopping é construído para atingir os pontos fracos da psicologia humana. A cultura consumista fica o tempo todo sussurrando nos nossos ouvidos a crença de que você é o que você compra. Aceitando essa crença, o consumo adquire um significado existencial. Uma pessoa pode passar a literalmente viver para e pelo consumo, perdendo aos poucos as características morais que a tornam humana.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;5. Você é o produto&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pouca atenção tem sido dada para a saúde psicológica das pessoas em relação ao consumo. Um dos “sonhos de consumo” das pessoas é se tornar um modelo de consumo para os outros. É isso que o marketing pessoal sugere: venda-se. As pessoas precisam querer ser você. Mas o efeito de ser um produto é extremamente deturpador. Uma análise das biografias de pessoas que tiveram essa experiência é suficiente para revelar isso. Ainda assim, pouca atenção é dispensada para o vetor de propagação dessa doença: as personalidades famosas. A vida para o consumo, ou a vida para ser consumido, é considerada boa por causa da abundância de consumo, como se nada pudesse ser pior do que não poder consumir.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;As pessoas submetidas a uma rotina de estrela estão perdendo suas características humanas, porque se tornam produtos. Os seres humanos não foram feitos para a fama. Temos que pensar nos danos que estão sendo provocados a todos que estão e anseiam estar sob as luz dos holofotes e flashs da câmera. Não para tentar obrigar as pessoas a se afastar dessas coisas, o que de todo modo seria impossível, mas para não perpetuar um discurso que naturaliza essas coisas, que não dá discernimento sobre a gravidade das doenças que nascem nesse meio. Repensemos sobre o suporte que damos, e o modo como esperamos ansiosos para poder consumir pessoas. Consumimos a beleza de pessoas que são modelos de beleza, e nesse processo rejeitamos a nós mesmos&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[5]&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;6. Produzir para consumir para produzir para consumir...&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Embora o trabalho seja visto como algo que dignifica o homem, a maior parte do trabalho visa cobrir gastos fúteis, sejam seus ou do seu empregador, e não a subsistência do homem. O que significa que a maior parte do trabalho dignifica apenas a insensatez humana, pois é a parte que alimenta o consumismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O consumo invade todos os aspectos da sociedade. Nós passamos a consumir pessoas ao invés de nos relacionar com elas. Consumimos ideias ao invés de aprender. Nós nos aproximamos dos outros e demonstramos nosso amor por meio do consumo. Nossa memória é significada pelos produtos que consumimos. Enfim, todas as relações passam a ser mediadas pelo consumo. A produção e o consumo passam a dar sentido às práticas e representações sociais. O consumo passa a ser uma necessidade simbólica que dá coesão e ordenação social. Ainda que se tente naturalizar o consumo dizendo que sempre consumimos, o consumo nunca teve o significado que está adquirindo agora.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas o aumento do consumo não deve ser encarado como um problema que pode ser resolvido pelo consumo ecologicamente correto. Substituir um tipo de consumo por outro mais moderado não será suficiente. A ecologia continua sendo uma perspectiva ajustada a uma cultura que defende a crença, expressa por Benjamin Friedman, de que o crescimento econômico é necessário para manter a paz social&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[6]&lt;/span&gt;. Se os ricos param de crescer, o sistema reage automaticamente, e os pobres estão na parte mais vulnerável da zona de impacto. É uma armadilha muito engenhosa. O sistema é construído para depender da aceleração do fluxo. Por isso alguns capitalistas defendem seu próprio crescimento como possibilidade de gerar emprego e investir no crescimento do país como um todo. Se nós paramos de circular dinheiro cada vez mais rápido, a situação poderá ficar pior. Quando você corre montanha abaixo criando avalanches, parar de correr deixa de ser uma opção segura. Ou você se torna parte da avalanche, ou é soterrado por ela. Decrescimento só é uma opção enquanto puder dinamizar ainda mais os negócios. Só vale a pena se ainda tiver algo a ser ganho&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[7]&lt;/span&gt;. Nessa sociedade, é meio difícil fazer alguma coisa funcionar fora da perspectiva da vantagem pessoal. E, no entanto, é somente fora dessa perspectiva que podemos resolver o problema do consumismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;7. A demanda por ecologia cresce junto com seu consumo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A “civilização do ter” parece querer gerar a “civilização do ser” a partir de si mesma, isto é, tratando o ser como uma regulação do ter. Mostrar o quanto você é ecologicamente correto se tornou algo necessário à sobrevivência da sua imagem social. A ecologia se uniu ao desenvolvimento pessoal. A mudança é quanto à base da economia. Agora falamos de energia, ao invés de falar apenas de matéria. As coisas mudam para continuar iguais.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pode ser que nesse caminho cheguemos ao trans-humanismo, uma transição das limitações do humano para o pós-humano, nem sempre no sentido biotecnológico. Se isto ocorrer, entraremos numa nova era ecológica, mas também numa nova era de degradação da natureza. Dessa vez, o alvo será a natureza da vida no seu sentido mais profundo. Fechamos uma porta e abrimos outra. Em nome da eficiência, o homem pode colocar em risco aquilo que tem de mais precioso.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A conclusão é que o problema do nosso modelo de produção e consumo não é que vivemos num planeta finito, mas que este modelo é alimentado por disposições mentais inerentemente insustentáveis. O planeta poderia ter recursos infinitos, e o mesmo problema surgiria: o crescimento da produção levaria ao consumismo, que por sua vez reduziria a vida ao consumo. Este modelo ameaça a vida com seu sucesso ou com seu fracasso. De certa forma, reconhecer que o planeta é finito pode ser muito útil para impedir que a força cega do mercado se destrua rápido demais pelo excesso de crescimento desgovernado. Mas essa consciência por si só não muda nossa disposição mental, apenas nos força a mudar os modos de apropriação para que o processo continue. Racionar os recursos não é o mesmo que sustentabilidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É muito fácil dizer que precisamos de uma nova cultura. Mas quando a cultura se torna um produto, e a mudança ocorre por meio de uma produção em massa de novas mentes, então a civilização venceu. Seria preciso mudar aquilo que produz a cultura em primeiro lugar. E voltaríamos ao mesmo problema. Essas coisas não se mudam sozinhas, e dizer que a educação tem que mudar é no fundo dizer que não temos a menor idéia de como mudar. A solução não pode ser simplesmente educar melhor. Educar em que sentido, se os professores também estão inseridos no processo? Quem vai educar os educadores? Não nos é apresentado nenhum meio viável para essa mudança quando tudo que se diz é: “Temos que preservar o meio-ambiente”. Se o problema é encontrar um modo ecológico de ganhar todo o dinheiro que é ganho com a devastação da natureza, então se trata apenas de uma questão de substituir os recursos de modo preservar o sistema econômico, e se possível o ecossistema. O problema central não deveria ser educar para preservação do meio ambiente enquanto fonte de recursos que alimentam a civilização, mas sim a preservação da natureza no seu sentido original. A degradação a partir da ação humana não poderia acontecer sem a degradação do homem e sem a degradação do conceito de natureza. Não é com base na economia que poderemos restaurar isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não se trata de afirmar simplesmente que “temos que nos tornar a mudança que queremos ver no mundo”, mas que temos que perceber que o modo como o mundo está mudando está afetando o modo como nós estamos mudando. O que, especificamente, eu deveria me tornar e que mudança eu quero ver no mundo? Aparentemente, continuamos consumindo diversas visões de mundo que não encontram um consenso sobre o problema humano. Elas podem ser coerentes com uma cultura que observa o problema do ponto de vista biológico, econômico, político, material ou pragmático, mas quando se fala de ser humano, o foco fica restrito às condições materiais para a manutenção da civilização. Se esse foco não mudar, não iremos muito longe.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&amp;nbsp;Citado por Marina Mezzacappa. Outro sistema é possível?&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&amp;amp;edicao=36&amp;amp;id=432" style="color: #4e7dbf; cursor: text; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial;"&gt;http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&amp;amp;edicao=36&amp;amp;id=432&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&amp;nbsp;Mais recentemente, a publicidade tem jogado toda essa responsabilidade nos agentes mais ingênuos, as crianças. Misturando fantasias de preservação com fantasias de consumo, esta estratégia é provavelmente a mais perversa forma de publicidade.&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.publicidadeinfantilnao.org.br/" style="color: #4e7dbf; cursor: text; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial;"&gt;http://www.publicidadeinfantilnao.org.br&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&amp;nbsp;Citado por Carlos Vogt. O consumidor e o consumido.&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&amp;amp;edicao=36&amp;amp;id=421" style="color: #4e7dbf; cursor: text; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial;"&gt;http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&amp;amp;edicao=36&amp;amp;id=421&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&amp;nbsp;Entre os muitos exemplos, destaca-se o adulto sem carro, sem casa própria e sem emprego fixo. Ainda que ele possa viver assim, continua sendo considerado o mais patético dos seres humanos, sendo prejudicado onde mais dói: nas relações afetivas.&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.pavablog.com/2010/10/05/patetico" style="color: #4e7dbf; cursor: text; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial;"&gt;http://www.pavablog.com/2010/10/05/patetico&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&amp;nbsp;Estas ideias não são propriamente minhas, mas a reproduzo com base no que aprendi com o autor do seguinte texto, Anderson Clayton Pires,&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.ultimato.com.br/conteudo/sociedade-do-glamour-e-etica-da-verdade" style="color: #4e7dbf; cursor: text; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial;"&gt;http://www.ultimato.com.br/conteudo/sociedade-do-glamour-e-etica-da-verdade&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&amp;nbsp;Citado por Ademar Ribeiro Romeiro. Crescimento econômico e meio ambiente.&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&amp;amp;edicao=36&amp;amp;id=435" style="color: #4e7dbf; cursor: text; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial;"&gt;http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&amp;amp;edicao=36&amp;amp;id=435&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[7]&lt;/span&gt;&amp;nbsp;E mesmo quando uma pessoa como Bill Gates doa 30 bilhões de dólares, isso não significa decrescimento nem desaceleramento da economia.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-6545772861138778378?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/6545772861138778378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=6545772861138778378' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/6545772861138778378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/6545772861138778378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2011/01/consumismo-ecologico.html' title='Consumismo ecológico'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-4140398458139273351</id><published>2011-01-10T20:39:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T06:35:35.866-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>O novo espírito da civilização</title><content type='html'>Versão final de "Civilização 2.0": &lt;a href="https://sites.google.com/site/janosbirozero/Antizero/textos-2/o-novo-esprito-da-civilizao"&gt;O novo espírito da civilização&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clique abaixo para ler o artigo completo:&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;b&gt;1. O monstro assimilador revisitado&lt;span&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Uma vez eu disse que o capitalismo é um monstro assimilador, um monstro capaz de assimilar para si tudo aquilo que é usado contra ele, absorvendo todos os discursos que usamos para criticá-lo e todas as ações que visam destruí-lo. Ele usa nossos conhecimentos e meios de ação para se fortalecer e expandir. Nossas estratégias e teorias são transformadas em algo que beneficie o modelo econômico capitalista, e isso é feito sem que nós percebamos ou até mesmo com o nosso consentimento. O processo de assimilação ocorre numa velocidade cada vez maior, porque a cada movimento assimilado ele aumenta sua capacidade de assimilar novos movimentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Mas o monstro assimilador não tem identidade definida. Por causa de sua habilidade de assimilação, ele está em constante mutação. Logo, ele não é exatamente capitalista, não é representado por este ou por aquele aspecto ou interesse, é uma mistura cada vez mais confusa de todas as coisas. O importante não é exatamente aquilo que o compõe, mas o seu arranjo. Ele pode ser composto de coisas que em si são muito boas, mas que participam de uma estrutura que num todo é insustentável. Essa estrutura não é fixa, mas fluída. Não é mecânica, mas orgânica. Não é linear, mas sistêmica. Comporta contradições sem que isso impeça seu funcionamento. O seu caos aparente revela uma complexa harmonia interna que mantém um número crescente de elementos em desarmonia. Isso dificulta a análise do processo, porque não sabemos distinguir onde a coisa começa e onde acaba.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Um exemplo de monstro assimilador aparece no filme Astro Boy (2009). Nele, uma tecnologia criada para a paz é usada para guerra, sai fora de controle, e acaba assimilando partes da utopia tecnológica que a criou para aumentar seu poder destrutivo, ameaçando toda a existência. No filme, a solução é deixar que o monstro assimile o herói, que contém em si a energia contrária ao do monstro. E quando as energias contrárias se juntam, elas se anulam, destruindo ambos. Você pode ver essa mesma ideia em muitas outras estórias e mitos. Mas essa solução não está disponível para nós, porque nosso monstro mistura energias opostas sem se destruir, pois ele não tem um fundamento definido. Ele consegue manter elementos contraditórios dentro de si sem deixar que eles se anulem, usando-os para gerar movimento, tal qual um pêndulo. Ele é contraditório, mas compreende a própria contradição, unindo a tese e a antítese numa síntese evolutiva. Isso é necessário para a sobrevivência de qualquer monstro assimilador pós-moderno.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;b&gt;2. A&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;ascensão da biocivilização&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Um dos discursos que a civilização assimilou é a crítica feita pelos movimentos que seguem uma visão ecológica e sistêmica da vida. Em 1982, no livro Ponto de Mutação, o físico Fritjof Capra usou uma visão orgânica para contrapor a visão cartesiana presente em vários aspectos da cultura. Essa visão seria a causa de nossos problemas sociais e ambientais. Para perceber como esse discurso foi assimilado, veja como ele é usado pelo economista Ignacy Sachs&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, criador do termo “eco-desenvolvimento”, que deu origem ao termo “desenvolvimento sustentável”, e é um dos maiores defensores da convergência entre ecologia e economia.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A proposta de Sachs é a emergência de uma nova civilização, a biocivilização. A biocivilização se baseia no uso de biocombustíveis e numa nova era de desenvolvimento rural. Já que a biomassa do planeta é limitada, deverá haver um equilíbrio entre produção de comida e geração de energia. O etanol será produzido a partir da celulose de resíduos florestais, graças ao uso de árvores de crescimento rápido que gastam menos água. Enfim, trata-se um aproveitamento racional e eficiente da biomassa. Uma vez que a fome não é causada pela falta de produção de alimentos, resolvê-la depende da distribuição das fontes de renda, e isso seria feito com a produção de biocombustíveis que, substituindo o petróleo, se tornariam uma fonte de riqueza inestimável. Contudo, isso exige que o foco do desenvolvimento recaia sobre o campo, e não mais sobre a cidade. Portanto se trata do fim da era urbana e industrial, e um retorno à agricultura familiar, que resolveria os problemas de emprego e renda, graças a uma nova revolução verde&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Para que isso seja alcançado também seria necessário que os interesses da “segurança alimentar” e da “segurança energética” não sejam submetidos aos interesses de indústrias como a petrolífera e a automobilística, por exemplo. Mas como isso poderia ser feito? A sociedade deveria controlar o mercado, criando sistemas integrados de produção de alimento e energia. Segundo Sachs, o Brasil poderia ser um pioneiro nessa área. Para isso, seria preciso obrigar o Estado a unir os interesses sociais aos ambientais. Seria preciso resolver o conflito entre sociedade e Estado, o que pode ser bem mais complexo do que Sachs faz parecer.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;A visão de progresso expressa por Sachs coloca os caçadores e coletores no primeiro degrau de uma escalada para eficiência na produção de comida e energia. Enquanto as técnicas de produção avançavam, passando pela agropecuária e pela era dos combustíveis fósseis, os danos ambientais também aumentavam. Mas na biocivilização isso não vai mais acontecer, porque há um retorno para a fonte primária, a energia do Sol. Teremos veículos mais leves e poderemos conciliar a mobilidade com o desenvolvimento local. Pelo menos é assim que ele espera que aconteça. Não há nenhuma evidência segura de que isso sequer seja possível. Pelo que sabemos, nenhuma alternativa é tão eficiente e versátil quanto o petróleo. E mesmo que isso seja alcançado, a questão parece reduzida à economia. Tudo que importa são as condições econômicas para manter um processo progressivo. Nenhuma palavra é dita sobre qual é o sentido desse processo.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;3. Origens da biocivilização&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;É fácil perceber a relação desse discurso com as idéias de Capra: “A nova cultura que está emergindo compartilha uma visão de realidade que ainda está sendo discutida e explorada, mas que se consolidará finalmente como um novo paradigma, destinado a eclipsar a visão de mundo cartesiana em nossa sociedade”&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Capra fala de uma visão que tem o destino de se tornar global. Trata-se de uma crença no progresso, segundo a qual a civilização transcende sua forma atual e alcança um novo “estágio evolutivo” que promete nos dar tudo o que desejamos. Em outras palavras, é uma abordagem historicista, na qual a história conspira pelo bem da civilização. A mudança será um resultado inevitável do desenvolvimento histórico do próprio capitalismo. O agente da mudança é a própria sociedade. Mas essa mudança de paradigma depende de uma aceitação prévia de novos pressupostos, que não podem ser derivados da visão anterior, porque esta não os comporta. O velho paradigma teria gerado os males do nosso mundo, e por isso pode ser descartado em prol de uma “mudança de mente”. Afinal, a verdade depende de um determinado momento histórico, e não existe por si mesma. Quem discordar disso estará sendo um ideólogo reacionário.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;A revolução cultural gera uma nova visão de mundo que não precisa ser comprovada, porque não se considera como uma verdade objetivamente válida, mas é apenas uma nova visão de mundo. Ela mesma afirma que não há verdades objetivamente válidas, e por isso não pode ser criticada com argumentos. O fato de ser uma nova visão é suficiente para que ela se justifique. Essa visão abandonou as referências universais, o que restou é o ponto de vista individual. Nada de substantivo pode ser dito sobre aquilo que não se manifesta fenomenologicamente ao indivíduo. A distinção entre verdadeiro e falso é substituída pela distinção entre adequado e inadequado em relação ao novo quadro conceitual. A crítica a esse esquema enfrenta a enorme dificuldade de demonstrar qual a distinção entre conhecimento válido e opinião pessoal, para aqueles que partem do ponto de vista de que “o homem é a medida de todas as coisas”. Por fim, a revolução cultural seria um fluxo constante de diferentes momentos históricos que se conjugam um após o outro, formando um presente eterno. Toda a esperança é depositada no desenvolvimento tecnológico, que às vezes é chamado de “criatividade” ou “capacidade humana de superação dos limites impostos pela natureza”.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;b&gt;4. A autopoiese como nova visão de mundo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Se quisermos identificar o fundamento dessa nova forma de ver o mundo, deveríamos olhar para o conceito de autopoiese&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Este é provavelmente o conceito científico mais importante para o novo espírito da civilização, e só pode ser entendido a partir do pensamento complexo, que leva em conta a relação entre o todo e as partes. Ele indica uma nova forma de estudar os fenômenos biológicos, vendo os seres-vivos como seres que produzem sua própria existência de modo dinâmico, num processo de ‘autonomia dependente’, isto é, sua autonomia é dada pelo meio do qual dependem. Este conceito acaba influenciando não apenas a biologia, mas uma nova visão do homem e da sociedade, numa era que trocou a física pela biologia.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Segundo Maturana e Varela, o organismo é determinado por sua estrutura, mas esse determinismo estrutural não significa que o organismo seja pré-determinado. Ao contrário, sua identidade está na sua organização. A organização determina a percepção da realidade. Por isso, não se pode mais falar de conhecimento objetivo. O conhecimento objetivo só se garantia com base na obediência a uma autoridade. A valorização do raciocínio lógico só teria servido para manter uma estrutura de poder e para separar o ‘eu’ do mundo, criando uma visão fragmentada. A visão sistêmica sugere que a verdade não é a mesma para todos, porque ela depende da percepção de um determinado ponto de vista num determinado momento. Tudo está em mutação. A mudança do indivíduo e a mudança do meio se correspondem, sendo que nenhum tem prerrogativa sobre o outro. Apesar de cada individualidade perceber uma realidade diferente, o diálogo entre dois indivíduos é possível porque eles partilham um contexto consensual, isto é, são pares estruturados.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O diálogo entre um par estruturado é diferente de uma simples transmissão ou transferência de informações. Os indivíduos se entendem porque a conduta de um combina com a conduta do outro, pois as estruturas de ambos são comunicantes. Nenhum deles dita normas de conduta ao outro. Na natureza não haveria obediência incondicional. As semelhanças de conduta seriam determinadas pelas semelhanças de estrutura, já que o comportamento é determinado pela estrutura. Isso garantiria a autonomia dos indivíduos e excluiria a necessidade de submissão ou determinação exterior, isto é, coerção. Essa seria a base de rejeição ao domínio de uma estrutura social vigente, vista como algo que impede a autonomia dos indivíduos.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;b&gt;5. Autopoiese como princípio&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Segundo a teoria de Maturana e Varela, os humanos produzem subjetividade por estímulos condicionantes. De algum modo, eles criam a violência contra a autopoiese, contra a dinâmica da vida. A teoria evolucionista aplicada à sociedade serviu apenas para colocar a espécie acima do indivíduo. Mas a fenomenologia biológica da autopoiese coloca o indivíduo no centro, defendendo que não há indivíduos “descartáveis”, porque todos podem ser úteis ao todo. O princípio hierárquico de sistemas que contém outros sistemas possibilitaria a compreensão da complexidade da vida. A autopoiese individual é por isso compreendida como subordinada à autopoiese social. Mas negar a autopoiese da parte seria negar a autopoiese do todo, por isso não faria sentido dizer que a preservação do social tem precedência sobre a preservação do indivíduo. Ao contrário, a sociedade só pode ser autopoiética se satisfazer a autopoiese dos seus membros. Qualquer sistema que descarte membros produtivos seria patológico. Mas se um membro se torna improdutivo, quer dizer que perdeu sua autopoiese. Há aí uma valorização da eficiência e da produtividade.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;De acordo com os defensores dessa tese, se você não concorda com essa visão mundo, é apenas porque foi condicionado pelo pensamento linear, não aprendeu a pensar complexamente, e por isso não tem condições de perceber as coisas dessa forma. Você também perdeu sua autopoiese. As ideias têm que combinar com o paradigma, não a realidade objetiva, mesmo porque, de acordo com o próprio paradigma, nem sequer existe realidade objetiva. A realidade não é a mesma para todos. Esta circularidade justifica tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A velha cultura seria competitiva e excludente, a nova cultura seria integradora e inclusiva. A nova cultura, assim como o novo capitalismo, defende a matemática do “jogo de soma não nula”, isto é, a vitória de um não depende da derrota de outro. Podemos todos vencer, podemos todos ter qualidade de vida. Filosoficamente, se trata da aceitação da doutrina da síntese dos contrários, que sustenta a filosofia do progresso mútuo, quantitativo e qualitativo, mas sem base objetiva. A única base é o próprio potencial aparentemente infinito do homem.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A nova cultura inspira competência e não competição. Ao invés de lutar contra os outros, a luta pela sobrevivência seria uma luta para superar contingências. Seus defensores esperam que a mudança cultural leve a um auto-aperfeiçoamento individual. Quer dizer que podemos criar uma cultura em que todos os avanços possam ser usados para o bem da humanidade, basta sabermos lidar com o risco crescente e com a mudança contínua, o assim chamado “fluxo da vida”. O critério de competência não seria excludente porque a competência é um fator estrutural, que depende de um momento específico e não de uma verdade eterna. Logo, não importa quem você é, mas sim como você está. Isto reabre as possibilidades de progresso individual, e suporta as teses da micro-revolução ou revolução pessoal. Se não conseguirmos nos adaptar a tal fluxo da vida... Bem, não será culpa de ninguém, é só azar. Mas a força que faz o fluxo da vida correr cada vez mais rápido é a mesma que fragiliza as relações humanas e nos leva à desintegração por um processo acelerado de desestruturação e reestruturação.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;b&gt;6. Fluidez como novo imperativo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Como se trata de uma síntese dos contrários, a nova cultura não descarta nada. Ela cria uma mistura confusa de discursos que não chegam a nenhum consenso senão o de que não há consenso. O novo paradigma valoriza essa fluidez como sendo necessária. Nossa sociedade seria um aspecto patológico da vida exatamente porque valorizou o que é estático, e não o que é dinâmico. Todas essas ideias são apenas frutos do desenvolvimento da própria cultura civilizada, passando do seu estágio moderno ou sólido para seu estágio pós-moderno ou líquido&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Este pretenso equilíbrio destrói o significado autêntico das coisas que ele tenta unir.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Essas ideias fundamentam não apenas a pseudo-ecologia, mas também a ecologia a ecologia integral e a ecologia profunda, que influenciam um novo paradigma político e econômico. O social é defendido a partir da autonomia individual. A nova cultura é um produto do liquidificador da pós-modernidade, e é a base para o discurso da biocivilização.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Aldous Huxley estava interessado na liberdade. Ele compreendia que o Estado poderia dominar corpo e mente, fazendo o indivíduo amar a servidão por meio de reforço positivo (prazer) e hipnopedia (aprendizado inconsciente). Ele estava interessado em distinguir o verdadeiro do falso, mas não deu nenhum critério senão o pragmático. Falou sobre a possibilidade de que a ciência e a tecnologia sejam colocadas a serviço do homem, que um paradigma biológico substitua o físico e que a mística substitua a fé. Enfim, que a eficiência substitua a tradição, e isso é facilmente considerado como verdadeiro por mentes que são herdeiras do iluminismo. Ele foi um visionário da nova civilização. Por exemplo, veja como a fragilização dos laços sociais combina com a proposta dos Clubes de Adoção Mútua no romance A Ilha: “Os nossos sociólogos chamam a isso de hibridação de micro-culturas e dizem que os efeitos são tão bons quanto aqueles que permitem a obtenção de diferentes variedades de milho ou de galinha”&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Huxley queria misturar o melhor dos dois mundos, ocidental e oriental. Acontece que, em termos de crítica à civilização, isso faz pouca diferença. Mas esse discurso está por trás do ideal de Capra, quando este defende, por exemplo, o consumo de orgânicos e de alimentos integrais porque a agroindústria fez o agricultor perder a liberdade e a criatividade no processo de produção, ficando restrito a reproduzir técnicas e modelos escolhidos por outras pessoas. É o problema da autonomia e impondo-se como causa de todos os&amp;nbsp;outros. O problema seria o desequilíbrio entre os contrários, Yin e Yang, como exposto no seu Tao da física. O produto orgânico representa um uso mais eficiente da energia, e logo podemos constatar que Capra crê numa relação direta entre autonomia e eficiência energética, justamente como prega o paradigma da autopoiese, que por sua vez é resultado do desenvolvimento de uma cultura naturalista que tem por resultado a biocivilização.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;É preciso notar que todas essas questões, tais como a instabilidade, o hibridismo, o nomadismo e a descentralização são produtos do desenvolvimento da civilização. Se em algum momento nós fomos separados de alguns desses elementos, somos agora reintegrados a eles por meio das relações artificialmente criadas num novo estágio da cultura civilizada. Quer dizer que o que é aceito de volta é aquilo para o qual se criou um espaço dentro da civilização onde aquilo pudesse permanecer “civilizado”&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;b&gt;7. Relações entre o monstro assimilador e visão sistêmica&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Revisando o conceito de monstro assimilador como um processo sem identidade definida, podemos fazer a relação entre aquilo que a civilização se tornou no presente, seu processo de desenvolvimento e a visão de mundo pressuposta nos conceitos biológicos que ganharam espaço nas últimas décadas. O conhecimento necessário para manter esse processo funcionando parece diminuir, na medida em que o processo começa a ganhar a autonomia de uma máquina programada para reproduzir, gerenciar, corrigir e modificar a si mesma. O monstro está em constante mutação. Significa que qualquer dos seus elementos pode ser criticado sem ameaçar o todo. O que ele não pode criticar é seu próprio arranjo, ou seja, sua estrutura adaptativa.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Tal como os seres-vivos vistos sob a teoria da complexidade, a identidade do monstro não está na sua composição, mas na sua organização dinâmica. Ele não está externamente determinado, mas é determinado por sua própria estrutura, que é mantida por indivíduos. Não quer dizer que a civilização seja equivalente a um organismo vivo, mas que se apropriou desse modelo assim como nós nos inspiramos na natureza para criar as máquinas. Não apenas imitamos o funcionamento, mas assimilamos as capacidades e habilidades da natureza para expandir nosso próprio poder. Por outro lado, devemos também considerar a hipótese de que os conceitos com os quais compreendemos os fenômenos vivos tenham sido, de certa forma, influenciados pelo desenvolvimento da cultura civilizada.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Certamente a civilização possibilita coisas boas. A questão é o que sustenta essas coisas na estrutura da civilização. Elas podem ser resultados de um mau uso das nossas capacidades. Sendo uma estrutura fluída, é cada vez mais difícil determinar isso. Ela chega a um grau de complexidade em que passa a depender de um caos crescente para manter-se de pé.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;De certa forma, a civilização não começa há 10 ou 12 mil anos atrás, ela começa no momento em que essas ideias entram na cabeça de alguém. Determinar o ponto histórico em que essas ideias começaram a surgir não é tão importante quanto compreender como elas se reproduzem atualmente, já que a causa não é simplesmente material. A civilização é um sistema de crenças. Ela toma controle, como um vírus, de nossas funções vitais, e as transforma em funções domesticadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Lovelock e John Gray&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[8]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;tendem a ver o homem como uma praga natural ao invés de criticar a civilização. Eles não negam que o homem faz parte da natureza como qualquer outro animal, nem que ele está degradando o meio em que vive. Para eles, o homem não está doente, nem é a fonte da doença. O homem é a própria doença. Se tudo é natural, a civilização também é natural. Mas pragas naturais são úteis à natureza. Se seguirmos essa linha de raciocínio, diremos que homem é regido por suas vontades, e suas vontades são expressões de suas necessidades. Ele não pode evitar a degradação do meio porque é primariamente egocêntrico. Logo, é preciso ser cético quanto à crença de que o conhecimento possa levar ao bem, ou de que a crença em algo transcendente seja mais do que um consolo. Se o conhecimento humano não leva ao bem, nada pode levar. Se a crença em algo transcendente não melhora a nossa situação mundana, então ela não serve para nada. Só podemos retardar o inevitável. E o corolário dessa linha raciocínio é que a vida não tem sentido. Isso é o que acontece quando se deposita todas as esperanças no homem.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;b&gt;8. Conclusão: Seu sistema foi atualizado.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Provavelmente o leitor poderá levantar muitas objeções quanto à minha afirmação de que o paradigma sistêmico já foi absorvido pelo monstro assimilador. Em primeiro lugar, isso não significa que eu despreze este paradigma. Não significa que você pode ser ignorante em relação a ele, mas o contrário, que você precisa conhecê-lo para compreender o atual estágio da civilização.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Eu estou apontando uma solução, mas não uma solução para a civilização, porque ela faz parte do problema. Não é a civilização que está doente, nem o homem é a doença, mas é o homem que está doente, sua doença afeta o resto do mundo, e a civilização é o sintoma dessa doença. Minha sugestão inicial é que se critique a civilização desde seus pressupostos mais básicos. Se ao invés disso atacamos somente este ou aquele aspecto, vamos apenas fazer parte da fluidez pós-moderna. Parece que as pessoas não querem uma solução para a civilização como um todo, porque isso seria “jogar fora o bebê junto com a água suja”. É como se não pudéssemos evitar, como se a civilização fosse existencialmente necessária ao homem, ou como se o homem autêntico fosse o homem civilizado. O verdadeiro motivo parece ser o medo de perder confortos com os quais já nos acostumamos. O erro é justamente pagar qualquer preço para preservar aquilo que é dispensável. A civilização é a fonte de benefícios injustos que ninguém quer abrir mão.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Hoje em dia, você raramente vai encontrar alguém que não se preocupa com a questão ecológica. No máximo, verá empresários preocupados em ver seu crescimento ameaçado por causa de defensores do meio-ambiente. Eles acreditam que a ecologia não pode impedir o crescimento econômico, porque a crise econômica pode atingir a todos e piorar as coisas. Mas o movimento ecológico também acredita nisso. O problema para os novos ecologistas se resume ao uso eficiente da energia, então não há porque prejudicar a economia, mas ao contrário, sustentabilidade pode ser um bom negócio. Sempre vai haver alguém para nos lembrar que uma coisa não impede a outra, podemos lucrar preservando, basta pensar diferente. O ser humano é tão criativo, com certeza ele inventará um modo de fazer o que deseja sem destruir o planeta.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Por outro lado a civilização é oriental o suficiente para não se apegar a nada. Até a necessidade de crescimento pode ser passageira, como indicam os recentes movimentos pelo decrescimento&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[9]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. O monstro não é capitalista, ele simplesmente é. Mesmo o crescimento não é mais importante que o desenvolvimento e a própria superação do estágio atual. As pessoas têm criticado o progresso quantitativo, mas não o qualitativo. O novo espírito da civilização não rejeita nada, ele combina suas necessidades com aquilo que há de mais atraente, aquilo que achamos que há de melhor em nós. Ele é jovem, rápido, inteligente, divertido, interativo... É um show de comédia de improviso. Ele vai interpretar qualquer papel para te impedir de vê-lo pelo que ele realmente é.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;“Só há uma coisa a fazer: você tem que escolher”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;*&lt;/span&gt;&amp;nbsp;A primeira vez que eu usei o termo “monstro assimilador” foi num artigo chamado “Como matar um monstro assimilador”, do livreto “&lt;a href="http://largue.wikispaces.com/file/view/Por+uma+mudanca.pdf" style="color: #4e7dbf; cursor: text; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial;" target="_blank"&gt;Por uma mudança&lt;/a&gt;”, publicado em 2007, mas escrito alguns anos antes. O seguinte artigo está embasado no que aprendi desde então, principalmente com o autor do artigo “&lt;a href="http://www.teologiaycultura.com.ar/arch_rev/vol_10/5_TyC_6-10_AndersonClaytonPires-Crise-do-capitalismo-global-e.pdf" style="color: #4e7dbf; cursor: text; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial;" target="_blank"&gt;Crise do capitalismo global e o ethos da pleonexia&lt;/a&gt;”, Anderson Clayton Pires.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;As biocivilizações do futuro e o potencial brasileiro. Entrevista com Ignacy Sachs.&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.ecodebate.com.br/2009/03/05/as-biocivilizacoes-do-futuro-e-o-potencial-brasileiro-entrevista-com-ignacy-sachs/" style="color: #4e7dbf; cursor: text; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial;"&gt;http://www.ecodebate.com.br/2009/03/05/as-biocivilizacoes-do-futuro-e-o-potencial-brasileiro-entrevista-com-ignacy-sachs/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;A revolução verde foi provavelmente ainda pior que a revolução industrial em termos de impacto ambiental. Querer uma nova mudança dessas é ignorar que as soluções civilizadas parecem ser&amp;nbsp;&lt;i&gt;ouroboros&lt;/i&gt;, isto é, soluções que geram mais problemas.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;CAPRA, Fritjof. O ponto de mutação. Editora Cultrix, 1982, p. 255.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;MARIOTTI, H. 1999. Autopoiese, Cultura e Sociedade.&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.geocities.com/pluriversu/autopoies.html" style="color: #4e7dbf; cursor: text; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial;"&gt;http://www.geocities.com/pluriversu/autopoies.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;"A modernidade da qual estamos saindo era negadora; a supermodernidade é integradora. Não mais a destruição do passado, e sim sua reintegração, sua reformulação no quadro das lógicas modernas do mercado, do consumo e da individualidade. Quando até o não moderno revela a primazia do eu e funciona&amp;nbsp;segundo um processo pós-tradicional, quando a cultura do passado não é mais obstáculo à modernização individualista e mercantil, surge uma fase nova da modernidade." (LIPOVETSKY, Gilles. Os tempos hipermodernos. Trad. Mário Vilela. São Paulo: Barcarolla, 2004. p. 57-58)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;HUXLEY, Aldous. A Ilha. São Paulo: Globo, 2001, p. 149.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;"As experiências de tempo e espaço movediços e polimorfos, as&amp;nbsp;incertezas políticas, as mestiçagens étnicas, o nomadismo do&amp;nbsp;desejo, os hibridismos culturais, os descentramentos da identidade&amp;nbsp;produzidos pelas sombras do outro estão de tal modo entranhados&amp;nbsp;na constituição da nossa cultura que pouca ebulição os debates&amp;nbsp;pós-modernos estavam fadados a produzir em nós." (SANTAELLA, Lucia. Culturas e artes do pós-humano: da cultura das mídias à cibercultura. São Paulo: Paulus, 2003. p. 70)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[8]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;“A destruição do mundo natural não é resultado do capitalismo global, da industrialização, da ‘civilização ocidental’ ou de quaisquer falhas em instituições humanas. É a consequência do sucesso evolucionário de um primata excepcionalmente rapace.” (GRAY, John N. Cachorros de palha: Reflexões sobre humanos e outros animais. Record, 2005, p. 23)&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[9]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;Ver o texto “Gordura e crescimento”, de Cristovam Buarque.&amp;nbsp;&lt;a href="http://mentenovacuo.blogspot.com/2010/11/gordura-e-crescimento.html" style="color: #4e7dbf; cursor: text; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial;"&gt;http://mentenovacuo.blogspot.com/2010/11/gordura-e-crescimento.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-4140398458139273351?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/4140398458139273351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=4140398458139273351' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/4140398458139273351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/4140398458139273351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2010/12/o-novo-espirito-da-civilizacao.html' title='O novo espírito da civilização'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-5049337593423209518</id><published>2010-12-28T10:43:00.000-08:00</published><updated>2011-02-15T20:52:11.549-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Consumismo'/><title type='text'>A demanda por ecologia cresce junto com seu consumo</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: -webkit-auto;"&gt;&lt;b&gt;Consumindo ecologia - Parte 7 de 7&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;A “civilização do ter” parece querer gerar a “civilização do ser” a partir de si mesma, isto é, tratando o ser como uma regulação do ter. Mostrar o quanto você é ecologicamente correto se tornou algo necessário à sobrevivência da imagem social do indivíduo. A ecologia se uniu ao desenvolvimento pessoal. A mudança é quanto à base da economia. Agora falamos de energia. Pode ser que nesse caminho cheguemos ao trans-humanismo, uma inevitável transição das limitações do humano para o pós-humano, nem sempre no sentido biotecnológico. Se isto ocorrer, entraremos numa nova era ecológica, mas também numa nova era de degradação da natureza. Dessa vez, o alvo será a natureza da vida no seu sentido mais profundo. Fechamos uma porta e abrimos outra. Em nome da eficiência, o homem pode colocar em risco aquilo que tem de mais precioso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A conclusão é que o problema do nosso modelo de produção e consumo não é que vivemos num planeta finito, mas que este modelo é alimentado em disposições mentais inerentemente insustentáveis. O planeta poderia ter recursos infinitos, e o mesmo problema surgiria: o crescimento da produção levaria ao consumismo, que por sua vez reduziria a vida ao consumo. Este modelo ameaça a vida com seu sucesso ou com seu fracasso. De certa forma, reconhecer que o planeta é finito pode ser muito útil para impedir que a força cega do mercado se destrua rápido demais pelo excesso de crescimento desgovernado. Mas essa consciência por si só não muda nossa disposição mental, apenas nos força a mudar os modos de apropriação para que o processo continue.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; É muito fácil dizer que precisamos de uma nova cultura. Mas quando a cultura se torna um produto e a mudança ocorre por meio de uma produção em massa de novas mentes, então o inimigo venceu. Seria preciso mudar aquilo que produz a cultura em primeiro lugar. E voltaríamos ao mesmo problema. Essas coisas não se mudam sozinhas, e dizer que a educação tem que mudar é no fundo dizer que não temos a menor idéia de como mudar. A solução não pode ser simplesmente educar melhor. Educar em que sentido, se os professores também estão inseridos no processo? Quem vai educar os educadores? Não nos é apresentado nenhum meio viável para essa mudança quando tudo que se diz é: “Temos que preservar o meio-ambiente”. Se problema é encontrar um modo ecológico de ganhar todo o dinheiro que é ganho com a devastação da natureza, então se trata apenas de uma questão de substituir os recursos de modo a gerar uma maior vantagem econômica. Mas o problema central não é educar para preservação do meio ambiente enquanto fonte de recursos que alimentam a civilização, mas sim a preservação da natureza no seu sentido original. A degradação a partir da ação humana não poderia acontecer sem a degradação do que há dentro do homem e sem a degradação do conceito de natureza. Não é com base na economia que poderemos restaurar isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na se trata de afirmar simplesmente que “temos que nos tornar a mudança que queremos ver no mundo”, mas que temos que perceber que o modo como o mundo está mudando está afetando o modo como nós estamos nos tornando. O que, especificamente, eu deveria me tornar e que mudança eu quero ver no mundo? Aparentemente, continuamos consumindo diversas visões de mundo que não encontram um consenso sobre o problema humano. Elas podem ser coerentes com uma cultura que observa o problema do ponto de vista biológico, econômico, político, material ou pragmático, mas quando se fala de ser humano, o foco fica restrito às condições materiais para a manutenção da civilização. Se esse foco não mudar, não iremos muito longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Atualizado em 2011)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-5049337593423209518?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/5049337593423209518/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=5049337593423209518' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/5049337593423209518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/5049337593423209518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2010/12/demanda-por-ecologia-cresce-junto-com.html' title='A demanda por ecologia cresce junto com seu consumo'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-7642318444035149337</id><published>2010-12-25T19:55:00.000-08:00</published><updated>2011-02-15T20:52:11.550-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Consumismo'/><title type='text'>Produzir para consumir para produzir para consumir...</title><content type='html'>&lt;b&gt;Consumindo ecologia - Parte 6 de 7&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Embora o trabalho seja visto como algo que dignifica o homem, a maior parte do trabalho visa cobrir gastos fúteis, sejam seus ou do seu empregador, e não a subsistência do homem. O que significa que a maior parte do trabalho dignifica apenas a insensatez humana, pois é a parte que alimenta o consumismo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O consumo invade todos os aspectos da sociedade. Nós passamos a consumir pessoas ao invés de nos relacionar com elas. Consumimos ideias ao invés de aprender. Nós nos aproximamos dos outros e demonstramos nosso amor por meio do consumo. Nossa memória é significada pelos produtos que consumimos. Enfim, todas as relações passam a ser mediadas pelo consumo. A produção e o consumo passam a dar sentido às práticas e representações sociais. O consumo passa a ser uma necessidade simbólica que dá coesão e ordenação social. Que ninguém tente naturalizar o consumo dizendo que sempre fomos consumidores, porque o consumo nunca teve o significado que está adquirindo agora.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas o aumento do consumo não deve ser encarado como um problema que pode ser resolvido pelo consumo ecologicamente correto. Substituir um tipo de consumo por outro mais moderado não será suficiente. A ecologia continua sendo uma perspectiva ajustada a uma cultura que defende a crença, expressa por Benjamin Friedman, de que o crescimento econômico é necessário para manter a paz social&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Se os ricos param de crescer, o sistema reage automaticamente, e os pobres estão na parte mais vulnerável da zona de impacto. É uma armadilha muito engenhosa. O sistema é construído para depender da aceleração do fluxo. Por isso alguns capitalistas defendem seu próprio crescimento como possibilidade de gerar emprego e investir no crescimento do país como um todo. Se nós paramos de circular dinheiro cada vez mais rápido, a situação poderá ficar realmente pior. Quando você corre montanha abaixo criando avalanches, parar de correr deixa de ser uma opção segura. Ou você se torna parte da avalanche, ou é soterrado por ela. Decrescimento só é uma opção enquanto puder dinamizar ainda mais os negócios. Só vale a pena se ainda tiver algo a ser ganho&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Nessa sociedade, é meio difícil fazer alguma coisa funcionar fora da perspectiva da vantagem. E, no entanto, é somente fora dessa perspectiva que podemos resolver o problema do consumismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote-list;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div id="ftn1" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; Citado por Ademar Ribeiro Romeiro. Crescimento econômico e meio ambiente. &amp;nbsp;&lt;a href="http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&amp;amp;edicao=36&amp;amp;id=435"&gt;http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&amp;amp;edicao=36&amp;amp;id=435&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="ftn2" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; E mesmo quando uma pessoa como Bill Gates doa 30 bilhões de dólares, isso não significa decrescimento nem desaceleramento da economia.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote-list;"&gt;&lt;br /&gt;(Atualizado em 2011)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-7642318444035149337?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/7642318444035149337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=7642318444035149337' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/7642318444035149337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/7642318444035149337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2010/12/produzir-para-consumir-para-produzir.html' title='Produzir para consumir para produzir para consumir...'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-2510134117388482779</id><published>2010-12-23T04:22:00.001-08:00</published><updated>2011-02-15T20:52:11.550-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Consumismo'/><title type='text'>Você é o produto</title><content type='html'>&lt;b&gt;Consumindo ecologia - Parte 5 de 7&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Eu creio que pouca atenção tem sido dada para a saúde psicológica das pessoas em relação ao consumo, especialmente porque um dos “sonhos de consumo” das pessoas é se tornar um modelo de consumo para os outros. É isso que o marketing pessoal sugere: venda-se. As pessoas precisam querer ser você. Mas o efeito de ser um produto é extremamente deturpador. Uma análise das biografias de pessoas que tiveram essa experiência é suficiente para revelar isso. Ainda assim, pouca atenção é dispensada para o vetor de propagação dessa doença: as personalidades famosas. A vida para o consumo, ou a vida para ser consumido, é considerada boa por causa da abundância de consumo, como se nada pudesse ser pior do que não poder consumir. Esta ideia indica que a maior importância é sempre dada ao consumo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; As pessoas submetidas a uma rotina de estrela estão perdendo muito mais do que ganhando, porque as pessoas vão simplesmente consumi-las e jogá-las fora. Temos que pensar nos danos que estão sendo provocados pela publicidade, não só ao público alvo, mas também aos que estão sob as luz dos holofotes e flashs da câmera, e todos aqueles que anseiam estar. Não para tentar obrigar as pessoas a se afastar dessas coisas, o que de todo modo seria impossível, mas para não perpetuar um discurso que naturaliza essas coisas, que não dá discernimento sobre a gravidade das doenças que nascem nesse meio. Repensemos sobre o suporte que damos, e o modo como esperamos ansiosos para poder consumir pessoas. Consumimos a beleza de pessoas que são modelos de beleza, e nesse processo rejeitamos a nós mesmos&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote-list;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div id="ftn1" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; Esta idéia, como todas que eu apresento aqui, não é minha, mas a reproduzo com base no que aprendi com o autor do seguinte texto: &lt;a href="http://www.ultimato.com.br/conteudo/sociedade-do-glamour-e-etica-da-verdade"&gt;http://www.ultimato.com.br/conteudo/sociedade-do-glamour-e-etica-da-verdade&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;(Atualizado em 2011)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-2510134117388482779?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/2510134117388482779/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=2510134117388482779' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/2510134117388482779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/2510134117388482779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2010/12/voce-e-o-produto.html' title='Você é o produto'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-851340033336865954</id><published>2010-12-21T10:24:00.001-08:00</published><updated>2011-02-15T20:52:11.551-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Consumismo'/><title type='text'>Consumose é uma doença contagiosa</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;b&gt;Consumindo ecologia - Parte 4 de 7&lt;/b&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;Deveríamos considerar seriamente o impacto psicossocial do ato aparentemente inocente de levar uma criança às compras, ao shopping ou ao supermercado. Lá ela estará exposta a um ambiente repleto de agentes simbólicos infecciosos, e sem proteção alguma ela será um alvo fácil. De fato, ela é o alvo mais visado pelas campanhas publicitárias, porque sua resistência à indução de desejos de consumo é muito baixa. É comum ver pais brigando com seus filhos enquanto estes berram e esperneiam por causa de um produto, como se não valesse a pena viver sem poder consumir aquele produto. Esta é exatamente a ideia que foi introduzida nas mentes deles por meio da propaganda. Os publicitários montam um esquema astucioso para diminuir nossa capacidade de pensar, ainda que eles mesmos não percebam que fazem isso. Nós não deveríamos expor crianças a um ambiente que as adoece, mas sendo isso quase inevitável, devemos pelo menos prepará-las para isso. Elas não são culpadas por sentirem esse desejo avassalador de consumir, pois esse ambiente foi criado para gerar esse comportamento obsessivo. Nós adultos só nos comportamos melhor porque já nos acostumamos, pelo excesso de exposição ao agente infeccioso. Este tipo de ambiente produz desorientação tal como o consumo de álcool, porque ao pisar numa loja já estamos consumindo crenças.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;O ambiente de um grande supermercado ou shopping é construído para atingir os pontos fracos da psicologia humana. A abundância de produtos pode ser desconcertante para nossa mente, e é capaz de fazer uma pessoa desistir de todo tipo de comedimento, instigando a cobiça. A cultura consumista fica o tempo todo sussurrando nos nossos ouvidos a crença de que você é o que você compra. Aceitando essa crença, o consumo adquire um significado existencial. Uma pessoa pode passar a literalmente viver para e pelo consumo, perdendo aos poucos as características morais que a tornam humana.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;(Atualizado em 2011)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-851340033336865954?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/851340033336865954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=851340033336865954' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/851340033336865954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/851340033336865954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2010/12/consumose-e-uma-doenca-contagiosa-que.html' title='Consumose é uma doença contagiosa'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-589554156566625882</id><published>2010-12-19T06:37:00.000-08:00</published><updated>2011-02-15T20:52:11.551-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Consumismo'/><title type='text'>Economizando a natureza</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Consumindo ecologia - Parte 3 de 7&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Talvez esteja sendo gerada a crença de que se investirmos uma parte do nosso lucro para a preservação da natureza, então nós vamos prosperar ecológica e economicamente. O discurso eco-econômico diz que a preservação da natureza só será possível quando os bens naturais forem contabilizados como parte do capital. Ou seja, a ecologia só passa a ser possível dentro do discurso econômico. É isso que está acontecendo quando se fala de créditos de carbono, pegada ecológica, capital natural... Estabelecemos uma relação economicamente racionalizada com a natureza enquanto fonte de recursos materiais. O emblema desse eco-capitalismo é o planeta sendo segurado por mãos humanas, que provavelmente representa uma crença humanista.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A figura central da revolução ecológica é o consumidor. Quem é o consumidor? O consumidor não é uma pessoa, é um papel assumido por uma pessoa. O papel de consumidor consciente ou do cidadão ambientalmente responsável é encarnado por uma pessoa, mas é apenas mais um estilo de vida, que como qualquer produto cultural, é propagado por uma indústria que explora esse segmento de mercado. A cultura incentiva uma mudança social útil e necessária ao atual estágio civilizatório: substitui o pouco que resta dos valores humanos por direitos e deveres do consumidor. Propaga uma ética da eficiência, que ignora o que é fazer o bem, e se concentra em consumir bem. Transforma toda sabedoria ancestral em sabedoria para consumir bem, que é confundido com viver bem. Atribui-se uma responsabilidade meramente nominal a um sujeito que não recebeu condições para ser responsável. Pede-se que ele crie uma consciência que na prática é rejeitada pela cultura. Provoca uma retro-alimentação de sentimentos de culpa, sem qualquer possibilidade de correção. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nós não conseguimos distinguir quando estamos sendo o agente ou o paciente da devastação da natureza. Uma imagem usada por Ítalo Calvino descreve essa situação: “O exército dos helenos que serpenteia entre os entre os desfiladeiros das montanhas e os vaus, entre contínuas emboscadas e saques, não mais distinguindo onde passa de vítima a opressor, circundando também na frieza dos massacres pela suprema hostilidade da indiferença e do acaso, inspira uma angústia simbólica que talvez só nós possamos entender”&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Nesta situação, tanto faz avançar ou desistir, ambas as escolhas não oferecem qualquer sentido para além do presente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O consumo se tornou entretenimento, assim como a própria crítica ao consumismo. Mas o consumo ainda sustenta a economia, que se tornou dependente do espetáculo. Quando se reduz o crédito se diminui o consumo, e isso gera crise. Para evitar o colapso, é preciso injetar dinheiro como se fosse uma droga estimulante. Eles irão emprestar dinheiro para que você gaste o que não tem naquilo que não precisa, porque sem aumentar as suas dívidas não há desenvolvimento econômico, e sem isso não há investimento e sem investimento não há lucro, sem lucro a competitividade diminui e empresas tendem a falir, levando embora o seu emprego e sua possibilidade de consumo. A cultura apresenta aquele que não consome como avarento, e o que consome como um ser superior (um Net, um Ligador, etc...) reforçando assim uma representação que tem o objetivo de gerar coerção social&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote-list;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div id="ftn1" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; Citado por Carlos Vogt. O consumidor e o consumido. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&amp;amp;edicao=36&amp;amp;id=421"&gt;http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&amp;amp;edicao=36&amp;amp;id=421&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="ftn2" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; Entre os muitos exemplos, podemos destacar o adulto sem carro, sem casa própria e sem emprego fixo. Ainda que ele possa viver bem sem isso, continua sendo considerado o mais patético dos seres humanos, sendo prejudicado onde mais dói: nas relações afetivas. Ver &lt;a href="http://www.pavablog.com/2010/10/05/patetico/"&gt;http://www.pavablog.com/2010/10/05/patetico/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;(Atualizado em 2011)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-589554156566625882?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/589554156566625882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=589554156566625882' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/589554156566625882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/589554156566625882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2010/12/economize-hoje-para-poder-gastar-mais.html' title='Economizando a natureza'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-2309296007366754327</id><published>2010-12-17T05:37:00.000-08:00</published><updated>2011-02-15T20:52:11.552-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Consumismo'/><title type='text'>Sua ecologia vale dinheiro</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Consumindo ecologia - Parte 2 de 7&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;A questão é que a “consciência ecológica” está sendo propagada pelos meios de comunicação que estão sob controle do sistema econômico. Eles têm um bom motivo para propagar essas ideias supostamente contrárias à cultura vigente. Baseiam-se na crença de que a maximização da produção e a socialização de benefícios podem ser compatíveis com a minimização do impacto ambiental causado pela extração dos recursos naturais. Isto é, usam o critério da eficiência da produção. Esse critério vem do próprio desenvolvimento do capitalismo enquanto racionalização das relações em função da produtividade. Ele parte da crença de que existe uma harmonia pré-estabelecida entre bem-estar social e eficiência dos meios de produção. Em outras palavras, o que é propagado hoje como sendo consciência ecológica é uma consciência ideologicamente bem adaptada ao espírito do capitalismo. Ela se apóia na crença de que basta racionalizarmos o uso das tecnologias e dos meios de produção, e tudo ficará bem, como se o problema fosse o modo de produção, e não o modo de vida baseado na produção e acúmulo de bens materiais.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A revolução ecológica é proposta no formato de um novo contrato social, que define limites de exploração e garante o consumo para os desfavorecidos, redistribuindo os meios de produção para a população. Por um lado alguns autores acusam o discurso ecológico de ser dogmático ou fundamentalista, porque parece tratar de pecados ambientais, perdição industrial, apocalipse climático, revelação de uma verdade oculta, conversão subjetiva a um novo paradigma e redenção por meio de novas tecnologias e até mesmo de um novo homem. Por outro lado, os adeptos do movimento azul, que pregam uma visão mais científica da ecologia, unindo-a com as questões econômicas, defendem uma espécie de “ecologia da prosperidade”. Eles parecem estar tão bem adaptados à globalização quanto os pastores da nova espiritualidade evangélica, que também abandonaram a perspectiva escatológica e se voltaram para as possibilidades mundanas de desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Atualizado em 2011)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-2309296007366754327?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/2309296007366754327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=2309296007366754327' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/2309296007366754327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/2309296007366754327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2010/12/sua-ecologia-vale-dinheiro.html' title='Sua ecologia vale dinheiro'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-8745405350252253504</id><published>2010-12-16T03:37:00.000-08:00</published><updated>2011-02-15T20:52:11.553-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Consumismo'/><title type='text'>Desenvolvimento sustentável</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Consumindo ecologia - Parte 1 de 7&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;A grande questão da discussão ecológica tem sido como conciliar padrões sustentáveis de consumo com uma economia baseada no desenvolvimento acelerado dos meios de produção. Segundo Ruscheinsky&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote;"&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, esta é uma questão de poder. Se o consumidor está submetido a um sistema econômico insustentável, ele não tem o poder de fazer escolhas que levam a um consumo sustentável. Mesmo que o consumidor seja um agente econômico autônomo, ainda está submetido a um sistema econômico baseado em consumo. Dizer que o consumo sustentável, ético, responsável e consciente é uma questão de escolha do consumidor é no mínimo insuficiente. Qual o significado desses predicados para o consumidor? Ao que parece, o consumidor depende da cultura progressista para definir o que é sustentável. O consumo sustentável quase sempre se refere ao consumo de novas tecnologias e novos produtos considerados mais ecológicos. Então, voltamos à estaca zero. A cultura não pode ensinar aos indivíduos o que é ser sustentável, ético, responsável e consciente, porque ela mesma não sabe o que é isso. Não reconhecemos o que é ser sustentável numa cultura que depende de desenvolvimento econômico e tecnológico acelerado. Usamos essa palavra sem ter noção do que ela significa em termos práticos, fora da lógica do consumo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;O discurso ecológico coloca o consumidor como protagonista, como agente multiplicador de ações políticas e privadas que visam a sustentabilidade&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote;"&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Ele deve entender o que motiva o consumo e saber separar necessidades reais de necessidades criadas. Mas como o consumidor fará isso? Não parece que isso vai acontecer espontaneamente a partir da propagação do atual discurso ecológico.&lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote-list;"&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;br clear="all" /&gt;  &lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;  &lt;div id="ftn1" style="mso-element: footnote;"&gt;  &lt;div class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote;"&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; Citado por Marina Mezzacappa. Outro sistema é possível? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&amp;amp;edicao=36&amp;amp;id=432"&gt;http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&amp;amp;edicao=36&amp;amp;id=432&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="ftn2" style="mso-element: footnote;"&gt;  &lt;div class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote;"&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; Mais recentemente, a publicidade tem jogado toda essa responsabilidade em agentes ainda mais ingênuos, as crianças. Misturando fantasias de preservação com fantasias de consumo, esta estratégia é provavelmente a mais perversa forma de publicidade. Ver &lt;a href="http://www.publicidadeinfantilnao.org.br/"&gt;http://www.publicidadeinfantilnao.org.br/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;(Atualizado em 2011)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-8745405350252253504?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/8745405350252253504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=8745405350252253504' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/8745405350252253504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/8745405350252253504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2010/12/desenvolvimento-sustentavel-ou-que-se.html' title='Desenvolvimento sustentável'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-2805146007474742921</id><published>2010-12-13T10:54:00.000-08:00</published><updated>2010-12-13T14:52:56.881-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>A individualização do selvagem como domesticação da natureza</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;b&gt;Natureza domesticada e domesticação naturalizada&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O artigo “&lt;a href="http://ervadaninha.sarava.org/A%20Natureza%20como%20um%20espetaculo%20-%20A%20imagem%20da%20natureza%20selvagem%20versus%20o%20selvagem.html"&gt;A natureza como um espetáculo – A imagem da natureza selvagem versus o selvagem&lt;/a&gt;” faz parte das publicações da Revolução Feral, uma corrente do anarco-primitivismo que se baseia no resgate do elemento selvagem e pré-civilizado no indivíduo. Neste artigo há a pretensão de fazer uma distinção entre a imagem da natureza e a natureza como ela realmente é. Em resumo, o artigo defende que o selvagem reside no interior do indivíduo, enquanto a natureza é uma imagem imposta ao indivíduo a partir do exterior. O autor parece ter usado alguns conceitos da Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord, para tecer seus argumentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele começa afirmando que o conceito de uma natureza maligna vem do Antigo Testamento. Esta é a primeira afirmação que podemos questionar, já que, segundo a teologia do Antigo Testamento, Deus concebeu a criação como boa e ordenada, de onde brotava vida eterna. A concepção da natureza como fonte do mal parece na verdade se originar de outras visões de mundo, que na verdade eram opostas ao judaísmo e ao cristianismo. Segundo algumas crenças pagãs, o homem, como elemento espiritual, seria bom, enquanto o mundo, como elemento material, seria mal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O artigo também afirma que esta primeira concepção civilizada da natureza servia para nos afastar dela, criando uma imagem aterrorizadora da vida selvagem. Aqui, podemos questionar se o medo do selvagem poderia surgir antes da separação em relação ao selvagem. Como é possível temer aquilo no qual ainda se está inserido sem nenhum grau de alienação? Segundo o artigo, o conceito de natureza maligna teria criado uma dicotomia entre humano e natureza. Mas como pessoas vivendo sem esta dicotomia criariam este conceito de natureza, passando a ter medo da realidade da qual faziam parte integralmente e a qual estavam tão bem adaptadas? É muito difícil compreender como se pode criar tal conceito sem que houvesse algum tipo de separação entre homem e natureza.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta separação entre homem e natureza está pressuposta na idéia de viver em termos dos seus desejos individuais. Viver exposto a eventos naturais externos ao homem, e que nem sempre o beneficiam, não é visto como algo que produz liberdade. Não podemos pressupor uma harmonia pré-estabelecida entre os desejos dos indivíduos e o funcionamento da natureza. A vida natural não é absolutamente livre, mas antes exige que os seres vivos se adaptem ao meio, se auto-regulem e limitem a si mesmos dentro do seu próprio território. O conceito de selvagem apresentado pelo texto é justamente aquilo que nega a submissão do indivíduo a qualquer realidade externa e superior a ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A civilização não poderia existir sem o desejo de viver em "termos dos seus desejos". O desejo de domínio é tão humano e natural quanto qualquer outro desejo, e está relacionado ao desejo de não ter suas potencialidades negadas por agentes externos. Este é por sua vez um desejo indispensável para a geração de acúmulo e expansão do homem para além dos limites naturais, que se tornam obstáculos a ser superados para que o homem realize seus desejos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segundo o artigo, o conceito de natureza como fonte de inspiração e beleza seria posterior ao conceito de natureza maligna, que por si só impediria a expansão humana. Haveria uma relação de medo e desejo. Francis Bacon comparava a natureza com uma bruxa que a inquisição deveria interrogar para extrair seus segredos, mesmo que sob tortura. Bacon teria afirmado que a ciência é o meio com que o homem estabelece poder sobre a natureza. A civilização teria se utilizado dessas duas concepções contraditórias, mantendo o homem ao mesmo tempo afastado e sempre em busca da natureza, para extrair dela recursos e para desfrutar da sensação de paz que ela proporciona. Mas este conceito de natureza boa parece ser derivado de algo anterior, que foi distorcido pela civilização, mas não criado por ela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O autor do artigo afirma que domesticação é simplesmente viver de acordo com valores externos, e não de acordo com seus desejos, o que dificulta a tese da auto-domesticação humana. Assim, rejeita toda moralidade enquanto um tipo de opressão. O conceito de natureza seria então uma imagem criada por uma autoridade buscando reforçar seu poder. A cultura usaria essa imagem da natureza para vender produtos. Mas como uma autoridade poderia criar essa imagem sem que houvesse previamente uma alienação? O autor afirma que a imaturidade, a loucura, a delinqüência, o crime e a imoralidade podem ser aspectos do selvagem na civilização. Dessa forma, confunde a crítica à civilização com a crítica à autoridade, como se fossem a mesma coisa. A causa da confusão é a associação entre poder e autoridade. Os aspectos da civilização que o autor chama de “selvagens” poderiam ser nada mais que sintomas da civilização, ou ainda articulações que a tornam mais flexível e ampliam seu alcance.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com esta ideia se rejeita toda ação, humana ou não, sempre que esta não confirme os desejos e caprichos do indivíduo. Esta visão rotula de “domesticação” qualquer intervenção na realização de escolhas individuais, mesmo que seja uma intervenção natural. Se o homem não agisse moralmente por si mesmo, sem ser forçado a isso, então o moralismo também não existiria. Da mesma forma, se o homem não aceitasse naturalmente a autoridade legítima, não seria necessário passar uma falsa imagem de autoridade para estabelecer poder. Em outras palavras, se o homem fosse naturalmente rebelde como o autor propõe, não existiria civilização ou tradição. A autoridade não poderia ser verdadeira ou falsa, simplesmente não poderia ter significado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O artigo rejeita o conceito de natureza porque provavelmente parte da premissa que coisa alguma pode coagir o indivíduo a partir do exterior. Esta crença conceitua a liberdade como liberdade individual, isso é, considera o indivíduo como um agente incondicionado. Nós seríamos criadores de uma falsa imagem da natureza. Porém, o critério não é mais uma verdade objetiva, e sim individual e subjetiva. A questão é o significado que a natureza tem para nós, que nos impulsiona a ter uma relação instrumental com ela. Mas o autor desdenha da possibilidade de que haja modos corretos e incorretos de se relacionar com a natureza. Qualquer tentativa de estabelecer um modo correto de se relacionar com a natureza serviria apenas para abastecer uma indústria lucrativa. Defende assim uma espécie de incorrigibilidade do sujeito, e afirma que a natureza não pode ser algo maior que nós, rejeitando qualquer tipo de submissão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ser selvagem seria liberar desejos reprimidos e usar essa energia desencadeada para se opor à imposição da cultura. Mas o atual estágio da civilização também investe na liberação dos desejos, e não mais prioriza a repressão. A manutenção de algum tipo de repressão serve de estímulo para manter o movimento entre esses dois opostos que se completam na sociedade complexa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A natureza selvagem é conceituada como a livre energia potencial dos indivíduos, que pode se manifestar a qualquer momento. Parece claro que o autor está se utilizando de critérios psicanalíticos, opondo felicidade à civilização. Buscar uma coisa seria idêntico a negar a outra. Ele recusa os papéis sociais que nos são forçados, opondo a isso o “viver em termos de nossas paixões, desejos e caprichos”. Em outras palavras, o que o autor conceitua como viver fora da civilização é viver a &lt;i&gt;epithumia&lt;/i&gt;, termo grego que significa desejo de transgressão. Isto é concluído a partir do conceito de civilização como simples repressão e aceitação forçada de regras fixas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para o autor, dizer que os seres humanos são únicos e imprevisíveis significa dizer que eles são totalmente livres. Ser selvagem seria abandonar seus deveres e apenas “brincar ferozmente”, ou seja, fazer o que quiser sem se limitar por regras externas: “Mas se, no meio da cidade, em qualquer momento nós ativamente recusamos nossa domesticação, recusamos ser dominados pelos papéis sociais que nos são forçados e ao invés disso vivamos em termos de nossas paixões, desejos e caprichos, se nós nos tornamos os seres únicos e imprevisíveis que repousam escondidos por trás de nossas funções, nós somos, naquele momento, selvagens”. O autor talvez se esqueça que os desejos também são regulados por regras que não estão imunes à influência da cultura, por mais instáveis que sejam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste caso, ser selvagem seria viável numa sociedade não civilizada? Os seres humanos viviam em termos de suas paixões, desejos e caprichos antes da civilização? Outras culturas, com seus tabus e tradições, provavelmente seriam prisões para um indivíduo “selvagem”. De fato, o artigo aponta para uma dicotomia entre “liberdade de espírito” e "lei da sobrevivência", apontando para a idéia de que a civilização é a preservação de um processo social, em oposição a uma vida livre, que seria como uma dança caótica, em constante mutação, composta por indivíduos auto-determinados estabelecendo entre si nada mais que relacionamentos livres. Para este autor, “descivilizar” significa deixar fluir aquilo que a cultura solidificou. Porém, é exatamente isto que a modernidade líquida faz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É preciso compreender o verdadeiro papel dos desejos na civilização. Pois se não houvesse desejo de domínio, como o homem teria criado a civilização? O texto acusa a civilização de conceituar a natureza como maligna, porém defende uma concepção civilizada de indivíduo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Heráclito defendeu que a natureza (&lt;i&gt;physis&lt;/i&gt;) era regida por uma lei imanente (&lt;i&gt;logos&lt;/i&gt;). Aristóteles acreditava no equilíbrio entre a lei eterna (natural) e a lei mutável (humana). Os estóicos diziam que a &lt;i&gt;physis&lt;/i&gt; determina o &lt;i&gt;nomos&lt;/i&gt; (lei). Mas de acordo com o convencionalismo, estes critérios não existem, porque não há bem em si. Tudo depende das circunstâncias, o que permitiu aos sofistas afirmarem que “o homem é a medida de todas as coisas”. A moral seria uma criação historicamente determinada, sem valores universais, ou seja, este argumento depende de um relativismo moral. As duas concepções fazem parte da civilização.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A única lei natural que os convencionalistas aceitam é a busca do prazer e do poder, que seria inerente ao homem. Protágoras foi o precursor do mito de que a sociedade tem origem em acordos sociais que estabelecem regras de convivência e limitam o poder dos fortes. Foi uma inspiração para Hobbes, Locke e Rousseau. A moral individualista, onde tudo é resultado de acordo, tem por princípio a ideia de homem como ser guiado somente por suas paixões, e afirma a primazia da vontade. A questão é que se aceitamos tal premissa, não há nenhum fundamento com o qual seja realmente legítimo criticar a civilização, senão o interesse próprio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dessa forma, a busca por uma vida selvagem que afirme a prioridade do sujeito e a individualização da moral seria muito mais próxima de uma auto-domesticação em estágio avançado do que de uma crítica à civilização.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-2805146007474742921?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/2805146007474742921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=2805146007474742921' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/2805146007474742921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/2805146007474742921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2010/12/individualizacao-do-selvagem-como.html' title='A individualização do selvagem como domesticação da natureza'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-3303783091269036774</id><published>2010-12-12T07:43:00.000-08:00</published><updated>2011-02-15T21:05:21.546-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>Século do self</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;Documentário da BBC sobre como aqueles no poder usaram as teorias freudianas para controlar multidões perigosas numa era da democracia de massas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px;"&gt;Legenda traduzida para português.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px;"&gt;4 episódios. O último está sendo traduzido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 12px;"&gt;&lt;a href="https://sites.google.com/site/janosbirozero/Antizero/sculo-do-self"&gt;https://sites.google.com/site/janosbirozero/Antizero/sculo-do-self&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 12px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 12px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-3303783091269036774?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/3303783091269036774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=3303783091269036774' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/3303783091269036774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/3303783091269036774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2010/12/seculo-do-self.html' title='Século do self'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-4370136219766595370</id><published>2010-12-11T06:43:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T06:28:16.203-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia'/><title type='text'>Conclusão: Seu sistema foi atualizado</title><content type='html'>(Parte 8 de 8 da série Civilização 2.0)&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Provavelmente o leitor poderá levantar muitas objeções quanto à minha afirmação de que o paradigma sistêmico ou ecológico já foi absorvido pelo monstro assimilador. Em primeiro lugar, isso não significa que eu despreze essas coisas. Não significa que você pode ser ignorante em relação a essas coisas, mas o contrário, que você não pode ignorar como as coisas mudaram. Ignorar seria continuar perseguindo fantasmas do passado, que já não têm relação com o atual estágio de desenvolvimento do monstro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;“Mas você está criticando sem apontar nenhuma solução, por isso sua crítica não tem valor”. Isto não é verdade. Eu estou apontando uma solução, mas não uma solução para a civilização, porque ela faz parte do problema. Não é a civilização que está doente, nem o homem é a doença, mas é o homem que está doente, e a civilização é o sintoma da sua doença. Minha sugestão inicial é que se critique a civilização desde seus pressupostos mais básicos. Se ao invés disso atacamos somente este ou aquele aspecto, vamos apenas fazer parte da fluidez pós-moderna. Parece que as pessoas não querem uma solução para a civilização como um todo, porque isso seria “jogar fora o bebê junto com a água suja”. Este argumento faz analogia entre a civilização e um inocente bebê. É como se não pudéssemos evitar, como se a civilização fosse existencialmente necessária ao homem, ou como se o homem autêntico fosse o homem civilizado. O verdadeiro motivo parece ser o medo de perder confortos com os quais já nos acostumamos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O erro é justamente pagar qualquer preço para preservar aquilo que não precisa ser preservado. A civilização é a fonte de benefícios injustos que ninguém quer abrir mão. Hoje em dia, você raramente vai encontrar alguém que não se preocupa com a questão ecológica. No máximo verá empresários preocupados em ver seu crescimento ameaçado por causa de defensores do meio-ambiente. Eles acreditam que a ecologia não pode impedir o crescimento econômico, porque a crise econômica pode atingir a todos e piorar as coisas. O movimento ecológico também acredita nisso. O problema para ele se resume ao uso eficiente da energia, então não há porque prejudicar a economia, mas ao contrário, sustentabilidade pode ser um bom negócio. Sempre vai haver um eco-capitalista para nos lembrar que uma coisa não impede a outra, podemos lucrar preservando, basta pensar diferente. O ser humano é tão criativo, com certeza ele inventará um modo de comer o bolo e preservá-lo ao mesmo tempo, de modo racional.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Por outro lado a civilização é oriental o suficiente para não se apegar a nada. Até a necessidade de crescimento pode ser passageira, como indicam os recentes movimentos pelo decrescimento&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 11pt;"&gt;[8]&lt;/span&gt;. O monstro não é capitalista, ele simplesmente é. Mesmo o crescimento não é mais importante que o desenvolvimento e a própria superação do estágio atual. Mesmo o acúmulo e a expansão não são mais importantes que a evolução do monstro. As pessoas têm criticado o progresso quantitativo, mas não o qualitativo. O novo espírito da civilização não rejeita nada, ele combina suas necessidades com aquilo que há de mais atraente, aquilo que achamos que há de melhor em nós. Ele é jovem, rápido, inteligente, divertido, interativo... É um show de comédia de improviso. Ele vai interpretar qualquer papel para te impedir de vê-lo pelo que ele realmente é.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;“Só há uma coisa a fazer: você tem que escolher” – Frase não encontrada no Google.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote-list;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div id="ftn1" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[8]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; Ver o texto “Gordura e crescimento”, de Cristovam Buarque. &lt;a href="http://mentenovacuo.blogspot.com/2010/11/gordura-e-crescimento.html"&gt;http://mentenovacuo.blogspot.com/2010/11/gordura-e-crescimento.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Atualizado em 2011)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-4370136219766595370?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/4370136219766595370/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=4370136219766595370' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/4370136219766595370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/4370136219766595370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2010/12/conclusao-seu-sistema-foi-atualizado.html' title='Conclusão: Seu sistema foi atualizado'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-6936369487254735968</id><published>2010-12-09T12:22:00.001-08:00</published><updated>2011-02-16T06:28:16.203-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia'/><title type='text'>Relações entre o monstro assimilador e a visão sistêmica</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;div style="text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px;"&gt;(Parte 7 de 8 da série Civilização 2.0)&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Revisando o conceito de monstro assimilador como um processo sem identidade definida, podemos fazer a relação entre aquilo que a civilização se tornou no presente, seu processo de evolução e a visão de mundo pressuposta nos conceitos biológicos e ecológicos que ganharam espaço na cultura nas últimas décadas. O conhecimento necessário para se criticar este processo é maior do que o conhecimento necessário para mantê-lo funcionando. Este último tem se tornado cada vez mais desnecessário, na medida em que o processo começa a ganhar a autonomia de uma máquina programada para reproduzir, gerenciar, corrigir e modificar a si mesma. O monstro está em constante mutação. Significa que qualquer dos seus elementos pode ser criticado sem ameaçá-lo. O que não pode ser questionado é seu modo próprio de mudar, ou seja, sua estrutura adaptativa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Tal como os seres-vivos vistos sob a teoria da complexidade, sua identidade não está na sua composição, mas na sua organização dinâmica. Ele não está determinado de fora, mas por sua própria estrutura, que é mantida por indivíduos. Isso seria impensável sem o conceito de autopoiese. Não quer dizer que a civilização seja equivalente a um organismo vivo, mas que se apropriou desse modelo assim como nós nos inspiramos na natureza para criar as máquinas. Não apenas imitamos o funcionamento, mas assimilamos as capacidades e habilidades da natureza para expandir nosso próprio poder. Por outro lado, devemos também considerar a hipótese de que estes conceitos que aplicamos na nossa compreensão dos fenômenos vivos tenham sido, de certa forma, influenciados pelo modo de desenvolvimento da cultura civilizada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Certamente a civilização possibilita coisas boas. A questão é qual a posição dessas coisas na estrutura da civilização, pois dependendo da posição, elas podem ser mais do mal usadas, mas resultados de um mau uso das nossas capacidades. Sendo uma estrutura fluída, é cada vez mais difícil determinar isso. Ela chega a um grau de complexidade da organização onde pode não apenas dar boas-vindas ao caos, mas passa a depender de caos para manter-se de pé. Com base na visão sistêmica, não poderíamos criticar a civilização em si mesma. Ela seria um resultado do acaso, e já que existem infinitas possibilidades no universo, ainda poderia dar certo. Eis a origem do mito de que basta adicionar esforço humano. De certa forma, a civilização não começa há 10 mil anos atrás, ela começa no momento em que essas ideias entram na cabeça de alguém. Determinar o ponto histórico em que essas ideias começaram a surgir não faz muita diferença, já que a causa não é simplesmente material, mas mental. O mostro se localiza no nosso sistema de crenças. Ele toma controle, como um vírus, de nossas funções vitais, e as transforma em funções domesticadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Isso explica porque autores como Lovelock e John Gray&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 11pt;"&gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;tendem a ver o homem como uma praga natural. Primeiro, porque não podem negar que o homem faz parte da natureza como qualquer outro animal. Segundo, porque não podem negar que ele está degradando o meio em que vive, e isso só é remotamente comparável ao comportamento dos vírus. Logo, o homem não está doente, o próprio homem é a doença. Se tudo é natural, a civilização também é natural, embora pragas&amp;nbsp;&lt;i&gt;naturais&lt;/i&gt;sejam úteis à natureza. Mas, se seguirmos a linha de raciocínio dessa cultura, diremos que homem é regido por suas vontades, e suas vontades são expressões de suas necessidades. Ele não pode evitar a degradação do meio porque é primariamente egocêntrico. Logo, é preciso ser cético quanto à crença de que o conhecimento possa levar ao bem, que a ciência nos liberte, e que a crença em Deus seja mais do que um consolo. Isto é a única conclusão racional que parte desse ponto de vista: se o conhecimento humano não leva ao bem, nada pode levar. Se a ciência humana não nos liberta, nada pode libertar. Se a crença em Deus não melhora a nossa situação mundana, então ela não serve para nada. Só podemos retardar o inevitável. E o corolário dessa linha raciocínio só pode ser que não faz sentido ser racional. Isso é o que acontece quando se deposita todas as esperanças no homem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote-list;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div id="ftn1" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 10pt;"&gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; “A destruição do mundo natural não é resultado do capitalismo global, da industrialização, da ‘civilização ocidental’ ou de quaisquer falhas em instituições humanas. É a consequência do sucesso evolucionário de um primata excepcionalmente rapace.” (GRAY, John N. Cachorros de palha: Reflexões sobre humanos e outros animais. Record, 2005, p. 23)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Atualizado em 2011)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-6936369487254735968?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/6936369487254735968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=6936369487254735968' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/6936369487254735968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/6936369487254735968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2010/12/relacoes-entre-o-monstro-assimilador-e.html' title='Relações entre o monstro assimilador e a visão sistêmica'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-7011479555476352459</id><published>2010-12-07T04:53:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T06:28:16.204-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia'/><title type='text'>Para muito além da razão</title><content type='html'>(Parte 6 de 8 da série Civilização 2.0)&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 15px;"&gt;Como se trata de uma síntese dos contrários, a nova cultura não descarta nada. Ela aceita um “equilíbrio” entre o velho e o novo, e mesmo entre racionalidade e irracionalidade. O que há é uma mistura confusa de discursos, que hora são empiristas e hora são sentimentalistas, mas não chegam a nenhum consenso senão o de que todo consenso é burro. O paradigma valoriza essa fluidez como sendo necessária. Nossa sociedade seria um aspecto patológico da vida exatamente porque valorizou as coisas, que são estáticas, e não as pessoas, que são dinâmicas. Mas tudo isso não passa de um jogo retórico. Todas essas ideias são apenas frutos do desenvolvimento da própria cultura civilizada, passando do seu estágio moderno ou sólido para seu estágio pós-moderno ou líquido&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 11pt;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Este pretenso equilíbrio destrói o significado das coisas que ele tenta unir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;div style="font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;É importante notar que essas ideias fundamentam não apenas a pseudo-ecologia, mas a ecologia como paradigma para outras ciências. Está incluída aí a visão da ecologia integral e da ecologia profunda, que também determinam um novo paradigma político e econômico, relacionado à defesa da democracia. O social é defendido a partir da autonomia individual. A nova cultura é um produto do liquidificador da pós-modernidade, e é a base para o discurso da biocivilização.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 13px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Não podemos deixar de notar como isso se relaciona também com as idéias de Aldous Huxley. Embora ele tenha criticado mais do que proposto, deixou claro que estava interessado na liberdade. Ele compreendia que o Estado poderia dominar corpo e mente, fazendo o indivíduo amar a servidão por meio de lavagem cerebral, que não precisaria ser necessariamente dolorosa, como ocorre em 1984, mas poderia ser prazerosa, como em Admirável Mundo Novo. Por tanto ele estava interessado em distinguir o verdadeiro do falso, a sanidade da felicidade, mas não deu nenhum critério para isso senão o critério pragmático. Falou sobre a possibilidade de que a ciência e a tecnologia sejam colocadas a serviço do homem, que um paradigma biológico substitua o físico, que a mística substitua a fé, que o utilitarismo substitua todas as filosofias. Enfim, a eficiência substitua a tradição, e isso é facilmente considerado como mais verdadeiro por mentes que são herdeiras do iluminismo. Ele foi um visionário da nova civilização, mas sua visão acabou influenciando o resultado. Muitas pessoas se guiam por ideias semelhantes às expostas ali. Por exemplo, a fragilização dos laços combina com a proposta dos Clubes de Adoção Mútua do romance A Ilha. Segundo Huxley: “Os nossos sociólogos chamam a isso de hibridação de micro-culturas e dizem que os efeitos são tão bons quanto aqueles que permitem a obtenção de diferentes variedades de milho ou de galinha”&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 11pt;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 13px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Outro exemplo seria sobre o conflito entre liberação sexual e repressão, que parece ter sido sintetizada na forma de uma cultura da futilidade. Huxley queria misturar o melhor dos dois mundos, ocidental e oriental. Acontece que, em termos de crítica à civilização, isso faz pouca diferença. Mas esse discurso continua sendo considerado como alternativa viável para a mudança. É por isso que vemos Capra defendendo o consumo de orgânicos e de alimentos integrais com a justificativa que o agricultor perdeu sua liberdade e sua criatividade no processo de produção, ficando restrito a reproduzir técnicas e modelos escolhidos por outras pessoas. É o problema da autonomia e impondo-se como causa de todos os&lt;span&gt;&amp;nbsp;da liberdade&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;causa de todos o outrosessoas, porque pessoas sdo Edgar Morin.&lt;/span&gt;&amp;nbsp;outros. O problema seria o desequilíbrio entre os contrários, Yin e Yang, como exposto no seu Tao da física. O produto orgânico representa um uso mais eficiente da energia, e logo podemos constatar que Capra crê numa relação direta entre autonomia e eficiência energética, justamente como prega o paradigma da autopoiese, que por sua vez é resultado do desenvolvimento de uma cultura materialista ou naturalista. Para Capra, como para Sachs, a fome é um problema social e político, por isso deve ser resolvido pela biocivilização.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 13px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Mas é preciso notar que todas essas questões, tais como a alteração da noção de tempo e espaço, a instabilidade, o hibridismo, o nomadismo e a descentralização são produtos da evolução esperada da civilização. Se em algum momento nós fomos separados desses elementos, somos agora reintegrados a eles por meio das relações artificialmente criadas num novo estágio da cultura civilizada. Quer dizer que o que é aceito de volta é aquilo para o qual se criou um espaço dentro da civilização, onde aquilo pudesse permanecer “sob controle”&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 11pt;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote-list;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div id="ftn1" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: -webkit-auto;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;"A modernidade da qual estamos saindo era negadora; a supermodernidade é integradora. Não mais a destruição do passado, e sim sua reintegração, sua reformulação no quadro das lógicas modernas do mercado, do consumo e da individualidade. Quando até o não moderno revela a primazia do eu e funciona segundo um processo pós-tradicional, quando a cultura do passado não é mais obstáculo à modernização individualista e mercantil, surge uma fase nova da modernidade." (LIPOVETSKY, Gilles. Os tempos hipermodernos. Trad. Mário Vilela. São Paulo: Barcarolla, 2004. p. 57-58)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="ftn2" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: -webkit-auto;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;HUXLEY, Aldous. A Ilha. São Paulo: Globo, 2001, p. 149.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="ftn3" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: -webkit-auto;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;"As experiências de tempo e espaço movediços e polimorfos, as incertezas políticas, as mestiçagens étnicas, o nomadismo do desejo, os hibridismos culturais, os descentramentos da identidade produzidos pelas sombras do outro estão de tal modo entranhados na constituição da nossa cultura que pouca ebulição os debates pós-modernos estavam fadados a produzir em nós." (SANTAELLA, Lucia. Culturas e artes do pós-humano: da cultura das mídias à cibercultura. São Paulo: Paulus, 2003. p. 70)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Atualizado em 2011)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-7011479555476352459?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/7011479555476352459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=7011479555476352459' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/7011479555476352459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/7011479555476352459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2010/12/para-muito-alem-da-razao.html' title='Para muito além da razão'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-4413887117327260967</id><published>2010-12-04T13:30:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T06:28:16.204-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia'/><title type='text'>Autopoiese como princípio</title><content type='html'>(Parte 5 de 8 da série Civilização 2.0)&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Segundo a teoria de Maturana e Varela, os humanos produzem subjetividade por estímulos condicionantes. De um modo misterioso, eles criam a violência contra a autopoiese, contra a dinâmica da vida. A teoria evolucionista aplicada à sociedade serviu para colocar a espécie acima do indivíduo. Mas a fenomenologia biológica da autopoiese coloca o indivíduo no centro, defendendo que não há indivíduos “descartáveis”, porque todos podem ser úteis ao todo. O princípio hierárquico de sistemas que contém outros sistemas possibilitaria a compreensão da complexidade da vida. A autopoiese individual é por isso compreendida como subordinada à autopoiese social. Mas negar a autopoiese da parte seria negar a autopoiese do todo, por isso não faria sentido dizer que a preservação do social tem precedência sobre a preservação do indivíduo. Ao contrário, a sociedade só pode ser autopoiética se satisfazer a autopoiese dos seus membros. Qualquer sistema que descarte membros produtivos seria patológica. Mas se um membro se torna improdutivo, quer dizer que perdeu sua autopoiese.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;De acordo com alguns defensores dessa tese, se você não concorda com essa visão mundo, é apenas porque foi condicionado pelo pensamento linear, não aprendeu a pensar complexamente, e por isso não tem condições de perceber as coisas dessa forma. Você também perdeu sua autopoiese. As ideias têm que combinar com o paradigma, não a realidade objetiva, mesmo porque de acordo com o próprio paradigma, nem sequer existe realidade objetiva, pois a realidade não é a mesma para todos. Com esta circularidade, tudo está justificado. A velha cultura seria competitiva e excludente, a nova cultura seria integradora e inclusiva. A nova cultura, assim como o novo capitalismo, defende a matemática do jogo de soma não nula, isto é, a vitória de um não depende da derrota de outro, podemos todos vencer, podemos todos ter qualidade de vida. Filosoficamente, se trata da aceitação da doutrina da síntese dos contrários, que sustenta a filosofia do progresso mútuo, quantitativo e qualitativo, mas sem base objetiva. A única base e o próprio homem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;A nova cultura inspira competência e não competição. Ao invés de lutar contra os outros, a luta pela sobrevivência seria uma luta para superar a si mesmo. Seus defensores esperam que a mudança cultural leve a um auto-aperfeiçoamento individual. Quer dizer que podemos criar uma cultura em que todos os avanços possam ser usados para o bem da humanidade, basta sabermos lidar com o risco e com a mudança contínua, o assim chamado “fluxo da vida”. O critério de competência não seria excludente porque a competência é um fator estrutural, que depende de um momento específico e não de uma verdade eterna. Logo, não há problema em ser quem você é, mas sim em estar como você está. Isto reabre as possibilidades de progresso individual, e suporta as teses da micro-revolução ou revolução pessoal. Se não conseguirmos nos adaptar a tal fluxo da vida... Bem, não será culpa de ninguém, é só azar. Reconfortante? Só se você ignorar que a força que faz o fluxo da vida correr cada vez mais rápido é a mesma que fragiliza as relações humanas e nos leva à desintegração por um processo acelerado de desestruturação e reestruturação, que, aliás, não tem sentido nenhum. É um fim em si mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;(Atualizado em 2011)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-4413887117327260967?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/4413887117327260967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=4413887117327260967' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/4413887117327260967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/4413887117327260967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2010/12/autopoiese-como-principio.html' title='Autopoiese como princípio'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-8164105793376791861</id><published>2010-12-02T12:03:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T06:28:16.205-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia'/><title type='text'>A autopoiese como nova visão de mundo</title><content type='html'>(Parte 4 de 8 da série Civilização 2.0)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Se quisermos identificar o fundamento dessa nova forma de ver o mundo, deveríamos olhar para o conceito de autopoiese&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 11pt;"&gt;[3]&lt;/span&gt;. Este é provavelmente o conceito científico mais importante para o novo espírito da civilização, e só pode ser entendido a partir do pensamento complexo, que leva em conta a relação entre o todo e as partes. Ele indica uma nova forma de estudar os fenômenos biológicos, vendo os seres-vivos como seres que produzem sua própria existência de modo dinâmico, num processo de ‘autonomia dependente’, isto é, sua autonomia é dada pelo meio do qual dependem. Este conceito acaba influenciando não apenas a biologia, mas uma nova visão do homem e da sociedade numa era que trocou a física pela biologia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Segundo Maturana e Varela, o organismo é determinado por sua estrutura, mas esse determinismo estrutural não significa que o organismo seja pré-determinado ou previsível. Ao contrário, sua identidade está na sua organização. A organização determina a percepção da realidade. Por isso, não se pode mais falar de conhecimento objetivo. Este só se garantia com base na obediência a uma autoridade. A valorização do raciocínio lógico serviu para manter uma estrutura de poder e para separar o ‘eu’ do mundo, criando uma visão fragmentada. A visão holística sugere que a verdade não é a mesma para todos, porque ela depende da percepção de um determinado ponto de vista num determinado momento. Mas tudo está em mutação. A mudança do indivíduo e a mudança do meio se correspondem, sendo que nenhum tem prerrogativa sobre o outro. Apesar de cada individualidade perceber uma realidade diferente, o diálogo entre dois indivíduos é possível porque eles partilham um contexto consensual, isto é, são pares estruturados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O diálogo entre um par estruturado é diferente de uma simples transmissão ou transferência de informações. Os indivíduos se entendem porque a conduta de um combina com a conduta do outro, pois as estruturas de ambos são comunicantes. Nenhum deles dita normas de conduta ao outro. Na natureza não haveria obediência incondicional. As semelhanças de conduta seriam determinadas pelas semelhanças de estrutura, já que o comportamento é determinado pela estrutura. Isso garantiria a autonomia dos indivíduos e excluiria a necessidade de submissão ou determinação exterior, isto é, coerção. Isto serviria como base de rejeição ao domínio de uma estrutura social vigente, já que esta era vista como algo que impedia a autonomia dos indivíduos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote-list;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div id="ftn1" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; MARIOTTI, H. 1999. Autopoiese, Cultura e Sociedade. &lt;a href="http://www.geocities.com/pluriversu/autopoies.html"&gt;http://www.geocities.com/pluriversu/autopoies.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Atualizado em 2011)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-8164105793376791861?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/8164105793376791861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=8164105793376791861' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/8164105793376791861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/8164105793376791861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2010/12/autopoiese-como-nova-visao-de-mundo.html' title='A autopoiese como nova visão de mundo'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-3234367475972406507</id><published>2010-11-30T06:10:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T06:28:16.205-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia'/><title type='text'>Origens da biocivilização</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;(Parte 3 de 8 da série Civilização 2.0)&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 15px;"&gt;É fácil perceber a relação desse discurso com as idéias de Capra: “A nova cultura que está emergindo compartilha uma visão de realidade que ainda está sendo discutida e explorada, mas que se consolidará finalmente como um novo paradigma, destinado a eclipsar a visão de mundo cartesiana em nossa sociedade”&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 11pt;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Ele fala de uma visão que tem um destino inevitável de se tornar global. Trata-se de uma crença no progresso, segundo a qual a civilização transcende sua forma atual e alcança um novo estágio de evolução que promete nos dar tudo o que desejamos desde nossos primórdios. Em outras palavras, é uma abordagem historicista, na qual a história conspira pelo bem da humanidade. A mudança será um resultado inevitável do desenvolvimento histórico do próprio capitalismo. O agente da mudança é a própria sociedade. Mas essa mudança de paradigma depende de uma aceitação prévia de novos pressupostos, que não podem ser derivados da visão anterior, porque esta não os comporta. O velho paradigma teria gerado os males do nosso mundo, e por isso pode ser previamente descartado em prol de uma “mudança de mente”. Afinal, a verdade depende de um determinado momento histórico, e não existe por si mesma. Quem discordar disso pode ser imediatamente tachado de ideólogo reacionário, e ser prontamente ignorado. Em outras palavras, depende de uma aceitação acrítica de pressupostos que não estão calcados numa análise bem fundamentada da realidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;div style="font-size: 13px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;A revolução cultural gera uma nova visão de mundo que não precisa ser comprovada, porque não se considera como uma verdade objetivamente válida, mas é apenas uma nova visão de mundo. Ela mesma afirma que não há verdades objetivamente válidas, e por isso não pode ser criticada com argumentos. O fato de ser uma nova visão é suficiente para que ela se justifique. Essa visão abandonou as referências universais, o que restou é o ponto de vista individual. Nada de substantivo pode ser dito sobre aquilo que não se manifesta fenomenologicamente ao indivíduo. A distinção entre verdadeiro e falso é substituída pela distinção entre adequado e inadequado em relação ao novo quadro conceitual. A crítica a esse esquema enfrenta a enorme dificuldade de demonstrar qual a distinção entre conhecimento válido e opinião pessoal para aqueles que partem do ponto de vista sofista de que “o homem é a medida de todas as coisas”. Uma discussão dessas sempre privilegia o sofista. Por fim, o conceito de revolução cultural é transformado num fluxo constante de diferentes momentos históricos que se conjugam um após o outro, formando um presente eterno. Toda a esperança é depositada no desenvolvimento tecnológico, mas às vezes outros termos são usados no lugar deste, como “criatividade” ou “capacidade humana de superação”. Não importa qual o nome que se dê, se trata de uma crença que deve ser questionada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote-list;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div id="ftn1" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; CAPRA, Fritjof. O ponto de mutação. Editora Cultrix, 1982, p. 255.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;(Atualizado em 2011)&lt;br /&gt;&lt;div style="mso-element: footnote-list;"&gt;&lt;div id="ftn1" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-3234367475972406507?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/3234367475972406507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=3234367475972406507' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/3234367475972406507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/3234367475972406507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2010/11/origens-da-biocivilizacao.html' title='Origens da biocivilização'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-8199648936543493822</id><published>2010-11-28T08:51:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T06:28:16.205-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia'/><title type='text'>A ascensão da biocivilização</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;div style="text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px;"&gt;(Parte 2 de 8 da série Civilização 2.0)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Um dos discursos que o capitalismo assimilou é a crítica feita pelos movimentos que seguem uma visão ecológica e sistêmica da vida, tais como grupos de defesa do meio ambiente. Em 1982, no livro Ponto de Mutação, o físico Fritjof Capra usou uma visão orgânica para contrapor a visão cartesiana que ele identificou em vários aspectos da cultura. Essa visão seria a causa de nossos problemas sociais e ambientais. Para perceber como esse discurso foi assimilado, veja como ele é usado pelo economista Ignacy Sachs&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 11pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, criador do termo “eco-desenvolvimento”, que deu origem ao termo “desenvolvimento sustentável”, e é um dos maiores defensores da convergência entre ecologia e economia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;A proposta de Sachs é a emergência de uma nova civilização, a biocivilização. A biocivilização se baseia no uso de biocombustíveis e numa nova era de desenvolvimento rural. Já que a biomassa do planeta é limitada, haverá um equilíbrio entre produção de comida e geração de energia. O etanol será produzido a partir da celulose de resíduos florestais, graças ao uso de árvores de crescimento rápido que gastam menos água. Enfim, trata-se um aproveitamento racional e eficiente da biomassa. Uma vez que a fome não é causada pela falta de produção de alimentos, resolver o problema depende da distribuição das fontes de renda, e isso seria feito com a produção de biocombustíveis que, substituindo o petróleo, se tornariam uma fonte de riqueza inestimável. Contudo, isso exige que o foco do desenvolvimento recaia sobre o campo, e não mais sobre a cidade. Portanto se trata do fim da era urbana e industrial, e um retorno à agricultura familiar, que resolveria os problemas de emprego e renda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Para que isso seja alcançado também seria necessário que os interesses da “segurança alimentar” e da “segurança energética” não sejam submetidos aos interesses da indústria petrolífera e automobilística, por exemplo. Mas como isso poderia ser feito? A sociedade é quem deveria controlar o mercado, criando sistemas integrados de produção de alimento e energia. Segundo Sachs, o Brasil poderia ser um pioneiro nessa área. Para isso, seria preciso obrigar o Estado a unir os interesses sociais aos ambientais. Bastaria resolver esse conflito entre sociedade e Estado. Mas a questão pode ser bem mais complexa do que Sachs faz parecer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;A visão de progresso expressa por Sachs coloca os caçadores e coletores no primeiro degrau de uma escalada para eficiência na produção de comida e energia. Enquanto as técnicas de produção avançavam, passando pela agropecuária e pela era dos combustíveis fósseis, os danos ambientais também aumentavam. Mas na biocivilização isso não vai mais acontecer, porque há um retorno para a fonte primária, a energia do Sol. Teremos veículos mais leves e poderemos conciliar a mobilidade com o desenvolvimento local. Pelo menos é assim que se espera que aconteça. Não há nenhuma evidência segura de que isso sequer seja possível. Pelo que sabemos, nenhuma alternativa é tão eficiente e versátil quanto o petróleo. E mesmo que isso seja alcançado, a questão parece reduzida a um materialismo. Tudo que importa são as condições materiais e econômicas para manter um processo progressivo e acelerado. Nenhuma palavra é dita sobre qual é o sentido de manter esse processo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote-list;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div id="ftn1" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 10pt;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; As biocivilizações do futuro e o potencial brasileiro. Entrevista com Ignacy Sachs. &lt;a href="http://www.ecodebate.com.br/2009/03/05/as-biocivilizacoes-do-futuro-e-o-potencial-brasileiro-entrevista-com-ignacy-sachs/"&gt;http://www.ecodebate.com.br/2009/03/05/as-biocivilizacoes-do-futuro-e-o-potencial-brasileiro-entrevista-com-ignacy-sachs/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Atualizado em 2011)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-8199648936543493822?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/8199648936543493822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=8199648936543493822' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/8199648936543493822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/8199648936543493822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2010/11/ascensao-da-biocivilizacao.html' title='A ascensão da biocivilização'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-3947008302973104163</id><published>2010-11-26T13:34:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T06:28:16.206-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia'/><title type='text'>O monstro assimilador revisitado</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;div style="text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px;"&gt;(Parte 1 de 8 da série Civilização 2.0)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Alguns anos atrás eu chamei o capitalismo de monstro assimilador. Um monstro que tem o poder de assimilar para si tudo aquilo que é usado contra ele, absorvendo todos os discursos que usamos para criticá-lo e todas as ações que visam destruí-lo. Ele usa nossos próprios conhecimentos e meios de ação para se fortalecer e expandir. Nossas estratégias e teorias são transformadas em algo que beneficie o modelo econômico capitalista, e isso é feito sem que nós percebamos ou até mesmo com nosso consentimento. O processo de assimilação ocorre numa velocidade cada vez maior, porque a cada movimento que ele assimila, ele aumenta sua capacidade de assimilar novos movimentos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O problema é que o monstro assimilador não tem identidade definida. Por causa de sua habilidade de assimilação, ele está em constante mutação. Logo, ele não é exatamente capitalista, não é representado por este ou por aquele aspecto ou interesse, mas é uma mistura cada vez mais confusa de todas as coisas. O importante não é exatamente aquilo que o compõe, mas o arranjo dessas coisas. Por exemplo, ele pode ser composto de coisas que em si são muito boas, mas que participam de uma estrutura que num todo é insustentável. Essa estrutura não é fixa, mas fluída. Não é cartesiana, mas sistêmica, e comporta contradições sem que isso impeça seu funcionamento. O seu caos aparente revela uma complexa harmonia interna que mantém um número crescente de elementos em desarmonia consistente. Isso dificulta a análise do processo, porque não sabemos distinguir onde a coisa começa e onde acaba. Sua localização é tão imprecisa quanto de uma partícula subatômica. De certa forma, o monstro seria um morto-vivo. Um ser capaz de perpetuar sua própria morte por um tempo indefinido, e que ao mesmo tempo tem um poder sobrenatural de consumir vida. O pior não é causar a morte do que é vivo, mas sim perpetuar a morte absorvendo a vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Um exemplo recente de monstro assimilador apareceu no filme Astro Boy (2009). Nele, uma tecnologia criada para a paz é usada para guerra, sai fora de controle, e acaba assimilando partes da utopia tecnológica que a criou para aumentar seu poder destrutivo, ameaçando toda a existência. No filme, a solução é deixar que o monstro assimile o herói, que contém em si a energia contrária ao do monstro, e quando as energias contrárias se juntam elas se anulam, destruindo ambos. Você pode ver essa mesma ideia em muitos filmes. Mas essa solução não está disponível para nós, porque nós perdemos a capacidade de distinguir entre uma força e outra. Além disso, nosso monstro mistura as duas coisas sem se destruir. Ele pode fazer isso porque consegue manter elementos contraditórios dentro de si sem deixar que eles se anulem, mas usando-os para gerar movimento, tal qual um pêndulo perfeito. Ele é contraditório, mas compreende a própria contradição, unindo a tese e a antítese numa síntese. Isso é necessário para a sobrevivência de qualquer monstro assimilador pós-moderno.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;[Notas: Minha crítica original ao monstro assimilador vem de um artigo chamado&amp;nbsp;&lt;i&gt;Como matar um monstro assimilador&lt;/i&gt;, o terceiro texto do livro&amp;nbsp;&lt;i&gt;&lt;a href="http://largue.wikispaces.com/file/view/Por+uma+mudanca.pdf"&gt;Por uma mudança&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, que publiquei em 2007. A seguinte crítica está baseada em textos que li no decorrer desse tempo, e no que aprendi com o autor do seguinte texto: &lt;a href="http://www.teologiaycultura.com.ar/arch_rev/vol_10/5_TyC_6-10_AndersonClaytonPires-Crise-do-capitalismo-global-e.pdf"&gt;Crise do capitalismo global e o ethos da pleonexia&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Atualizado em 2011)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-3947008302973104163?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/3947008302973104163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=3947008302973104163' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/3947008302973104163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/3947008302973104163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2010/11/civilizacao-20-1-o-monstro-assimilador.html' title='O monstro assimilador revisitado'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-5879058525467635660</id><published>2010-11-14T07:13:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T06:37:37.940-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>A rejeição à autoridade no pensamento anarquista</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Resumo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;O trabalho analisa o discurso de rejeição à autoridade presente no cerne do pensamento anarquista, usando para tal uma leitura de Kropotkin, Bakunin e Emma Goldman, e focando-se nas crenças que sustentam este discurso. Usando outros autores, o trabalho também se destina a relacionar esta rejeição à autoridade com a crise de autoridade e o discurso da autonomia do indivíduo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Palavras-chave: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Anarquia, Autonomia, Autoridade, Modernidade&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="https://sites.google.com/site/janosbirozero/Antizero/textos-2/a-rejeio--autoridade-no-pensamento-anarquista"&gt;Clique aqui para ler o trabalho inteiro&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou clique abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Autonomia e autoridade em tempos líquidos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O atual discurso em defesa da autonomia política do indivíduo se desenvolveu a partir da crítica ao poder coercitivo do Estado sobre os espaços comuns de reprodução da vida social. Estes espaços eram representados pelo modo de vida rural, familiar e comunitário, em que havia uma ausência de visibilidade do Estado. A perda desses espaços foi resultado da expansão do modo de vida urbano, que se fundou no modo de produção industrial. Este modo de vida inevitavelmente gera um aumento na complexidade da estrutura social, exigindo maior grau de mediação entre indivíduo e meios de produção. Para os teóricos que criticavam o poder político do Estado e os problemas sociais da industrialização, a raiz do problema era que o modo de produção industrial estava tomando conta desses espaços. Por isso, esses espaços foram considerados como “auto-sustentáveis e totalmente capazes de manter a ordem sob todas as condições e circunstâncias, desde que protegidas das imposições originárias do Estado” (BAUMAN, 2004). A perda desses espaços representava a perda da autonomia original ou natural do ser humano, ou seja, a perda do controle sobre os meios de produção.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Imaginando que os espaços não mediados eram os únicos e verdadeiros espaços para a autonomia do ser humano, os teóricos do século XIX começaram a fundamentar seu ideal de sociedade num modo de vida semelhante ao espaço comunitário que existia antes da criação do Estado. “A anarquia, isto é, uma sociedade sem o Estado e suas armas de coerção, era visualizada como uma ordem não-coercitiva na qual a necessidade não se chocaria com a liberdade nem esta se colocaria no caminho dos pré-requisitos da vida em grupo.” (BAUMAN, 2004). Não havia nenhuma evidência de que a ausência do poder coercitivo possibilitaria a convivência saudável entre as pessoas numa sociedade que já havia se tornado complexa. Havia a crença de que sem o controle do Estado, todas as questões sociais modernas seriam resolvidas por tabela. Colocando todo foco no Estado, eles esqueceram de observar que as tensões sociais inerentes aos grupamentos humanos não se dissipam por si sós, pois não são obras do poder coercitivo. Antes, o poder coercitivo é um produto delas. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A cultura que se desenvolveu no modo de vida urbano já não era a mesma dos antepassados que viviam em pequenas comunidades. As pessoas já não estavam mais dispostas a viver nas mesmas condições que antes, e era quase impossível evitar que as novas exigências sociais e o conceito moderno de liberdade (como emancipação do indivíduo) se chocassem com os pré-requisitos da vida em grupo, dentro dessa configuração social. Os grupos humanos conseguem administrar seus conflitos por meio de uma sabedoria tradicional extensa e muito bem estruturada, que é o resultado de acúmulo de conhecimento por gerações incontáveis. Não podemos afirmar que essa sabedoria estará imediatamente disponível a todo aquele que rejeitar a atual estrutura da sociedade. O fato de que não havia leis positivas não significa que as comunidades ancestrais viviam sem regras, mas ao contrário, que estas eram internalizadas a ponto de não ser necessária quase nenhuma coerção externa, justamente porque não havia questionamento nem pluralidade, havia apenas obediência.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os teóricos criticaram o poder do Estado, mas exaltaram as condições culturais que o criaram. Eles acreditaram que a questão recaia somente sobre o modo organização da sociedade, e que a liberdade estava sendo tolhida, e não mal usada. Não se importaram em definir qual seria o uso correto da liberdade. Pensavam que bastava a cooperação mútua para um projeto comum, sem se preocupar em definir a finalidade dessa cooperação para além da mera sobrevivência. Bastava ter autonomia, independente da direção para a qual essa autonomia estaria orientada. Criticaram a autoridade ao criticar o poder. Criticaram a tradição ao criticar a cultura. Enfim, criticaram o que não fazia parte do problema, e não apenas de modo equivocado, porque ignoraram a distinção entre o modo de vida autêntico e o substituto artificial, criado pela civilização. Achavam que a ordem não-coercitiva emergiria da simples ausência de coerções externas, como se fosse uma ordem natural que estava apenas sendo impedida de fluir pela interferência do poder coercitivo. Os valores internalizados não foram devidamente considerados. Não havia critério para distinguir valores autênticos de não-autênticos, pois toda autoridade foi rejeitada. A rejeição à interferência do Estado foi justificada com base na rejeição de toda e qualquer heteronomia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O conceito moderno de sociedade livre é aquela que surge como resultado imprevisível de interações não coercitivas entre indivíduos auto-orientados. A rejeição ao poder coercitivo sobre o indivíduo levou à rejeição de toda e qualquer forma de autoridade de base traditiva. O ideal passou a ser que cada um viva a própria vida como bem entender, contanto que não atrapalhe os outros a fazer o mesmo. Isso leva a uma crise de sentido, já que nenhuma estrutura social está ausente de padrões. As pessoas continuam buscando incessantemente se adaptar aos imperativos transitórios desta sociedade para se manterem socialmente vivos. Ainda que as pessoas considerem isso como uma escolha pessoal, elas estão apenas reagindo de modo correspondente ao fluxo caótico gerado dentro deste modo de vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os teóricos não questionaram o modo de produção que gerou o aumento da complexidade, mas apenas aquele que, a partir deste, concentrou o controle dos meios de produção nas mãos de poucos. Não questionaram o avanço técnico e científico, nem as mudanças de significado que eles provocaram, mas apenas seu uso pelas elites. Acreditaram, desde o começo, que o avanço tecnológico foi útil para se chegar a um estágio de desenvolvimento que daria condições suficientes para que finalmente nos libertemos de tudo que nos limitava. Pensaram que o problema não teria sido gerado pelo progresso, mas pela má distribuição dos benefícios e pelo mau gerenciamento da sociedade. Não questionaram o progresso real, mas apenas aquilo que atrasa o progresso e que se faz passar por progresso. Pensaram que autonomia econômica significaria liberdade. Estavam, por causa disso, o tempo todo colaborando com a perpetuação e a intensificação de crenças civilizadas e de uma civilização da subjetividade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O próprio processo de modernização criou uma nova subjetividade que rejeita a autoridade e acredita no dever moral de produzir sua própria existência. A ruptura com a tradição começou como um questionamento teológico, mas invadiu todos os aspectos da sociedade por meio do processo da secularização. Já não há mais o que se possa chamar de autoridade na sociedade pluralizada. “Visto que a autoridade sempre exige obediência, ela é comumente confundida com alguma forma de poder ou violência. Contudo, a autoridade exclui a utilização de meios externos de coerção. Onde a força é usada, a autoridade em si mesma fracassou” (ARENDT, 2007). A autoridade se difere tanto do poder coercitivo quanto do poder retórico, sendo “incompatível com a persuasão, a qual pressupõe igualdade e opera mediante um processo de argumentação. Onde se utilizam argumentos, a autoridade é colocada em suspenso.” (ARENDT, 2007). Uma comunidade tradicional se fundamenta em total cumplicidade, e não chega a uma unidade comum por meio do contrato social. Sendo assim, é praticamente impossível falar de autoridade legítima numa sociedade moderna, seja ela democrática, totalitarista, ou mesmo libertária.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Com a perda da tradição se perde a conexão entre passado e futuro, que é o único fundamento da autoridade. Sem tradição não há autoridade. A modernidade transferiu a questão da redenção humana para a esfera mundana. A crença na Queda foi rejeitada, e a ação divina foi reduzida à lei natural. O homem passou a ser visto como portador de autoridade divina sobre a terra, assim os frutos do seu trabalho eram parte da criação divina, e começa aí a valorização do trabalho como meio de aumentar o poder aquisitivo. Se o bem supremo significa apenas a maior quantidade de felicidade para a maior quantidade de pessoas, então o foco recai sobre a vida terrena, sobre o trabalho e sobre o progresso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A autonomia líquida não é uma autonomia autêntica, porque rejeita a condição de autenticidade da autonomia, que é que o reconhecimento que o “nomos” não tem origem no indivíduo, mas sempre numa forma de autoridade, ainda que não reconhecida e contrária aos valores objetivos da tradição. Se não há critérios para separar certo de errado, essa autonomia é de fato uma anomia, e escoa inexoravelmente para o vazio como algo sem sentido. Este conceito de autonomia se fundamentou em crenças que relativizaram o critério de objetividade, elegendo o indivíduo como único legitimador da sua própria verdade. Ao fazer isso, abre-se caminho para uma nova forma de poder, que atinge o homem de dentro para fora, e se torna muito mais resistente ao questionamento do que a coerção externa. A sociedade complexa é regida por sua própria estrutura, que é composta de indivíduos atomizados auto-organizados em redes. Sua complexidade permite que ela não dependa mais das velhas formas de poder, assim como um plano infinitamente vazio é uma prisão melhor do que uma sala fechada. A dissonância valorativa entre os indivíduos que assumem o pluralismo moderno parece inevitável. A maior estratégia da cultura civilizada é convencer seus opositores a mantê-la sempre atualizada, mantendo o fluxo constante de contradições e superações, mas sem uma finalidade definida.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Referências:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;ARENDT, Hannah. &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Entre o passado e o futuro&lt;/i&gt;. São Paulo: Perspectiva, 2007, pp. 127-187&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;BAUMAN, Zygmunt. &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Amor Líquido&lt;/i&gt;. Jorge Zahar, 2004, pp. 77-96.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-5879058525467635660?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/5879058525467635660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=5879058525467635660' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/5879058525467635660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/5879058525467635660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2010/11/rejeicao-autoridade-no-pensamento.html' title='A rejeição à autoridade no pensamento anarquista'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-8548434388633259473</id><published>2010-09-29T14:17:00.000-07:00</published><updated>2010-09-30T11:13:07.716-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Pobreza</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A pobreza é uma das questões sociais mais sensíveis da civilização moderna. A maioria das pessoas tem um discurso pronto para justificar a existência da pobreza, sua origem ou sua perpetuação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para Marshall Sahlins, a pobreza não significa uma pequena capacidade de adquirir bens materiais. “Os povos mais primitivos do mundo têm poucas posses, mas não são pobres. Pobreza não é uma pequena quantidade de bens, nem é apenas uma relação entre meios e fins. Acima de tudo, é uma relação entre pessoas. Pobreza é um status social. Assim como é uma invenção da civilização”. A pobreza é tipicamente civilizada porque a civilização é um modo de vida de acúmulo, e não pode haver pobreza sem acumulação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A pobreza é produto da estrutura dessa sociedade, e não pode ser solucionada sem que essa estrutura mude radicalmente, desde seus pressupostos mais básicos. As pessoas gostam de pensar que a riqueza é justificada pelo próprio funcionamento do sistema capitalista, uma vez que ele é considerado com a fonte de toda riqueza. Elas não relacionam o aumento da pobreza ao aumento da riqueza, mas fazem exatamente o oposto, como se alguém pudesse ser pobre antes da invenção da acumulação. Se fosse assim, a pobreza não apenas era a condição humana, mas a condição universal. Isso explica o valor moral dado à acumulação. Qualquer obstáculo à geração de riqueza deve ser superado, porque acumular se torna um imperativo categórico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Qual o significado da acumulação? Um modo de vida de acúmulo depende da transformação das relações sociais primitivas. Há um limite para o número de bens que você pode produzir num dado espaço, com pouca 'mão-de-obra' e com técnicas primitivas. Tratamos o sistema econômico como algo que nos liberta dessas restrições em direção ao infinito. Mas esse sistema supostamente ilimitado depende do sistema ecológico, que é limitado. Pelas leis ecológicas, a expansão de uma espécie sempre implica na diminuição do espaço de outras espécies. Mas nós queremos negar a todo custo que o aumento da produção implica na diminuição do espaço considerado como ‘não-produtivo’, que nem sempre está desocupado. Falamos de riqueza como algo que surge espontaneamente da vontade. O aumento da produtividade implica na diminuição do tempo de vida não-produtivo, na quantificação desse tempo em termos de eficácia. A riqueza, no sentido econômico, não é gerada com a naturalidade de uma erva que cresce no campo. O trabalho, no sentido secular, significa não se contentar com o que a natureza dá. A facilidade com que compramos um produto nos faz ficar cegos para seu verdadeiro custo. Não pensamos sobre tudo que é necessário para que este produto chegue até nós, e todos os processos que envolvem essa aquisição. Processos destrutivos que dificilmente poderão ser revertidos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O discurso de justificação da riqueza é que os ricos não são moralmente piores que os pobres. Talvez sejam até melhores. A pobreza seria produto de uma economia arcaica, com baixa capacidade de produção, e mão-de-obra pouco qualificada. Logo, a riqueza seria produto de uma economia desenvolvida, com alta capacidade de produção e mão-de-obra qualificada. Mas se não houvesse desigualdade, poderíamos chamar algo de riqueza? Em que sentido? Seria preciso naturalizar o progresso como algo que sempre existiu. O que impulsiona o desenvolvimento dos meios de produção é a intenção de obter vantagem sobre outro e não a necessidade de subsistência. Poderia haver economias ‘desenvolvidas’ sem a presença das economias ‘arcaicas’? E por que todas as economias deveriam seguir o mesmo processo acumulativo? Por que devemos progredir? Para onde o progresso tem nos levado, e por que acreditamos que ele pode melhorar qualitativamente nossa vida?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ricardo Tripoli, deputado estadual do PSDB e ex-secretário de Estado do Meio Ambiente em São Paulo, escreveu há alguns anos um artigo chamado Meio ambiente e Desenvolvimento Urbano: superação da dualidade, em que dizia, resumidamente, que a sustentabilidade ambiental não pode atrapalhar o desenvolvimento urbano e a estabilidade econômica. Isto é, precisamos do crescimento constante da economia. A crença na compatibilidade de um sistema equilibrado com um sistema que depende de crescimento está apoiada numa ideologia tecnocrática que é logicamente contraditória, como indica uma frase do deputado: “A tecnologia é grande amiga da questão social e da ambiental, sempre surgindo novas técnicas capazes de compensar a utilização das áreas”. O que está sendo tirado não está sendo devolvido, está sendo compensado somente no sentido de que a exploração possa continuar. É isso que eles querem dizer com desenvolvimento sustentável. Mas isso depende do desenvolvimento cada vez mais acelerado de novas tecnologias, que por sua vez depende de mais expansão, gerando uma corrida sem fim entre a tecnologia e a natureza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para Milton Friedman, autor de Capitalismo e liberdade, o Estado seria coercitivo na medida em que impede que as pessoas se libertem da sua condição de pobreza. Ele chama o liberalismo de filosofia da liberdade. Hebert Marcuse, em Eros e civilização, disse o seguinte: “Hesito em empregar a palavra — liberdade — porque é precisamente em nome da liberdade que os crimes contra a humanidade são perpetrados”. Em nome de um ideal de liberdade, nós justificamos o ato de tratar os pobres como pessoas de menor valor social, porque eles não são capazes de gerar enriquecimento material individual, ficando dependentes de outros. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Numa análise sobre a pobreza em Microfísica do poder, Foucault diz o seguinte: “Uma análise da ociosidade − de suas condições e seus efeitos − tende a substituir a sacralização um tanto global do ‘pobre’. Análise que na prática tem por objetivo, na melhor das hipóteses, tornar a pobreza útil, fixando-a ao aparelho de produção; e, na pior, aliviar o mais possível seu peso para o resto da sociedade: como fazer trabalhar os pobres ‘válidos’, como transforma-los em mão-de-obra útil; mas, também, como assegurar o autofinanciamento pelos menos ricos de sua própria doença e de sua incapacidade transitória ou definitiva de trabalhar; ou ainda, como tornar lucrativas a curto ou a longo prazo as despesas com a instrução das crianças abandonadas e dos órfãos. Delineia-se, assim, toda uma decomposição utilitária da pobreza, onde começa a aparecer o problema especifico da doença dos pobres em sua relação com os imperativos do trabalho e a necessidade da produção”. Nós substituímos a compaixão pelo pobre por uma acusação de preguiça, como se só fosse digno de valor aquele que é útil à sociedade de acúmulo, ou seja, aquele que transforma seu tempo de vida em tempo produtivo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cabe então, à luz de todas essas análises, perguntar qual o papel da pobreza na crítica à sociedade moderna. Poderia a pobreza ser um efeito inevitável da civilização? Se é, então nos resta duas opções, aceitá-la ou nos voltar contra a própria civilização. Se não é, e se pode existir civilização sem pobreza, então nos cabe ainda perguntar se o fim da pobreza material torna a civilização benéfica em todos os outros sentidos. Poderia a luta social contra a pobreza perpetuar a própria civilização, com todos os seus efeitos destrutivos? O fato é que se nos relacionamos em termos de produtividade, então já não é possível haver dignidade humana, porque ser humano não é ser produtivo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como fica a posição do crítico da civilização? Ele não pode ser insensível à pobreza, mas por outro lado não pode achar que basta se aliar ao discurso que, ao atacar a pobreza, defende o acúmulo. Nem com aquele que, ao ignorar a pobreza, trata as necessidades alheias com indiferença. É uma questão difícil, que deve ser bem pensada, e levada seriamente em consideração.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-8548434388633259473?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/8548434388633259473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=8548434388633259473' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/8548434388633259473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/8548434388633259473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2010/09/pobreza.html' title='Pobreza'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-7453903215864766381</id><published>2010-08-21T13:02:00.000-07:00</published><updated>2010-08-21T13:02:31.144-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Discurso da autonomia no novo capitalismo</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O capitalismo atual não tende à centralização, mas encontra-se numa fase de forte redução dos níveis hierárquicos. As empresas que hoje dominam o mercado se encontram divididas em unidades autônomas, onde os trabalhadores se organizam em projetos transitórios, que por sua vez são tratados como projetos pessoais, oportunidades para adicionar experiências ao currículo, aumentando seu próprio valor de mercado. Esta forma de organização do trabalho exige graus mais elevados de dedicação e responsabilidade. Os trabalhadores sentem que estão realizando algo de si e para si, graças ao discurso motivacional que os impele nessa direção e inflaciona a crença na competência individual.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Os trabalhadores de TI sentem que podem acumular ‘experiência’ pela sua performance nos projetos bem sucedidos, aumentando assim seu nível de empregabilidade no mercado como um todo, tornando-os cada vez mais livres para escolher sua função. Esta busca que parece natural é na verdade uma exigência do processo de fragilização dos vínculos, disfarçada por um discurso de mobilidade. Os trabalhadores valorizam a capacidade de adaptação constante, sentindo-se gestores de suas próprias vidas profissionais. Este é “um novo regime de justificação no qual o destaque é criar e se inserir em redes, ser móvel e polivalente” (ROSENFIELD, 2009, p.2).&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;O trabalhador deve investir em si e na sua rede, sempre transitória, sendo um empreendedor autônomo, gerenciando seus próprios recursos emocionais em projetos que ele trata como seus. Ele considera isso uma estratégia pessoal, sem perceber que está sendo pressionado pela instabilidade do mercado, no qual o conhecimento acumulado não é de fato um critério para o sucesso, dado que tudo pode mudar de uma hora para outra.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;A trajetória profissional é marcada por um nomadismo, em que a flexibilidade é na verdade causada por uma precarização da segurança profissional. A adaptabilidade implica em aceitar riscos cada vez maiores, estar sempre pronto para começar de novo. Isto porque o mercado tem fome do novo, e precisa descartar o velho numa velocidade crescente. A capacidade de cumprir metas passa a ser o critério para a auto-imagem do trabalhador, o que afeta diretamente sua auto-estima e sua vida pessoal. “Como a gestão de si mesmo e o sucesso pessoal são condições de permanência e ascensão, não há segurança de êxito senão sob a forma de fortalecimento do ‘eu’ e na crença moral do reconhecimento do valor do seu trabalho” (ROSENFIELD, 2009, p.4). Na prática, apenas o seu sucesso é valorizado, não o ‘seu trabalho’. O seu sucesso pessoal será o sucesso da empresa, porém o seu fracasso será inteiramente seu.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Podemos comparar essa estrutura com a das redes sociais. A trajetória profissional do empreendedor é como uma série de aventuras, cada qual com sua recompensa, que eleva suas habilidades e abre possibilidades para aventuras mais difíceis, com recompensas maiores, e assim por diante. O processo é cíclico e sem fim. Entre uma aventura e outra, ele conhece indivíduos, socializa com eles, forma grupos transitórios, faz amizades e inimizades. Tudo isso é considerado como estilo de vida emocionante e envolvente, para não dizer vicioso. Este estilo de vida propaga um discurso contra a heteronomia e a autoridade, pois o gerenciador de si mesmo sente que eliminou a pressão coercitiva do chefe, sem perceber que assimilou internamente os imperativos do mercado. “O risco e a aventura aparecem como um novo ‘bem-viver’, sem poder coercitivo e livre das amarras da heteronomia típica da organização do trabalho” (ROSENFIELD, 2009, p.4).&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Rosenfield também destaca a reabilitação do trabalho enquanto “obra”, isto é, criação própria do trabalhador, mas lembra que isto não passa de uma justificação moral. Há um paradoxo no discurso do sucesso pessoal, pois o sujeito coloca-se como senhor de seu próprio destino, quando na verdade esta é a condição de uma institucionalização da instabilidade, onde o sujeito é levado a sacrificar uma parte cada vez maior do seu tempo de vida para alcançar resultados mais competitivos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Este paradoxo se torna mais claro quando consideramos as normas morais que devem ser assimiladas pelo trabalhador assalariado, em comparação com um escravo. O trabalhador tem a aparente liberdade de escolha, mas a rotina de trabalho exige que ele permaneça mentalmente cativo ao trabalho, de forma que ele não é mais dono dos seus próprios pensamentos. Sua forma de pensar deve ser dedicada exclusivamente ao trabalho, uma vez que este agora exige também sua criatividade, e todos os aspectos do seu ser.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;O novo espírito do capitalismo é “marcado pela valoração da construção de redes” (ROSENFIELD, 2009, p.6). As redes representam um modelo altamente instável, onde os elementos perdem seu poder de agregação, se tornando partes destacáveis, que podem ser conectadas e desconectas com igual facilidade. E o critério de conexão depende do capital. Não apenas ‘capital-dinheiro’, mas ‘capital-destreza’. Gerenciar riscos de investimento significa gerenciar a sua própria vida, pois os novos capitalistas se tornam eles mesmos uma espécie de capital. Se o executivo não tiver a capacidade de se desfazer dos esquemas tradicionais, será descartado com eles.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Os novos trabalhadores tendem a considerar essa flexibilidade ou mobilidade da organização de trabalho como uma liberdade de movimento, quando na verdade eles precisam se mover em função de não serem excluídos por uma crescente instabilidade imposta pelo modelo atual do capitalismo. Enquanto o discurso da empresa é que o trabalhador deve fazer um compromisso consigo mesmo, a realidade é que ele depende do crescimento dos lucros da empresa, e do sucesso do modelo capitalista como um todo. Ele pode gerir sua própria vida, mas deve fazê-lo necessariamente em função das regras do capital.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;O discurso da empregabilidade está voltado à crença num senso de autonomia, em que o sujeito realiza a si mesmo no projeto ao qual foi encarregado. “Os projetos da empresa devem combinar-se a um projeto de desenvolvimento pessoal”. Este discurso da autogestão possibilita um distanciamento dos destinos, ou descompromisso mútuo disfarçado de responsabilidade pessoal, em que os riscos das empresas são externalizados para os empresários enquanto indivíduos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Rosenfield chama esse processo de institucionalização da instabilidade. Dentro de uma mesma empresa, não há mais garantias de poder continuar empregado sem diversificar competências. Logo, a habilidade mais importante é não permanecer o mesmo. A isso, também se soma um processo de individualização, em que mesmo parceiros são, ao mesmo tempo, concorrentes em potencial. “Pode-se afirmar que encontrar equilíbrio entre mobilidade como alargamento do leque de experiências e estabilidade como projeção para o futuro é uma tarefa paradoxal” (ROSENFIELD, 2009, p.11). Isso pode ser explicado porque a disposição para a mobilidade é típica dos trabalhadores mais jovens. Na medida em que eles se casam e têm filhos, procuram mais estabilidade, reduzindo sua capacidade de adaptabilidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;O trabalhador assume o ônus da instabilidade, quando eventualmente sua mobilidade na rede será reduzida, e ao fim ele dificilmente conseguirá se manter numa trajetória ascendente ou mesmo estável. Por outro lado, manter o ritmo significa também manter o nível de stress. Também recai ao trabalhador a tarefa de gerenciar suas emoções, e manter controle da ansiedade gerada no trabalho. O ambiente dinâmico significa muito mais pressão sobre a gestão do próprio tempo, que tende a se refletir no isolamento e na fragilização dos laços sociais dentro e fora do trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Rosenfield chama este &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;ethos&lt;/i&gt; social de individualismo sem sujeito. O individualismo está na autogestão dos percursos profissionais, que excluem compromissos com outros percursos, ocorrendo de forma independente. Mas ao mesmo tempo o sujeito está morto, já que a “autogestão dos percursos profissionais traz consigo a busca incessante por uma progressão infinita” (ROSENFIELD, 2009, p.14), isto é, porque não há mais um ponto a ser alcançado, mas o percorrer se torna um fim em si mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Aquele que se julga senhor do seu destino de fato é responsável pela mutilação da sua própria subjetividade em nome do sucesso pessoal. Dessa forma, se disfarça a destruição dessa subjetividade, como se a doação fosse voluntária, e não a única alternativa na busca de reconhecimento. O trabalhador negocia a si mesmo. Ao mesmo tempo em que sua identidade profissional se torna seu próprio nome, sua própria identidade se torna tão transitória quanto sua função.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Rosenfield conclui que este discurso de mobilização é uma justificação para a precarização. O sucesso pessoal está relacionado à fragilização do laço social, isto é, quanto maior o fortalecimento do ‘eu’, maior o enfraquecimento dos vínculos sociais. A tensão da adaptabilidade infinita acaba gerando um esgotamento da capacidade do indivíduo de se relacionar sem essa mesma tensão. O que é exigido dele pode se tornar o que ele exige de si mesmo e dos outros, a saber, a obrigação de crescimento ou movimento como condição de permanência. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Para conquistar reconhecimento, não basta fazer um bom trabalho, é preciso ficar em evidência, impedindo que o mérito seja dividido complemente entre todos. “A gestão permanente do ‘eu’ faz da subjetividade elemento a ser administrado com o intuito de configurar estratégias bem sucedidas” (ROSENFIELD, 2009, p.19), o que significa que o novo capitalismo valoriza as subjetividades, mas apenas na medida em que elas possam gerar resultados aproveitáveis. O discurso da autonomia enaltece este indivíduo que administra sua subjetividade para a produtividade como um profissional bem sucedido.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Assim, o discurso oculta a relação da autonomia do indivíduo com o processo macro social da precarização, porque foca a performance individual, mas não o que se está construindo como um todo. Rosenfield cita a teoria Axel Honneth como uma contribuição importante para entender este paradoxo. A concepção normativa da emancipação é separada de suas consequências destrutivas. Os indivíduos não compreendem o papel do capitalismo na fragilização dos laços, porque aprenderam que são donos do próprio destino, e pensam que depende apenas deles mesmos a capacidade de manter um equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Na prática, este equilíbrio está sendo continuamente atacado pelo modelo de produtividade, mas os indivíduos aceitam as perdas em esfera privativa como um preço inevitável a se pagar para manter as condições de empregabilidade em ascendência.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Em outras palavras, ao transferir a responsabilidade para os trabalhadores, criou-se também um discurso de justificação, onde o papel do capitalismo desaparece. Justifica-se a aceitação das premissas como condição para vencer, esquecendo-se que um ato não é justificado meramente por ser condição de vitória, já que as regras podem ser manipuladas para exigir um custo crescente, que cresce junto com a concorrência. Tendemos a pensar que o custo é sempre justificado, se for escolhido pelo sujeito. Em conjunto com a criação de um ‘boneco de palha’ para o capitalismo, onde este aparece somente nos processos de maior acúmulo de capital, torna-se possível que o novo capitalista não se considere capitalista, porque acredita que está sendo apenas um agente econômico autônomo, visando um lucro equilibrado. Isto é, não é um escravo, mas também não é um dono de escravos. A verdade seria mais ou menos a seguinte: Difundiram-se os papéis, de forma que agora os escravos gerenciam a si mesmos, mas continuam escravos do capital.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;“A justificação é um raciocínio moral que demonstra a aceitabilidade e plausibilidade da norma, no qual desaparecem as formas de dominação, assim como os constrangimentos e coerções de natureza social” (ROSENFIELD, 2009, p.21). Para Rosenfield, a institucionalização da instabilidade é tanto econômica quanto social, gerando um quadro de crescente incerteza, insegurança e imprevisibilidade em todas as relações sociais. A precarização social não se reflete no aspecto da remuneração, da liberdade, da equidade e da segurança do ambiente de trabalho. Os direitos do trabalhador continuam assegurados. A questão é mais profunda. O trabalho é inserido na subjetividade, tornando-se uma paixão, algo ao qual o indivíduo está pessoalmente engajado, mudando assim o sentido do trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;“A precarização social significa, pois, um direcionamento da responsabilidade social para uma crescente individualização” (ROSENFIELD, 2009, p.23). Na internalização do senso de responsabilidade individual, o sujeito adere ‘de livre e espontânea vontade’ a uma racionalidade que fragiliza os laços sociais, pois ele precisa corresponder ao modelo de comportamento esperado de alguém que é senhor do seu destino, seguindo as normas invisíveis do capital&lt;span style="display: none; mso-hide: all;"&gt;anos Biro&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Assim, o trabalhador não consegue ver sua verdadeira relação com a economia global. “As noções de empregabilidade, de autogestão de carreira, de empreendedor de si mesmo impedem de perceber o trabalho como uma forma de contribuição individual ao todo social, pois o mérito dessa contribuição retorna ao sujeito sob a forma de sucesso do ‘eu’ e de mérito pessoal” (ROSENFIELD, 2009, p. 24). Este sujeito não percebe que se tornou mutante para poder se adaptar melhor a um mercado de trabalho em constante mutação, e acredita que isto é uma escolha pessoal, porque este é o discurso que ele assimilou. Ele não percebe que seu isolamento foi propiciado pelas premissas básicas do discurso capitalista da autonomia. Em resumo: “O individualismo é autonomia e também fragilização social” (ROSENFIELD, 2009, p.24).&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Janos Biro&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Referência:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;ROSENFIELD, C. L. &lt;i&gt;Quadros Superiores de TICs: Mobilidade ou fragilização?&lt;/i&gt;. In: 33º Encontro Anual da ANPOCS, 2009, Caxambu - MG. 33º Encontro Anual da ANPOCS, 2009.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-7453903215864766381?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/7453903215864766381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=7453903215864766381' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/7453903215864766381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/7453903215864766381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umanovacultura.blogspot.com/2010/08/discurso-da-autonomia-no-novo.html' title='Discurso da autonomia no novo capitalismo'/><author><name>Janos Biro</name><uri>https://profiles.google.com/101279453386641728488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-aLCTf2EJ9cA/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAABLI/lmGJlIrO-tE/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-287915399235832973.post-9046007059510836667</id><published>2010-06-03T16:48:00.001-07:00</published><updated>2010-06-03T16:48:42.713-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Traduções'/><title type='text'>O que ensinamos às crianças</title><content type='html'>&lt;iframe src="http://docs.google.com/present/embed?id=dcrbx9fj_63cs6p4btd" frameborder="0" width="410" height="342"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/287915399235832973-9046007059510836667?l=umanovacultura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umanovacultura.blogspot.com/feeds/9046007059510836667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=287915399235832973&amp;postID=9046007059510836667' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/287915399235832973/posts/default/9046007059510836667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www
